De que PS precisa a Madeira?

1. De que PS precisa a Madeira?
2. O PS deve promover um acordo tipo ‘geringonça’?
3. Qual a prioridade das prioridades a nível de governo da Região?

14 Jan 2018 / 02:00 H.

Na próxima sexta-feira, 19 de Janeiro, os militantes do PS-M vão escolher o presidente do partido para os próximos dois anos. Se não houver nenhum percalço pelo caminho, será ele quem conduzirá os destinos dos socialistas às eleições legislativas regionais de 2019.

Carlos Pereira, actual presidente recandidata-se ao cargo, tendo do outro lado da barricada Emanuel Câmara, autarca que venceu por duas vezes a Câmara do Porto Moniz. A disputa interna tem extremado posições, especialmente nas redes sociais, uma vez que não deve haver nenhum debate público, por indisponibilidade de Emanuel Câmara, que é acusado pelo actual presidente de estar a ser utilizado como ‘barriga de aluguer’ de Paulo Cafôfo, a quem já prometeu o lugar cimeiro nas listas do PS-M às eleições do próximo ano. Será o autarca do Funchal, igualmente vencedor de dois actos eleitorais, o último dos quais com maioria absoluta, o homem que Emanuel Câmara quer levar à presidência do Governo.

Carlos Pereira não se conforma com o que diz ser um “assalto” ao PS-M e reclama em seu favor os resultados de estudos de opinião, que dão a sua liderança bem posicionada na disputa com o líder do PSD, Miguel Albuquerque.

E ideias para a Madeira? Para o seu futuro?

O ‘Observatório DIÁRIO’ decidiu lançar três questões a três destacados apoiantes das duas candidaturas, a cinco dias das eleições, sobre que direcção deve trilhar o partido nos próximos dois anos.

Célia Pessegueiro

Mandatária da candidatura

de Emanuel Câmara

1. Um PS com respostas para o presente e o futuro da Madeira, atento às questões que necessitam de resposta urgente dos organismos públicos como a área da saúde e as questões sociais, mas determinado em criar um rumo diferente para uma Região que se quer menos dependente economicamente do exterior.

2. A geringonça no Governo da República foi um acordo pós eleitoral, diferente daquilo que se passa, por exemplo, na Câmara do Funchal, que se apresentou com uma coligação. Mas seja qual for a solução, o PS-Madeira deve saber ler e interpretar o que esperam os eleitores madeirenses, como tão bem soube já em 2013 quando se apresentou nos vários concelhos com uma estratégia vencedora. O PS-Madeira deve deixar os complexos e manias antigas de querer ir sozinho a tudo, lutando apenas pelo melhor ‘resultadinho’. O dever de um partido como o PS é apresentar aldãos. Fê-lo muito bem, com um resultado histórico ao nível autárquico em 2013, reconfirmando esse resultado em 2017, e deverá trabalhar de forma empenhada nos próximos dois anos de forma a desenvolver uma estratégia que gere o maior consenso possível e possa ser a alternativa que os madeirenses anseiam.

3. Mudar de governo e mudar de políticas. Governar com verdade, sem promessas populistas e mentirosas. Dado este primeiro passo, é preciso rapidamente intervir na saúde. É das áreas que deve merecer a resposta mais urgente: utentes que esperam e desesperam por um cirurgia ou tratamentos, um hospital que mais parece uma miragem e profissionais de saúde cansados e sem condições adequadas para prestarem um serviço adequado. Ao nível económico é necessário pensar onde queremos estar daqui a 10, 20 ou 30 anos, que rumo se pretende seguir, se o das medidas avulsas ou se vamos começar a pensar em reduzir a dependência do exterior em áreas como a da energia e com isso acrescentar ganhos significativos na nossa frágil economia.

Carlos Jardim

Coordenador da comissão executiva de Carlos Pereira

1. O Partido Socialista tem um largo património de defesa da autonomia regional. Um conhecimento profundo das necessidades e dos desafios que enfrentamos desde o 25 de Abril.

