Digital impõe novas dinâmicas

Empresários debateram os novos desafios que se colocam actualmente e reflectiram sobre que necessidades enfrenta a Região para competir a nível internacional

20 Mai 2017 / 02:00 H.

Saber qual a opinião que os clientes têm em relação a determinado serviço ou produto e ter a capacidade de se adaptar de forma rápida e eficaz às novas exigências do mercado. Estas foram duas das conclusões das intervenções que aconteceram ao longo do Dia do Empresário, que se celebrou ontem, no Centro de Congressos da Madeira, organizado pela ACIF.

A sessão de abertura deste evento, que contou com Miguel Albuquerque e Cristina Pedra, deixou um olhar crítico à educação na Região.

Se a presidente da ACIF considera crucial que se aposte no ensino do Português e da Matemática, dando também atenção ao ensino profissional, Albuquerque preferiu acrescentar ser necessária mais formação na área das tecnologias e da robótica desde o ensino primário.

Cristina Pedra assumiu que o desemprego tem vindo a diminuir, mas lembrou que “temos um desemprego estrutural pouco qualificado”. Isto é, falta qualificação àqueles que se encontram inscritos no Instituto de Emprego para que possam ser recrutados para os quadros das empresas.

Já o presidente do Governo Regional preferiu reforçar que a Região está “no rumo certo” e recusa falar num “auto-contentamento ilusório”. Aliás, o governante referiu-se mesmo a alguns dados estatísticos que dão conta da melhoria no emprego, turismo, hotelaria e outros sectores que se apresentam como cruciais para a economia regional e para o ramo empresarial.

Debate juntou empresários

‘A Evolução dos Modelos de Negócio’ foi a temática em destaque num debate que envolveu Rui Manuel Teixeira, administrador executivo do Millenium BCP; José Bernardo, presidente da PwC; Rui Miguel Nabeiro, administrador do grupo Nabeiro Delta Cafés; Pedro Abrunhosa, músico e empresário; Bernardo Trindade, presidente da Portugal In.

Pedro Abrunhosa, compositor e empresário abordou o sector musical como um negócio que, cada vez mais, tem vindo a sofrer com os constrangimentos impostos pelo digital. Os direitos de autor, que com o disco estavam protegidos, perderam a sua força quando migraram para a internet e é preciso lutar para fazer valer este trabalho. Por outro lado, ressalvou que o 25 de Abril trouxe consigo uma espécie de anseio pela excelência, que fica marcado pela avaliação que o cliente faz dos serviços e que o empresário tem que ter em conta para alcançar o sucesso.

Essa mesma ideia é partilhada por Rui Miguel Nabeiro, administrador do Grupo Nabeiro Delta Cafés, que abordou a história da implementação no mercado da Delta Q. Assim, assumiu que o não escutar os clientes fez a Delta embarcar no negócio das denominadas “pastilhas de café” quando o que se impunha eram as cápsulas. Em boa hora, aprenderam com o erro e hoje é um dos principais trunfos da marca.

Nessa senda de mudança, surge a necessidade de se adaptar de forma rápida, algo que Rui Manuel Teixeira, administrador do Millenium BCP, também defendeu. “A forma como trabalhamos temos que mudar”, frisou.

Por fim, José Bernardo, presidente da PWC, afirmou que a velocidade da mudança é enorme e é necessário estar “preparado para saber reagir, senão vamos estar condenados”. “Temos que pensar muito bem com é que vamos lidar com a inteligência artificial, o que vai acontecer com todos os trabalhadores que existem”, disse.

Enquanto presidente do Portugal In, Bernardo Trindade referiu que face à vitória do Brexit, todos os Estados-membros adaptaram-se para receber as empresas que saem do Reino Unido. Portugal sempre teve uma relação de proximidade com este país, que deve ser explorada.

“O Centro Internacional de Negócios é um instrumento de política pública que deve ser reforçado”, frisou Bernardo Trindade, referindo-se à lógica de qualificação de pessoas.