Emigrantes fazem aumentar os pedidos de ajuda

10 Nov 2017 / 02:00 H.

    Consequência do regresso de muitos portugueses que estavam radicados na Venezuela, tem aumentado a procura pelos apoios sociais disponíveis na Loja Solidária da Calheta.

    “Já há algum tempo que temos vindo a notar um aumento da procura, sobretudo nos últimos meses”, revela Cecília Cachucho, a Provedora da Santa Casa da Misericórdia da Calheta.

    Apoio sobretudo em roupas, calçado, artigos para a casa - roupas de cama, atoalhados, cortinas - e electrodomésticos, embora também seja procurada para ‘matar a fome’, apesar de ainda não operar com bens alimentares. Valência que considera importante colmatar, dada a crescente procura.

    “Alimentos para entregar ainda não temos, mas temos no nosso projecto uma dispensa social e já estamos a tentar negociar um protocolo com uma grande superfície comercial para podermos também assegurar esse fornecimento de bens alimentares”, regista.

    “A dispensa social era fundamental porque há pessoas que nos pedem esses géneros de produtos”, salienta Cecília Cachucho. Apesar de esclarecer que neste caso são “situações pontuais”, a Provedora garante que “quando é assim (pedem alimentos) recorremos ao Banco Alimentar para satisfazer as necessidades imediatas”.

    Criada a meados de Julho do ano passado, a Loja Solidária coordenada pela Misericórdia calhentense, embora ainda com pouco mais de um ano de existência, tem vindo a ser cada vez mais procurada por famílias em situação de carência económica. E não apenas por residentes no concelho da Calheta. Ao município do extremo Sudoeste já terão chegado pedidos de ajuda de famílias dos municípios mais próximos.

    “Não recebemos doações só da Calheta como também não ajudamos só quem reside neste concelho. Como tal, temos recebido ajuda de outros concelhos como também temos dado apoio a famílias de fora da Calheta, nomeadamente da Ponta do Sol, por ser o mais próximo, mas também a pessoas da Ribeira Brava e penso que até de Câmara de Lobos”, aponta.

    Actualmente estima-se que por mês estejam a ser ajudadas pela Loja Solidária cerca de 30 famílias.

    Este apoio prestado pela Loja Solidária instalada na Casa Paroquial do Atouguia, sobretudo com roupa e outros objectos, nomeadamente artigos usados mas ainda em bom estado, tem-se revelado importante para muitas famílias que enfrentam sérias dificuldades. Um projecto que resulta da parceria entre a Santa Casa da Misericórdia da Calheta, Câmara Municipal, Paróquia do Atouguia e Vicentinos, contando também com o apoio de voluntários.

    Agora que se aproxima a quadra natalícia, Cecília Cachucho lembra a importância da “partilha” realçando também o facto da Loja Solidária da Calheta estar disponível para ir a qualquer ponto da Ilha recolher donativos que possam ser úteis em ajudar o próximo.

    “Agora que se aproxima o Natal queremos uma partilha de bens”, apelou a responsável pela Santa Casa da Misericórdia da Calheta.

    As empresas, nomeadamente hotéis, têm sido até à data importantes aliados neste projecto de solidariedade social.

    ADBRAVA ajuda dez famílias emigrantes por mês

    Por mês, a Associação de Desenvolvimento da Ribeira Brava (ADBRAVA) tem auxiliado cerca de dez famílias regressadas da Venezuela.

    Nivalda Gonçalves, a presidente da Associação, reconhece “não é significativo ainda”, até porque representa somente cerca de 10% das ajudas prestadas, mas também admite que muitos possam procurar respostas noutros programas sociais, nomeadamente junto da própria Segurança Social e não apenas na instituição de solidariedade social que dirige.

    A estes agregados com carências financeiras precárias revela que a ajuda tem sido dada a vários níveis, desde vestuário a alimentos, passando também por material de construção civil e mesmo material escolar. O aumento da procura de ajudas motiva pelo regresso de muitos emigrantes tem-se feito sentir desde o início do ano.

    Também a Casa do Povo da Ribeira Brava tem sido muito solicitada por emigrantes que procuram outras soluções de integração, nomeadamente aqueles que desejam frequentar acções de formação para uma melhor integração na realidade regional.

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