“É desejável a Madeira ter uma PET no sector público”

Hospital Privado não vai ter medicina nuclear convencional nem PET. David Caldeira reconhece a mais-valia do equipamento, mas entende que deve ser o sector público a garantir o investimento

07 Nov 2017 / 02:00 H.

Opiniões dividem-se sobre PET na Madeira

Existe a medicina nuclear convencional e a não convencional. Esta última também é conhecida por PET. Usa energias mais elevadas do que aquela e tem um potencial muito maior no diagnóstico (prévio e de seguimento) nos casos de cancro. Por exemplo, nos Estados Unidos, onde existem mais PET por milhão de habitantes, o exame é recomendado no diagnóstico do cancro do intestino, enquanto, em Portugal, ainda nem se discute essa utilização. Pelo contrário, até há informações a falarem na inconveniência dessa aplicação. Apenas se usa no seguimento.

Quanto à possibilidade de haver uma PET na Madeira, as opiniões dividem-se. Se fossem seguidos os cálculos do perito espanhol, Ignasi Carrio, os doentes da Madeira deveriam fazer pelo menos 700 exames PET por ano.

Já no quadro de referência nacional, da DGS, relativamente a exames por cada mil habitantes, em 2015 deveriam ser 3,5, em 2020 seis e em 2025 oito. Feitas as contas para a Madeira, de acordo com a DGS, em 2015 deveriam ter sido feitas cerca de 900 PET a doentes madeirenses, apontando-se para as 1.560 em 2020 e para mais de duas mil em 2025.

A Secretaria da Saúde tem defendido os números, com dezenas de anos, da ERS, mas também o presidente do Colégio de Especialidade de Medicina Nuclear da Ordem dos Médicos entende que talvez não se justifique o investimento.

“Com a Quadrantes, teremos em breve o PET-CT a funcionar da Região.” A frase é do anterior secretário regional da Saúde, João Faria Nunes, e foi proferida no parlamento madeirense no dia 14 de Abril de 2016. Um ano e meio depois, a previsão do governante não se concretizou.

Numa linha um pouco divergente, o seu sucessor, quando questionado, tem optado por dizer que não se justifica existir uma PET na Madeira, por, em termos populacionais, a Região estar muito abaixo dos rácios seguidos no País. Pouco tem importado se essas directrizes estão actuais ou não, e não estão.

O DIÁRIO quis saber se o Hospital Privado da Madeira, que está em construção em Santo Amaro, freguesia de São Martinho, vai ter um desses equipamentos que se destacam na luta contra o cancro, na parte do diagnóstico. A resposta de David Caldeira, que lidera o projecto na Região, foi peremptória”: “Não, não vamos ter”.

O gestor, conhecendo as inegáveis mais-valias do equipamento, entende ser “desejável, na Madeira, haver uma PET, mas isso compete ao sector público”.

David Caldeira explica por que razão o Hospital Privado optou por não fazer o investimento. A operação da PET é complexa, por, exemplifica, os consumíveis não poderem ser transportados nos aviões das carreiras comerciais. Além disso, a alternativa, um mini ou microciclotrão, tem um custo importante.

A outra razão está ligada ao número de habitantes. A haver uma PET na Madeira, passaríamos a ter um equipamento desses para 250 habitantes, o que corresponde ao rácio actual dos Estados Unidos, que é quem mais PET por milhão de habitantes apresenta. Na Europa, existem vários países que se aproximam desse rácio, nomeadamente, uma PET por 300 mil habitantes.

No entanto, como lembra David Caldeira, a saúde, pública ou privada numa ilha é sempre mais cara do que continente, em média. “Não há uma segunda linha”, como, por exemplo, para quem vive em Bragança, que tem PET a alguns quilómetros, noutras partes do território português.

Na Madeira, em aberto, quem precisa, vai a Lisboa. A prática demonstra que há doentes que precisam ou que, no mínimo, a quem a PET ajudaria e que não fazem esse exame.

David Caldeira lembra que o sector privado “é complementar na Saúde”, não pretendendo assumir o papel que, pelo modelo adoptado em Portugal, compete ao sector público. Mas, como faz notar, existem outros modelos. O administrador vê com atenção e bons olhos, aqueles que compatibilizam os sectores público e privado, fazendo com que cada um contribua para que o outro seja melhor.

O administrador questiona, em tom de reflexão, o que aconteceria se um grupo privado resolvesse investir numa PET e, depois, o sector público decidisse comprar uma. “Não há negócio que resista”. E, apesar do objectivo de atender os doentes bem, com conforto e rápido, os investidores privados também pretendem obter lucro, recorda.

Opiniões dividem-se sobre PET na Madeira

Existe a medicina nuclear convencional e a não convencional. Esta última também é conhecida por PET. Usa energias mais elevadas do que aquela e tem um potencial muito maior no diagnóstico (prévio e de seguimento) nos casos de cancro. Por exemplo, nos Estados Unidos, onde existem mais PET por milhão de habitantes, o exame é recomendado no diagnóstico do cancro do intestino, enquanto, em Portugal, ainda nem se discute essa utilização. Pelo contrário, até há informações a falarem na inconveniência dessa aplicação. Apenas se usa no seguimento.

Quanto à possibilidade de haver uma PET na Madeira, as opiniões dividem-se. Se fossem seguidos os cálculos do perito espanhol, Ignasi Carrio, os doentes da Madeira deveriam fazer pelo menos 700 exames PET por ano.

Já no quadro de referência nacional, da DGS, relativamente a exames por cada mil habitantes, em 2015 deveriam ser 3,5, em 2020 seis e em 2025 oito. Feitas as contas para a Madeira, de acordo com a DGS, em 2015 deveriam ter sido feitas cerca de 900 PET a doentes madeirenses, apontando-se para as 1.560 em 2020 e para mais de duas mil em 2025.

A Secretaria da Saúde tem defendido os números, com dezenas de anos, da ERS, mas também o presidente do Colégio de Especialidade de Medicina Nuclear da Ordem dos Médicos entende que talvez não se justifique o investimento.

Opiniões dividem-se sobre PET na Madeira

Existe a medicina nuclear convencional e a não convencional. Esta última também é conhecida por PET. Usa energias mais elevadas do que aquela e tem um potencial muito maior no diagnóstico (prévio e de seguimento) nos casos de cancro. Por exemplo, nos Estados Unidos, onde existem mais PET por milhão de habitantes, o exame é recomendado no diagnóstico do cancro do intestino, enquanto, em Portugal, ainda nem se discute essa utilização. Pelo contrário, até há informações a falarem na inconveniência dessa aplicação. Apenas se usa no seguimento.

Quanto à possibilidade de haver uma PET na Madeira, as opiniões dividem-se. Se fossem seguidos os cálculos do perito espanhol, Ignasi Carrio, os doentes da Madeira deveriam fazer pelo menos 700 exames PET por ano.

Já no quadro de referência nacional, da DGS, relativamente a exames por cada mil habitantes, em 2015 deveriam ser 3,5, em 2020 seis e em 2025 oito. Feitas as contas para a Madeira, de acordo com a DGS, em 2015 deveriam ter sido feitas cerca de 900 PET a doentes madeirenses, apontando-se para as 1.560 em 2020 e para mais de duas mil em 2025.

A Secretaria da Saúde tem defendido os números, com dezenas de anos, da ERS, mas também o presidente do Colégio de Especialidade de Medicina Nuclear da Ordem dos Médicos entende que talvez não se justifique o investimento.

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