Elvis

O saxofonista
e o maestro Ernst Schelle actuam pela primeira vez com a OCM, que estreia o Concerto para Saxofone Alto e Orquestra de Anne Victorino d`Almeida

20 Mai 2017 / 02:00 H.

Elvis Sousa é um nome maior dos jovens talentos nascidos na Madeira, um exemplo de que a ilha não é um fim. Está a actualmente a estudar no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris, uma das mais conceituadas instituições de ensino de música do mundo. Pode ouvi-lo hoje ao vivo, num curto regresso, para a estreia ao lado da Orquestra Clássica da Madeira (OCM). “Sinto uma felicidade enorme”, confessou. “É diferente, é como estar em casa”, disse ao DIÁRIO o jovem de 25 anos.

Esta é a primeira vez que o Concerto para Saxofone Alto e Orquestra de Anne Victorino d`Almeida será tocado para o público. Não é a primeira estreia mundial para o madeirense. Na ESMAE - Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto e no Conservatório Regional de Versalhes, em França, Elvis teve contacto com alguns compositores e estreou obras a solo, obras com piano e outras até com electrónica.

A Banda Filarmónica da Casa do Povo de São Vicente foi a sua primeira escola de música e foi contra a vontade dos pais que ingressou no Curso Profissional de Instrumentista no Conservatório - Escola Profissional das Artes da Madeira.

Não vem de uma família de músicos. O pai trabalha num café, a mãe é agricultora. Com o professor Duarte Basílio aprofundou os conhecimentos musicais, tendo partido depois para a ESMAE no Porto, para a licenciatura, onde finalizou com classificação máxima na classe de saxofone dos professores Henk van Twillert e Fernando Ramos.

Deixou Portugal rumo ao Conservatório Regional de Versalhes, onde durante dois anos estudou com Vincent David, um virtuoso, “fora de série”, como descreve. “Foi por ele. Se ele estivesse no Dubai, ou se estivesse na América, ou em qualquer lado, eu ia na mesma, porque era aquele que eu queria, desde que o ouvi.”

Este ano Elvis tornou-se o primeiro saxofonista português a ser aceite no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris, onde nasceu a escola de saxofone. Já tinha tentado outras quatro vezes. Foram 80 pessoas a concorrer para a única vaga em mestrado no seu instrumento, um lugar disputado por alunos de todo o mundo, que lhe permite agora estudar com Claude Delangle, um saxofonista e pedagogo de renome.

Quando pode, dá concertos. Tem uma pianista japonesa que o acompanha chamada Yuko Hironaka, com quem abraça as oportunidades que surgem. De resto investe em concursos internacionais, importantes para abrir portas, concertos com orquestras e também para ganhar dinheiro, tendo ganho vários ao longo da carreira. O 2.º prémio no Concurso Internacional ‘Leopold Bellan’, em Paris, que venceu recentemente, encheu-lhe as medidas.

A música dá dinheiro, diz, mas não para todos. “Não há que ser muito bom, há que ser fora de série, um fenómeno. E mesmo assim é difícil”. “Eles olham para o saxofone clássico, não têm conhecimento, não têm noção. É uma coisa nova, é uma coisa diferente. É especial, é mesmo bom”.

É apaixonado pelo instrumento. Em Versalhes trocava a hora de almoço por uma sandes para ter mais uma hora na sala de aula. Todos os dias das 9 horas às 14h no Conservatório e depois ia a pé para uma escola ligada à instituição de ensino, onde continuava durante a tarde até às 20 horas. Tudo aulas práticas.

“Compensou”, confessou. “Mas espero que compense muito mais, porque eu sou muito sonhador e estou sempre a pensar alto, alto, alto. Nunca vou desistir dos meus objectivos”.

O desafio de hoje passa pelo Concerto para Saxofone Alto e Orquestra, uma das primeiras obras “mais a sério” de Anne Victorino d`Almeida, diz a própria. Recorda-se que o que a levou a escrever este trabalho foi um concerto que fez em 2006 com a Orquestra Sinfonieta de Lisboa, com o pianista Bernardo Sassetti e com o saxofonista Carlos Martins, que a arrebatou.

“Voltei para casa com imensa vontade de escrever e de conseguir recriar um bocadinho daqueles dias que tinha vivido nos ensaios e concerto”, contou a também violinista. No meio disto, nasceu a sua filha mais nova, outro momento de grande ternura que associa à peça escrita em 2007, a tocar esta noite, sob a direcção de Ernst Schelle. O maestro dirige pela primeira vez a OCM, às 18 horas no Teatro Baltazar Dias.

Ser compositora é para Anne Victorino d`Almeida a “liberdade absoluta”. “É o momento em que eu escrevo o que quero. E haverá sempre alguém que goste e alguém que não goste, estou preparada para isso.”

Escreve muitas obras e algumas não chegam ao público. As que realmente chegam são as que são especiais. “O Concerto para Saxofone Alto e Orquestra é certamente uma delas porque foi a primeira grande peça”.

A compositora gosta muito de escrever para orquestra, é um desafio como é jogar Sudoku para outras pessoas. Escrever para um instrumento só, diz, exige muito mais criatividade.

O programa começa com Ouverture in The Italian Style - em Ré maior D 590 de Franz Schubert; continua com a estreia mundial e termina com a Sinfonia nº2 em Ré Maior Op. 36 de Ludwig van Beethoven.

Os bilhetes podem ser adquiridos no local.

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