A Madeira precisa de um Partido Socialista que congregue quadros profissionais em torno de um projecto capaz de desenvolver a região de um modo sustentado.

Um partido com uma estrutura forte, capaz de mobilizar os seus militantes em toda a região.

Foi o Partido Socialista da Madeira que iniciou o escrutínio ao governo da Região e à sua gestão financeira. Que apontou os perigos do modelo de desenvolvimento gerado.

Este trabalho duro e, muitas vezes, ingrato de investigação, análise e denúncia de um modelo financeiro que se esgotaria, desenvolvido por muitos militantes, tem a sua face mais visível no trabalho parlamentar de Carlos Pereira, com especial incidência na área financeira.

São estes militantes, com um passado de defesa da Madeira, num contexto político e social complexo, que têm de ter voz na afirmação do PS na Madeira.

Este terá de ser um partido em que os órgãos regionais têm o poder de decisão; em que estas são tomadas por todos os militantes e não por alguns. Um partido que tem a capacidade de reconhecer o contributo importante que os não militantes têm para dar ao Partido, mas compreendendo que existe um limite à sua participação, a partir do qual só podem influenciar o seu rumo, se tornando militantes.

Este será um partido forte, capaz de afirmar a sua soberania no contexto político. Uma instituição independente. Capaz de afirmar a autonomia regional no contexto nacional.

Este será o partido que dará à Madeira aquilo que mais precisamos para o nosso futuro comum: Um novo modelo de desenvolvimento económico!

2. O PS tem de se apresentar a eleições só. Poderá haver lugar a acordos pós-eleitorais, caso haja acordo com os grupos parlamentares da oposição.

3. Um plano de emergência na Saúde, para fazer face ao imediato. Este plano de curto prazo, faria face às carências operacionais imediatas e serviria para estabilizar o sector até à aplicação da reforma da Saúde.

1. A Madeira precisa de um PS que conte com todos e que tenha uma implantação local muito maior. Ao contrário do que muitos fazem crer, o problema do PS nunca foi a falta de preparação técnica ou de quadros de qualidade, como demonstra a História política do PS, da Região e do País, que contou com socialistas que foram ministros, secretários de Estado e grandes quadros políticos da Assembleia da República e Regional, para além dos nossos autarcas, que demonstram que onde o PS governa, governa melhor. Pelo contrário, o problema do PS por vezes foi não ter contado com todos, com alguns dos seus melhores quadros, ou não ter feito as melhores opções eleitorais. Essa é, de resto, a mensagem forte da candidatura de Carlos Pereira e que tem de ser rejeitada: a de que não conta com os nossos melhores quadros, como o Paulo Cafôfo, o Emanuel Câmara ou a Célia Pessegueiro, a quem já vetou qualquer papel em 2019; e a de que exclui soluções à partida. Para além disso, o PS precisa de crescer nos concelhos onde voltou a não vencer e ninguém melhor do que um autarca como o Emanuel para ajudar a fazê-lo.

2. Mais do que discutir tão precocemente o tipo de solução governativa, é importante que os madeirenses saibam três coisas: que o PS quer governar, que tem condições para governar e que sabe governar, apresentando um projecto político com pessoas e ideias que o confirmem.

3. É difícil definir uma prioridade quando a Região enfrenta tantos problemas que não viram qualquer solução pela “Renovação”. Continuamos com problemas graves na Saúde, a enfrentar enormes desafios na Educação e com grandes dificuldades do ponto de vista Social, que necessitam de outro tipo de resposta e que o PSD não tem sido capaz de dar.

