Projecto ‘Dar a Ver’ no Quinta das Cruzes

O museu recebe a terceira edição do projecto, nos dias 15 e 16 de Junho

13 Jun 2018 / 02:00 H.

O Museu Quinta das Cruzes recebe, nos próximos dias 15 e 16 de Junho, a terceira edição do projecto ‘Dar a Ver’. Uma iniciativa cultural que tem por base a divulgação do património artístico regional e a promoção da sua integração no panorama nacional e internacional.

De acordo com a secretária regional do Turismo e Cultura, Paula Cabaço, esta é uma “aposta ganha” do Governo Regional, “porque valoriza a oferta cultural e potencia o seu acesso junto de toda a população, tanto residente quanto visitante”.

Em paralelo aos trabalhos de investigação, classificação, conservação e restauro “torna-se essencial que se invista, cada vez mais, na maior divulgação e conhecimento do vasto e diversificado património que constitui a nossa identidade cultural”, sendo este um dos propósitos que se cumprem com a realização deste programa, materializado através da Direcção Regional da Cultura (Direcção de Serviços de Museus e Património Cultural), reforça a governante.

Ao longo deste ano, serão convidados vários especialistas, locais e nacionais, que abordarão, de forma mais específica ou generalista, aspectos dessa imensa diversidade cultural conservada ‘in situ’, ou já transitada para os museus, sendo que o essencial do programa será constituído por visitas guiadas e por conferências, que se irão realizar em vários locais.

A participação nestas actividades é gratuita, mas está sujeita a uma inscrição prévia, através do endereço de correio electrónico daraver.drc@gmail.com, sendo que serão limitadas (cada uma) ao número de 65 lugares sentados.

Na sexta-feira, dia 15 de Junho, realiza-se, pelas 18 horas, a conferência ‘Inscrições funerárias flamengas na ilha da Madeira: memória viva dos sepultados’, por Filipa Avellar, que é especialista nas áreas de Epigrafia e Paleografia portuguesa. Na presente comunicação, centrar-se-á no maior conjunto de inscrições funerárias provenientes da Flandres e que se encontram reunidas na Madeira. Gravadas primorosamente em lâminas de metal ou em grandes lajes de pedra azul acinzentada as inscrições que compõem este espólio epigráfico, datado do século XVI, apresentam decoração e características únicas que as remetem para um mesmo centro produtor. Ao perpetuar no tempo a memória dos seus encomendadores estes exemplares testemunham ainda as relações comerciais entre Portugal e a Flandres tornando-se num património de valor incalculável que urge dar a conhecer e preservar.

No sábado, dia 16 de Junho, pelas 11 horas, realiza-se a conferência ‘Iconografia Cristã no Oriente’, por Manuel Pires de Lima Castilho. Licenciado em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa (1969) e em Arquitectura pela Architectural Association School, em Londres (1975), nesta conferência mostrar-nos-á como estamos perante um enorme e multifacetado corpo de obras de arte produzidas em África e no Oriente. Algumas foram criadas para servir as necessidades do culto nas terras recém missionadas, outras foram produzidas para exportação tirando vantagem de materiais raros e apreciados na Europa, como a seda, o marfim, a porcelana e a laca.

Neste processo de miscenização e encontro de culturas surgem obras sincréticas, com um sabor exótico, por vezes divergentes dos cânones institucionalizados pela Igreja de Roma. Os artistas locais haviam sido criados em culturas por vezes milenares e trouxeram às suas obras, por vezes sem se aperceberem, os seus maneirismos e visão do mundo.

Outras Notícias