Economia do mar na Região cresce a todo o vapor

investir em formação marítima na região é umas das ideias defendidas

25 Jan 2018 / 02:00 H.

Foram vários os sectores analisados na 8.ª edição ‘LEME - Barómetro PwC da Economia do Mar’, durante a tarde de ontem, na Universidade da Madeira. E para a Região, no geral, as notícias são animadoras. É que à excepção da atribuição de bandeiras azuis que têm vindo a cair, os números são positivos e mostram uma tendência de crescimento na economia azul da Região. Para isso, a aposta que já existe deve continuar a ser suportada - tanto pelo Governo Regional, como por privados - mas a evolução também depende de mais investimento em diversos dos subsectores da economia madeirense.

Nas palavras de Miguel Marques, partner da PwC e responsável pela área do mar, a Madeira deve, claro, dar atenção ao decréscimo de bandeiras azuis nas praias, já que é uma “ilha limpa e boa” para retomar valores de anos anteriores. Mas não só: apesar do turismo de cruzeiros ser um dos ex-libris da economia regional e uma das áreas onde a Madeira é referência internacional, merece mais atenção já que, ao analisar em retrospectiva, “está a ser difícil dar o salto maior”. O que não quer dizer que esta não seja uma das áreas mais dinâmicas e com níveis de crescimento expressivos, apesar das oscilações. Depois de uma quebra entre 2012 e 2014, o movimento de passageiros e o número de escalas aumentaram em 2015, mas voltaram a cair em 2016.

Lado a lado com o entretenimento, destacam-se os desportos náuticos. O velejador João Rodrigues subiu ao palco para dizer que o investimento numa “cultura de mar” é uma mais-valia: “Há cada vez mais jovens no mar, mas não sabemos como tirar partido dele”. E, para o atleta de alta-competição, “os eventos desportivos são uma forma mostrar ao mundo o melhor que temos. São umas portas para o mundo”. De acordo com o estudo, o índice do número de praticantes inscritos em federações desportivas tem mesmo vindo a aumentar. Actividades subaquáticas, bodyboard, surf, stand up paddle, canoagem, pesca desportiva, remo, vela, águas abertas e jet ski foram as modalidades analisadas.

Mas a análise vai, claro, mais fundo e mostra que entre 2008 e 2012, anos de instabilidade económica, as variáveis relacionadas com o transporte de contentores, transporte de mercadorias e número de navios sofreram um decréscimo. Mas, ultrapassado o pico dos anos de crise, a subida não tardou em chegar: “O comportamento dos transportes de carga na ilha tem vindo a dar sinais de alguma recuperação. De 2015 para 2016, já demonstra crescimento. É preciso que se mantenha e cresça mais no transporte de bens”, afiançou Miguel Marques.

Já em relação ao pescado e indústria de pescado, a 4.ª edição do Zoom (destacável direccionado para a Madeira, que integra o estudo) mostra que o número de embarcações da frota de pesca que descarregam peixe na região está a crescer desde 2013 e que, face a 2015, o valor de desembarque de pescado se manteve em 2016. Já o número de pescadores, que tinha sofrido uma quebra em 2012, começou a subir levemente em 2013 e assim continuou em 2016 - outro bom indicador. Apesar da evolução dos últimos anos, este é um dos sectores que enfrenta vários desafios. Entre eles, a urgência de acrescentar valor ao peixe e marisco, reforçar as práticas de captura sustentáveis, aproveitamento da potencialidade da aquacultura, desenvolver a cadeia de abastecimento dos mercados, continuar a desenvolver as condições de segurança no mar e apostar na formação marítima.

No geral, os valores são positivos. Na hotelaria e hóspedes os indicadores acolhem uma evolução positiva e na fileira alimentar (pescado e indústria de pescado), Miguel Marques sublinha que a aquacultura na Madeira tem impacto no todo nacional e deve ser um caso de estudo, mas lembra que o lema da PwC é de uma pesca sustentável.

Obras no Porto do Funchal sem retorno

Aumentar ou não o Porto do Funchal foi um dos temas que acabou por saltar para o debate - e que o DIÁRIO tentará abordar brevemente - mas para já ficam duas ideias principais: Luís Miguel Sousa, presidente do Grupo Sousa, não acredita no racional económico e explica que “esse investimento de 150 milhões (dinheiro que ainda seria necessário arranjar), não vai trazer retorno”. A ideia é suportada por Lígia Correia, presidente da APRAM - Portos da Madeira.

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