Empresa de Singapura instala-se na Madeira

Madeira tem já 600 engenheiros a trabalhar em três grandes empresas tecnológicas

01 Nov 2017 / 02:00 H.

A Tactilis, uma empresa tecnológica de Singapura especializada no desenvolvimento de cartões que incorporam dados biométricos do titular, vai instalar a sua sede na Madeira. O DIÁRIO já tinha noticiado há um ano o interesse deste grupo, mas ontem o presidente do Governo Regional confirmou este investimento.

“Neste momento vem uma grande empresa de Singapura que vai instalar a sua sede cá”, disse Miguel Albuquerque, no VIII Encontro Fora da Caixa, promovido pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) no Funchal, com o tema geral ‘Das infraestruturas ao turismo de qualidade’. O chefe do executivo madeirense pretendia apresentar à plateia os frutos da aposta do seu executivo “nos sectores do futuro”, ligados à tecnologia e inovação. A este respeito, adiantou que a Madeira tem já quase 600 engenheiros a trabalhar em três grandes empresas tecnológicas (especializadas em operações bancárias, ‘cloud’ e dispositivos médicos).

O turismo era o tema da iniciativa que juntou algumas centenas de pessoas. O presidente do Governo destacou os bons indicadores deste sector, bem como de outros sectores tradicionais com potencial exportador (vinho, peixe, produção de banana e até cerveja) mas defendeu uma aposta na diversificação da economia. A esse respeito, fez referência ao Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM), que cresceu mais de 30% este ano, e, dentro deste, o registo de navios MAR, que já é o terceiro maior da Europa, superado apenas por Malta e Chipre.

Três problemas com Lisboa

Se o presidente da comissão executiva da CGD, Paulo Macedo, fintou as perguntas do moderador sobre o Orçamento de Estado para 2018, já o presidente do Governo Regional não se pôs com rodeios. “Até agora foi uma completa desilusão”, confessou Albuquerque, que espera que a discussão na especialidade do documento orientador das finanças públicas traga melhores notícias para a Madeira. Concretizando, acha “essencial resolver três problemas”. O primeiro é o financiamento do novo hospital, cuja factura deveria ser assumida em partes iguais pelo Governo de Lisboa e pelo Governo Regional, mas que está omisso na proposta do Orçamento de Estado. O segundo problema é o pagamento dos 16 milhões de euros de dívidas dos subsistemas (GNR, PSP e militares) ao Serviço Regional de Saúde. E o último é a redução da taxa de juro que a Madeira está a pagar à República pelo empréstimo de 1.500 milhões de euros.

Tendo no evento os principais responsáveis da Caixa Geral de Depósitos (com quem antes havia almoçado), Miguel Albuquerque aproveitou para dizer que espera contar com o banco público para financiar os novos negócios que estão a despontar em sectores orientados para a inovação e exportação, como a produção de peixe em aquacultura, os produtos de nicho na área da panificação ou empresas de animação turística. Também quer contar com financiamento para as empresas do Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) e lembrou que são estas quem faz a interligação com os mercados de exportação de Portugal. De forma implícita, o presidente da comissão executiva da CGD, Paulo Macedo, deu a entender que a instituição financeira está disponível para dar uma ‘mão’ a Albuquerque, já que está numa situação robusta depois de recapitalizada com 4.000 milhões de euros. Paulo Macedo revelou que faz parte da estratégia da Caixa conceder mais crédito, o que acha não ser fácil quando “todo o país está a se desendividar”. O gestor apontou as áreas onde o banco público pretende disponibilizar mais dinheiro: crédito especializado (leasing e factoring), apoio às exportações (trade financing) e crédito à habitação, em especial para áreas que estão a crescer, como o residencial em zonas nobres (prime). O banco garante que ganha à concorrência no prazo para a concessão dos empréstimos (10 dias) e na taxa de aprovação (90%). No entanto, “ninguém quer repetir os erros do passado” e haverá sempre rigor. Aliás, já antes o presidente do conselho de administração, Rui Vilar, havia dito que “não haverá invenções nem aventuras” na Caixa.

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