Igual a Calado só Pina Moura

Vice-presidente tem a ‘chave do cofre’, a economia, os transportes e a coordenação

13 Out 2017 / 10:24 H.

Pedro Bettencourt Calado, o novo super-governante, volta ao sector público, depois de ter sido vereador com o Pelouro Finanças, Direcção-Geral, Recursos Humanos, Concursos e Notariado, entre outros, na Câmara Municipal do Funchal, entre Outubro de 2005 e Setembro de 2012 e Vice-presidente até Outubro de 2013.

O curto regresso ao sector privado, onde se iniciou entre Setembro de 1994 e Setembro de 2005 (director-geral da Previsão, gestor de risco e empresas no Grupo Espírito Santo e na Caixa Geral de Depósitos e, inicialmente, como auditor sénior interno na multinacional KPMG) e desde Outubro de 2013 até à data no Grupo AFA, como Assessor de Administração.

Vai ocupar o cargo de Vice-presidente com três importantes pastas - Finanças, Economia e Transportes – além da não menos crucial coordenação política do Governo de Miguel Albuquerque.

Nunca um governante (tirando os presidentes, claro) na Madeira tinha tido tanto poder, pois além de ficar com a ‘chave do cofre’, ficará encarregue da dinamização económica necessária e da crucial e, ainda, a complexa área dos transportes. A coordenação política é apenas o assumir do papel de ‘braço’ (direito e esquerdo) de Miguel Albuquerque, tal como ocorrera em pouco mais de um ano na CMF.

Pina Moura e poucos mais

Igual a Calado, só mesmo Joaquim Pina Moura, que foi ministro das Finanças e Economia entre 25 de Outubro de 1999 e 14 de Setembro de 2000. Um super-ministro que, reza a história, não foi bem-sucedido. E, não houvesse melhor justificação, o facto de ter durado pouco menos de 11 meses no acumular destas funções e nunca mais se voltou a tentar juntar áreas tão próximas, mas ao mesmo tempo tão distantes nos objectivos.

Antes deste ex-comunista e ex-socialista, também Manuel Cota Dias tinha sido o primeiro a ter essa incumbência, ainda no Estado Novo. Como ministro das Finanças e Coordenação Económica, entre 25 de Março e 25 de Abril de 1974. Um mês de governo interrompido pela ‘Revolução dos Cravos’.

Logo depois, também Vasco Vieira de Almeida foi Ministro da Coordenação Económica (com a pasta das Finanças) no I Governo Provisório pós-Revolução e Junta de Salvação Nacional, entre 16 de Maio e 17 Julho de 1974. Ou seja, durou dois meses.

Por cá, só no I Governo

A nível regional, há apenas um caso parecido. José António Camacho foi secretário regional do Planeamento, Finanças e Comércio, entre 27 de Outubro de 1976 e 16 de Março de 1978, no I Governo Regional da Madeira, liderado por Jaime Ornelas Camacho.

Sendo assim, além de recuperar o cargo de Vice-presidente, que fora pela primeira instituído por Alberto João Jardim a 9 de Novembro de 1988, com Miguel Luís de Sousa, que teve a incumbência da Coordenação Económica até 10 de Janeiro de 1990.

Foi recuperado anos depois, com a mesma competência da coordenação económica, mais precisamente a 16 de Novembro de 2004, quando tomou posse no cargo João Cunha e Silva, até 20 de Abril de 2015. Marcou cerca de 10 anos e três governos PSD, embora sem o ‘peso’ político e estratégico de toda a governação de Pedro Calado, bacharel em gestão de Empresas pela Escola Superior de Gestão de Santarém e licenciado em Estatística e Gestão de Informação pela Universidade Nova de Lisboa.

Engenheiros ao poder

Paula Cabaço ...

Aos 49 anos, chega ao cargo mais alto desde que em 1995 ingressou, pela primeira vez, na Administração Pública Regional. Natural de Luanda, residente na Ponta do Sol, é engenheira agrónoma, coordenou o núcleo de ajudas comunitárias na Direcção Regional de Agricultura, onde exerceu vários cargos de chefia, até ser nomeada Vogal no Conselho de Administração do Instituto do Vinho (IVBAM), em 2006, para três anos depois, ser nomeada presidente. Esteve no cargo até Janeiro deste ano.

Amílcar Gonçalves ...

Aos 45 anos, passa de director a secretário regional, assumindo parte das competências de Sérgio Marques. Inicia a carreira em 1996 nas obras de ampliação do Aeroporto da Madeira, no ano em que terminou o curso de Engenheiro Civil. Dos Cimentos Madeira, ao LREC, à vereação na CMF nas Obras Públicas, sobretudo no final do mandato de Albuquerque, é uma das pastas que assume no Governo. Foi eleito nas Autárquicas, na lista de Rubina Leal, mas não assume. É ainda vogal do Secretariado do PSD-Madeira.