Dono de bar condenado por morte em insuflável

Pena de 5 anos de prisão é suspensa. O dono do bar tem ainda de pagar 112 mil euros à família

17 Mai 2018 / 02:00 H.

Juan Gomez, o sócio-gerente do bar onde, a 15 de Maio de 2015, uma menina de 8 anos morreu num insuflável que foi arrastado pelo vento e que veio a cair no acesso à via rápida no Caniço, foi condenado, ontem, pelo tribunal de Santa Cruz, a cinco anos de prisão pelo crime de homicídio por negligência grosseira. No entanto, a pena é suspensa, porque o arguido é primário. Foi ainda condenado a pagar uma indemnização de 112 mil euros à família da vítima.

Numa longa sessão com leitura integral da sentença, o juiz António Martins considerou que o empresário de origem espanhola que explorava o bar ‘Tasca del Pepito’ actuou com “leviandade”, já que deu ordem para colocar em funcionamento o insuflável apesar do vento forte que se fazia sentir no trágico dia, que inclusivamente levou o Instituto de Meteorologia a emitir um ‘aviso amarelo’. O magistrado explicou que Juan Gomez não poderia ignorar o perigo em causa, já que durante a manhã daquele dia o vento tinha causado problemas com um insuflável de menores dimensões. Por isso, era sua obrigação desligar ou dar ordem aos seus funcionários para desligarem o equipamento.

O outro arguido no processo, o empresário de origem venezuelana Pedro Zamora, dono do insuflável cuja exploração cedeu ao bar ‘Tasca del Pepito’, foi absolvido, visto que não se provou a sua responsabilidade objectiva na morte da criança. Apesar disso, o juiz apontou falhas na sua acção, visto que importou da China um insuflável que não possuía manual nem certificado de segurança, não dispunha de licença nem fora sujeito a fiscalização ou inspecção.

Por fim, o tribunal reconheceu o brutal impacto que a morte de Leonor Rodrigues teve na vida dos seus pais e irmã. A família acompanhou o julgamento e ontem esteve na sala de audiência a ouvir a sentença.