Eleições ‘afastam’ líder

Presidente da Comissão Política de Freguesia do PSD Machico não se recandidata

13 Out 2017 / 02:00 H.

O pior resultado de sempre para o PSD Machico, verificado nas recentes eleições Autárquica, fez mais uma ‘vítima’. O (ainda) presidente da Comissão Política de Machico, Élvio Encarnação, não se recandidata a novo mandato para a liderança da estrutura de freguesia. O deputado, que é também líder da Concelhia do PSD/Machico, confirmou ao DIÁRIO que vai entregar o poder que ainda detém na Comissão Política de Freguesia de Machico.

“Decidi não me recandidatar à Comissão Política de Machico”, decisão que o próprio diz ter sido determinada pelo desaire eleitoral a 1 de Outubro, “o pior resultado que alguma vez o PSD Machico teve”, reconheceu.

Se nas Autárquicas de 2013 o resultado obtido pelo PSD já tinha sido mau, na altura com 31,75% (1.833 votos) e apenas 5 dos 13 mandatos (Assembleia de Freguesia), agora ainda foi pior, com o partido a perder quase meio milhar de votos que fez cair para os 22,39% (1.356 votos) e reduzir a 3 os mandatos contra os 10 conquistados pelo PS.

A evidência dos números não deixou margem para dúvidas, acabando por sentenciar o futuro de Élvio Encarnação na Comissão Política da mais influente freguesia do concelho, que presidia há dois anos e meio.

“Na sequência dos resultados (Autárquicas 2017) entendi que há que dar o lugar a outros protagonistas”, diz o parlamentar, que também não esconde algum mal-estar no seio da família ‘laranja’ por causa da sua liderança.

“Sinto que por ser natural do Porto da Cruz causo alguma urticária a alguns militantes que nunca viram com bons olhos alguém de fora a comandar os destinos da freguesia de Machico”, assume, em jeito de recado interno.

Entende que este afastamento é o melhor para o futuro partido, embora considere que os sinais de estar a quebrar já vem das eleições internas onde diz “nós não ficamos em cacos, nós ficamos completamente fragmentados. Agora este resultado voltou a causar uma mossa muito grande”, conclui.

Apesar das divisões internas que têm fragilizado o partido, encontrou nesta campanha motivos para acreditar que há condições para reabilitar o PSD em Machico.

“Acho que o ambiente que o partido conseguiu criar em torno da candidatura do Ricardo Sousa possibilita que ele renasça e tenha condições para andar. Dei o meu contributo e como não estou agarrado a lugares, não me recandidato porque unicamente pretendo que o partido volte aos velhos tempos e às vitórias”.

A este propósito recorda que uma vez disse ao então presidente do PSD/M, Alberto João Jardim, “eu não sou problema nem serei problema”, para reafirmar que a mesma tese “aplica-se novamente neste caso”, concretizou.