Edgard Fernandes regressa a casa com NUd’artes

Projecto do actor pretende reunir várias formas de arte dentro e fora da Madeira

14 Mar 2018 / 02:00 H.

Edgard Fernandes voltou à Madeira para reencontrar-se com o seu passado e para dar o seu contributo para o presente e futuro das artes na Região. O actor está a criar uma companhia de artes, um projecto voltado para a ilha e simultaneamente para o exterior. A NUd’artes - Formas e Objectos estará em cena ainda este ano, em Novembro, espera, com a estreia do monólogo ‘Voxx’, inspirado no poeta Herberto Helder e comemorativo dos 25 anos de carreira de Edgard.

NU são as iniciais de Núcleo Unido. Esta companhia não será uma companhia convencional, explica, terá teatro, dança, teatro físico, artes circenses, marionetas, artes plásticas, fotografia, folclore e artesanato. “Todo o tipo de arte fará parte da companhia”, anunciou o actor de 42 anos. “A ideia primordial é exportar a arte madeirense. Irão ser criados projectos e espectáculos para estrearem cá na Madeira, mas também para depois serem enviados para festivais internacionais, nacionais”. O objectivo é conseguir em conjunto o que individualmente cada artista tem mais dificuldade em ultrapassar, a insularidade.

O primeiro espectáculo da companhia é um monólogo com textos de Edgard Fernandes e interpretação do próprio, a estrear em local ainda a definir. “Eu quero estreá-lo cá e já está vendido para salas de espectáculo a nível nacional de Norte a Sul”, revelou. As salas em concreto ainda não pode anunciar. “Não está nada assinado, mas posso dizer por alto que irei passar pelo Porto, Lisboa, Algarve, Viana do Castelo, e também fora do país, já tenho contactos com a República Checa, Praga, Hungria, Inglaterra, Espanha”. Nestas saídas, quer levar os espectáculos e toda a restante arte que engloba a companhia. “Eu vou dar oportunidade aos artistas que existem na Madeira de poderem expressar-se e exportar”.

O NUd’artes vai incluir ainda workshops, conferências, debates, com convidados ligados à cultura do país e do estrangeiro, anunciou, salvaguardando que não é um atestado de que as os madeirenses não estão educadas para a cultura, mas um contributo para que percebam que há mais no teatro e na arte em geral do que acontece aqui. “Ainda está muito limitado aos clássicos. Se aparecer um espectáculo de McBeth, se aparecer um espectáculo de Ruy de Carvalho, é uma sala esgotada, Eunice Muñoz é uma sala esgota. Mas são clássicos. Há um leque muito grande de espectáculos, não só de teatro, de dança contemporânea, jovens criadores do continente, alguns dos quais são meus colegas, que trabalham como freelancers, que têm trabalhos incríveis que podem ser feitos em espaços alternativos”.

A ideia é remexer, é criar um remoinho de arte aqui na Madeira, assume o actor, que se assume uns traços de ‘ovelha-negra’. “Talvez porque tenha coragem de dizer aquilo que muitas pessoas calam”.

O projecto passa ainda por leituras encenadas, pelo trabalho junto das escolas, com crianças e com lares de terceira idade.

Os 25 anos de carreira celebrados no dia 7 de Março foi o motivo que o fez regressar a casa depois de mais de duas décadas fora, isto e o sentir que havia uma lacuna. “Isto no meu ponto de vista e tenho falado com vários colegas da área aqui na Madeira, falei-lhes do projecto e ficaram super entusiasmados, e todos eles me disseram que era isto que faltava na Madeira. A dificuldade maior que eu estou a ter neste momento é o financiamento e os apoios e a divulgação”, contou. Edgard Fernandes diz que perdeu os contactos depois deste tempo. Neste momento está à procura de meios para levar o projecto em frente e todas as empresas que estiverem interessadas e que acreditem no projecto são bem-vindas, disse.

Além de estar a trabalhar na criação da companhia e a tratar de uma sede para o grupo, está a constituir o elenco fixo e à procura com urgência, disse, de um designer para criar o logotipo e de uma produtora. Os interessados podem contactá-lo em nudartes@gmail.com.

‘Voxx’ em homenagem

O espectáculo ‘Voxx’ vai ter teatro, teatro físico, dança, música, circo e pintura, é um espectáculo de poesia bilingue, um monólogo criado e encenado por Edgard Fernandes a partir do seu poeta preferido, Herberto Helder. É um sonho amadurecido, uma homenagem a João Paulo Seara Cardoso, fundador e director do Teatro de Marionetas do Porto, onde Edgard Fernandes trabalho. Será a primeira iniciativa da NUd’artes. Antes disso, como artista independente, o actor quer dar formação.

Edgard começou no grupo de teatro O Moniz, ligado ao Liceu Jaime Moniz. Confessa que não era uma coisa que quisesse, ser actor. Concorreu na 3.ª e 4.ª edições do festival promovido pelo grupo e em ambas recebeu o prémio de Melhor Actor.

Trabalhou com o TEF e depois foi para o Porto, para o Balleteatro. Ainda durante a formação alinhou pela Visões Úteis e quando acabou o curso foi convidado para o Teatro de Marionetas do Porto. “Eu nunca estive desempregado”, contou. De 2004-2014 foi professor de voz e interpretação no Balleteatro. Desde 1998 faz dobragens, é a voz portuguesa do ‘Aladino’.

Nunca quis ir para fora. “Eu sou português”, disse, apesar de ter viajado com as Marionetas do Porto por vários países. Recentemente teve um convite para ir para o Brasil dar aulas. Mas antes de desistir da Madeira e deste projecto, que espera não ter de o fazer, vai tentar o NU.