De volta a casa pela porta grande

As obras de restauração estão prontas e Maria Fernandes voltou a casa

05 Fev 2018 / 02:00 H.

Depois da tempestade, eis que se abriu uma cortina de fumo em sinal de bonança. Valeu o tempo de espera, que não foi pouco, para que algumas famílias pudessem voltar aos lares que, com as chamas, se tornaram inabitáveis, pondo fim a todo um processo burocrático e moroso.

Hugo Ferreira viveu de perto o drama dos incêndios. No dia em que as chamas se abateram sobre a baixa do Funchal, e apercebendo-se do perigo eminente, Hugo não perdeu tempo e foi “de carreira” socorrer a sogra.

“Estava em casa e comecei a ver um fogo a passar do lado de São Roque para a Ribeira de João Gomes, e depois, numa fracção de minutos, já estava no Caminho das Voltas. Estava cada vez mais próximo das casas, parecia que tinha ‘molas’, a saltar de um lado para outro”, descreveu Hugo Ferreira, que não pensou “duas vezes” e foi retirar Maria Fernandes, da Vereda Ribeiro Domingos Dias, na freguesia de Santa Maria Maior.

Caracterizando o momento como “aflitivo”, Hugo e a sua mulher voltaram à casa que foi abruptamente consumida pelas chamas, por volta das 2 horas da madrugada, já com os vestígios da destruição bem visíveis. “Ela não foi hospitalizada, mas no momento em que a fomos retirar ela não queria sair. Tiramos-lhe de casa muito antes do lume chegar à habitação”, disse o genro desta idosa afectada.

A verba de reconstrução rondou os 47 mil euros, “um valor muito grande”, mas que ainda assim prova que “os apoios vão chegando”, embora “não a toda a gente”, lamentou.

Em termos de prevenção na nossa ilha, o futuro passa por “termos equipas a fazer rondas pelas nossas serras e tudo o que é a nível de poios abandonados temos de andar em cima dos proprietários”, alertou Hugo Ferreira, frisando que são nestas alturas que “o material torna-se menos importante que a nossa própria vida”.

Maria Fernandes, agora com 71 anos, não recebeu qualquer tipo de acompanhamento psicológico, mas “notou-se um desgaste emocional”.

“Ficou abatida pelo tempo que estava a demorar toda a burocracia, mas agora está a recuperar e de volta a casa”, congratulou-se Hugo Ferreira.

80 receberam ajuda psicológica

Cerca de 80 pessoas afectadas pelos incêndios de Agosto de 2016 receberam apoio psicológico nos Centros de Saúde da Região até Dezembro desse ano.

A grande maioria, entretanto, recebeu alta das consultas, no entanto, há cerca de um ano atrás, mais precisamente a Janeiro de 2017, 31 vítimas daquela ocorrência mantiveram-se sob o acompanhamento dos psicólogos do SESARAM.

Neste grupo restrito de quem viveu momentos de pânico durante esta calamidade, estavam incluídas duas crianças e dois adolescentes, sendo os restantes 27 adultos.

Ainda de acordo com os dados oficiais publicados pelo Serviço Regional de Saúde, em Setembro, Outubro e Novembro de 2016 foram referenciados quatro novos casos para a consulta psicológica, todos estes com entrada prioritária no atendimento.

De salientar que todas as 900 pessoas que foram acolhidas no RG3 na sequência dos incêndios, estas receberam apoio diário por parte dos psicólogos da Unidade de Psicologia do SESARAM.

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