Sofia Canha

Deputada e apoiante

de Carlos Pereira

1. A Madeira precisa de partidos credíveis e responsáveis e isso decorre da capacidade das estruturas partidárias escolherem os seus líderes, quadros e projectos políticos. Neste sentido, o PS-M, como partido com autonomia regional, deve ter a capacidade de transmitir confiança aos madeirenses e construir um projecto que dê respostas concretas e claras aos problemas das pessoas, centrando a sua actuação na economia e área social com respeito pelos valores autonómicos.

2. Nas anteriores legislativas regionais tivemos uma experiência de coligação pré-eleitoral que não correu bem e que relegou o PS-M na 4ª força partidária.

O PS, enquanto partido responsável, deve promover meios de boa governabilidade e encontrar as melhores soluções conforme o quadro que se apresente na certeza porém de que se deve de afirmar por si só podendo, contudo, explorar caminhos que possibilitem a constituição de uma maioria pós-eleitoral com partidos de sensibilidade política próxima.

3. A prioridade é a promoção de emprego digno e estável, combatendo a precariedade e exploração dos trabalhadores. Na Madeira, cerca de 30% da população vive no limiar da pobreza e as situações de miséria não são maiores porque há compensações sociais, tanto da Segurança Social como das autarquias. Com este quadro, é urgente actuar prioritariamente. As famílias não podem ter condições dignas e almejar um futuro melhor, se não conseguem trabalho e, por isso, tenham de emigrar. Há um ciclo de pobreza que persiste e coloca de parte do desenvolvimento uma franja da sociedade, que não encontra respostas na sua terra.

Ricardo Franco

Presidente da Câmara de Machico

e mandatário da candidatura

de Carlos Pereira

1. O PS-M tem uma importância capital para a Madeira e o Porto Santo. A nossa história enquanto partido assim o demonstra. Sempre estivemos com os madeirenses e porto-santenses, sempre fomos defensores da Autonomia e sempre apresentamos boas ideias e propostas para melhorar a governação. Neste sentido, o PS-M tem de continuar neste rumo de credibilidade e responsabilidade, de boa organização e com quadros e militantes empenhados na defesa da “coisa pública”, para que as pessoas possam confiar em nós.

2. Como é de todos sabido, em 2015, o PS-M concorreu numa coligação pré-eleitoral e os resultados não foram nada positivos. O resultado foi o pior de sempre da nossa história enquanto partido. Perdemos um deputado, passando de seis para cinco, e transformamo-nos, do ponto de vista parlamentar, na quarta força política. Deste modo e face ao crescimento sustentado que o partido tem demonstrado nos últimos dois anos e meio com o rumo e estratégia delineada pela direcção, liderada por Carlos Pereira e com o contributo de todos, consoante se viu nas eleições autárquicas, bem como nos diversos estudos de opinião publicados pela imprensa, o PS-M, está a merecer a confiança do eleitorado. Os madeirenses e porto-santenses confiam no PS-M para ser a alternativa, verdadeira e credível, estando em condições de, em 2019, vencer as eleições regionais, não sendo, se necessário, de descartar a hipótese de um acordo parlamentar pós-eleitoral

3. Antes de mais, a prioridade é inverter o ciclo negativo e recessivo que já vem dos últimos anos do jardinismo e ainda continua. Precisamos de implementar um novo paradigma político que permita romper com o passado, através de um conjunto alargado de medidas que o PS-M tem vindo nestes últimos anos a defender e que permitirão sem aumento da carga fiscal - bem pelo contrário, até a devemos diminuir para desafogar financeiramente as famílias e empresas -, mais receitas para o Orçamento Regional, mais investimento público, mais investimento privado, de forma a gerar mais riqueza, mais emprego, tendo também a Região mais capacidade para melhorar o Sistema de Saúde Regional e as políticas sociais.

