Défice da Madeira
é a “desagradável surpresa”

Carlos César apontou o dedo ao défice da Madeira: “sete vezes mais” do que o dos Açores

15 Fev 2018 / 02:00 H.

O PS e o primeiro-ministro apontaram ontem a “desagradável surpresa” do défice orçamental da Região Autónoma da Madeira, “único governo do PSD que resta em Portugal”, comparando ao dos Açores, que é sete vezes menor.

Uma dura crítica que não mereceu, pelo menos durante o final do dia de ontem, qualquer resposta oficial da parte do Governo presidido por Miguel Albuquerque. O DIÁRIO também tentou obter um comentário através da assessoria de imprensa do vice-presidente Pedro Calado, que tem a pasta das Finanças, mas não obteve resposta. A única reacção surgiu tímida por iniciativa do deputado social-democrata, Paulo Neves.

O défice da Madeira não estava, como é óbvio na ordem dos trabalhos da Assembleia da República, mas resvalou para São Bento no final do debate quinzenal com o primeiro-ministro António Costa. O líder da bancada parlamentar socialista, Carlos César, apontou o facto de o défice da Madeira ser “sete vezes” mais alto do que o dos Açores, região governada pelo PS. A declaração fez réplica na Quinta Vigia mas ficou sem resposta.

O líder da bancada parlamentar do PS (e ex-presidente do Governo Regional dos Açores) respondia à bancada do PSD, afirmando que os social-democratas não deviam “estar preocupado com os resultados e as contas” do Governo de António Costa, mas sim com “o único governo do PSD que resta em Portugal”.

A região liderada pelo PSD, num governo presidido por Miguel Albuquerque, afirmou César, “atingiu um défice de pelo menos sete vezes mais” do que o dos Açores, e deixa “facturas para pagar”.

Na resposta, António Costa reconheceu que existe essa “desagradável surpresa” do défice madeirense e que só não terá “consequências negativas” para o país devido ao bom comportamento da Região Autónoma dos Açores e das autarquias para o défice do Sector Público Administrativo.

O “desempenho orçamental do Governo da Madeira penalizou em uma décima o défice do sector público administrativo”, mas, “felizmente a prudente execução financeira do Governo dos Açores e da maioria das autarquias locais” faz com que não existam “consequências negativas”, acrescentou.

O país, afirmou Costa, perante os sonoros protestos da bancada do PSD, “nada fica a dever” à Madeira no controlo do défice.

Para o primeiro-ministro, o PSD “não se poderá congratular com a verificação de todos os demónios que imaginou, que desejou e que não vão acontecer”, numa referência ao “diabo” que o líder social-democrata em funções, Pedro Passos Coelho, sobre eventuais problemas económicos para o país após a entrada em funções do executivo do PS.

Minutos antes, o líder parlamentar socialista havia dito que o PS aprendeu “com os desequilíbrios orçamentais do passado”.

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