Desemprego não era tão baixo há 69 meses

17.681 sem trabalho em Junho de 2017. e continua a baixar, agora menos que em Outubro de 2011

17 Jul 2017 / 02:00 H.

O desemprego registado na Madeira, cujos números foram conhecidos no final da semana passada, apresentam variáveis muito mais interessantes do que à primeira vista aparentam. A começar, pelo facto de se ter atingido um número de pessoas inscritas no Instituto de Emprego da Madeira (IEM) mais baixo dos últimos 69 meses, ou seja quase seis anos. Em Junho de 2017, estavam desempregadas 17.681 pessoas.

Comparando com o mês de Outubro de 2011 (17.831), já com Portugal sujeito à austeridade da ‘troika’ com efeitos na Madeira, e a poucos meses da Região pedir, por seu lado, ajuda à República, o que levou a uma dupla austeridade com os madeirenses durante três longos e difíceis anos, que tiveram reflexos notórios no aumento exponencial do desemprego, a verdade é que as coisas, passado o período mais austero, parecem começar a melhorar com a consistência dos números.

A escalada do desemprego foi rápida e no final de Fevereiro de 2013, já havia mais 7 mil inscritos do que um ano e quatro meses antes. Desde o máximo de sempre (24.976) neste indicador, com algumas variações negativas, o desemprego registado vem diminuindo gradualmente. No entanto, só agora, passados mais de quatro anos é que se atingiu números abaixo de Outubro de 2011.

A economia da Madeira dá claros sinais de melhoria pelo menos desde 2015, mas o facto é que só em 2016 é que se começa a sentir os efeitos positivos, confirmando que a recuperação lenta dos postos de trabalho é um dos efeitos da expectativa realista e cautelosa das empresas, os principais responsáveis pela criação de emprego. Aliás, desde janeiro de 2016 até Junho de 2017 apenas um mês (Janeiro de 2017) registou um aumento de desempregados registados no IEM.

Uma consistência de melhoria que revela uma diminuição de 7.295 desempregados entre Fevereiro de 2013 e Junho deste ano. Ou seja, menos 29% em quase 4 anos e meio.

Para se perceber até onde a evolução do emprego na Madeira tem de chegar para ser um regresso à ‘normalidade’, basta fixar esta data: 24 de Julho de 2007. Foi o início da ‘crise do subprime’ nos EUA que desencadeou a actual situação económica. Faz agora 10 anos e a RAM tinha 8.316 desempregados. Para se chegar a esses valores, seria preciso recuperar mais de 9.300 empregos.

Tantas mulheres quanto homens

Embora os homens (8.941) ainda representem a maioria dos desempregados registados na Região, o quadro em baixo revela que a recuperação do emprego não beneficiou as mulheres (8.740).

Para os mais pessimistas, a diminuição de desempregados inscritos deriva da desistência, emigração e trabalho precário. Facto difícil de calcular, mas refira-se que 6 dos 11 concelhos da Região têm agora mais desempregados do que em Outubro de 2011.

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