Duarte Caldeira

Fundador do PS-M,

apoiante de Emanuel Câmara

1. Para responder a esta pergunta, precisaríamos de mais espaço e tempo. Contudo vamos, dentro do que nos é solicitado responder. Eu costumo definir socialismo, apenas com duas palavras: Igualdade de oportunidades para todos. Partindo desse principio e registando algumas atitudes nesse sentido, poderemos dizer que as duas câmaras municipais geridas pelos socialistas em causa, Emanuel Câmara e Paulo Cafôfo, têm seguido esse grande princípio, apoiando os mais pobres na aquisição de medicamentos, na aquisição de livros, Bolsas de estudo baixando o IMI. Estas quatro medidas, por exemplo, encaixam-se dentro da igualdade de oportunidades e muitas outras que dependem de outros, deveriam seguir o mesmo exemplo, nomeadamente no ensino e na saúde. Outra questão que poderá ser muito importante, será promover a criação das empresas, através de baixas no IRC nas freguesias mais carenciadas de emprego, especialmente as que ficam mais longe do principal centro, não só tendo a sua sede, mas também a sua actividade principal. Com estes exemplos podemos extravasar para as restantes actividades, quer sejam económicas, quer sejam culturais e como resposta concreta, precisamos de um PS que crie oportunidades idênticas para todos os madeirenses.

2. Antes de mais queria salientar que o acordo conhecido como Geringonça, aconteceu depois do acto eleitoral. Acho que todas as portas devem estar abertas para destronarmos na Quinta Vigia o partido que governa há mais de 40 anos a Madeira. Acho que merecemos uma oportunidade para governarmos a Madeira, tal como nos deram em alguns concelhos da Região, cujos resultados foram bem aceites pela população, dando uma maior votação onde o PS governou, quer só, quer em coligação, apesar de ter diminuído fortemente as dividas deixadas pelas governações anteriores pertencentes a outro partido. Sou defensor das coligações pré-eleitorais, quando está em causa vencer e nunca para aumentar uns pontitos sem hipóteses de chegar à maioria. No passado o PS/M fez várias coligações e nunca atingiu as maiorias pretendidas. Mais recentemente tem atingido os seus objectivos, quer só, quer em coligação, com excepção para os concelhos onde foram recusadas as ditas coligações, conduzindo o PS/M para os piores resultados de sempre, como Santa Cruz, São Vicente, Santana e Ribeira Brava, demonstrando uma péssima estratégia da actual direcção do partido. Analisando o que se passou nestes últimos 4 anos, percebemos que a população de onde o PS foi governo (Camaras Municipais e Juntas de Freguesia) confia plenamente em nós e assim sendo temos que saber aproveitar esta situação. A questão da coligação ser pré ou pós eleitoral, deve ser debatida no interior do partido, depois da realização do próximo congresso, limitando-se este a deixar, como já o disse anteriormente, a porta aberta para quaisquer das situações.

3. Pergunta e bem, qual a prioridade das prioridades, porque poderemos dizer que tudo é prioritário, tal é a situação em que a Madeira se encontra, em que tudo é prioritário. Há muito para fazer e também há muita dívida para pagar.

Olhando à nossa volta, concluímos que, na minha opinião, a primeira prioridade deve ser a de um bom entendimento com Governo da República. Sem isso nada feito. Uma vez isso resolvido, entendo que a principal prioridade deve ser o maior bem que qualquer pessoa deseja ter: a saúde, para que não seja preciso ter dinheiro para recorrer a ela, como actualmente acontece e já acontecia no tempo de Salazar em que a pessoa para ser operada tinha que vender um bocadinho de terra....As coisas mudaram, há direitos que as pessoas têm, que não tinham, mas não podem beneficiar deles, porque outros não cumprem com os seus deveres....A tal igualdade a que me referi na primeira pergunta, não funciona, pois os ricos podem ser operados nas clinicas privadas e os mais pobres tem que esperar muitos anos nas intermináveis listas de espera do Hospital Central da Madeira. Fico-me por aqui, pois há, também uma lista interminável de prioridades e para não correr o risco de me esquecer de alguma é melhor nem tentar mencioná-las todas...

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