A ‘manta’ é demasiado curta

Lisboa /
08 Jan 2018 / 02:00 H.

O Marítimo terminou a primeira volta do campeonato da pior forma possível, sofrendo uma goleada das ‘antigas’, em Alvalade, que desmontou aquela que era uma das defesas mais seguras da I Liga.

A história do jogo poderia ter sido totalmente diferente se Diney tivesse marcado o primeiro golo da noite, aos 18 minutos, quando surgiu isolado na ‘cara’ de Rui Patrício, mas o cabeceamento saiu por cima.

Três minutos depois, com outra classe, Bas Dost, a passe de Gelson, perante uma defesa muito permeável, a que não é alheia a ausência de Zainadine, fez o tento inaugural.

Na primeira situação de golo o Sporting não falhou e o Marítimo ficou numa posição desconfortável, onde não gosta nem sabe estar.

Ainda assim, a ‘manta’ que protege do frio a defesa mas deixa o ataque a ‘tremer’, porque não estica, nem é suficientemente grande, permitiu ao Marítimo continuar a sonhar com um resultado positivo, até mesmo com os 30 pontos, que seriam um recorde para as cores verde-rubras no final de uma primeira volta de campeonato.

Com a equipa ‘encolhidinha’ e tímida em termos ofensivos, a turma insular aguentou-se até ao intervalo.

O início de jogo foi prometedor, com William Carvalho a falhar de cabeça o segundo golo, atirando por cima, e Fabrício Baiano a proporcionar defesa apertada de Rui Patrício para canto - na sequência Dráusio atirou fraco de cabeça à figura do guarda-redes do Sporting.

Nisto, Fábio Pacheco tentou um corte acrobático e a bola foi parar os pés de Bruno Fernandes, que isolou Bryan Ruiz, que marcou o segundo.

O Marítimo sentiu o ‘golpe’ mas animicamente ainda se manteve em campo, mesmo sem que Daniel Ramos, tantas vezes aqui ‘aplaudido’, tivesse feito uma única alteração, que tanto se exigia, atendendo às necessidades e fragilidades.

Faltavam opções na frente, mais homens para o ataque, que apenas chegaram quando o Sporting fez o terceiro, ‘gelando’ ainda mais a noite dos madeirenses, depois de Gamboa ter assustado Rui Patrício com um remate que passou ao lado (60 minutos).

Com três golos na ‘bagagem’, Daniel Ramos ficou em campo com um conjunto resignado, abatido e sedento que o jogo chegasse ao fim. Algo que o Sporting não queria, porque corria-lhe tudo de feição, nesta fase com muito mérito, faça-se justiça. A pressão dos leões, sobretudo dos defesas, resultava em cheio e, sem surpresa, o Sporting chegou ao quarto golo, novamente por Bas Dost, que fez o ‘hat-trick’ da noite.

Faltavam ainda 12 penosos minutos para o fim, mais a compensação, fase em que a baliza de Charles continuou a ser atacada, acabando violentada uma última vez, perante o descrédito de uma defesa que se apresentou em Alvalade sem um verdadeiro líder.

O Marítimo que havia sofrido apenas 15 golos em 16 jogos para a I Liga, numa só noite (de horrores) sofreu cinco vezes. Ainda assim, os problemas principais da equipa não são a defesa, porque aí tem soluções, como Zainadine, Pablo ou Fábio China, que não foram opção ontem por várias razões. A ‘manta’ está curta é lá na frente, porque as soluções existentes não são, evidentemente, credíveis.

Para resolver a equação, o Marítimo já assegurou a contratação de Joel Tagueu Tadjo, avançado brasileiro, de 24 anos, de origem camaronesa, anunciado como o primeiro reforço de Inverno para Daniel Ramos, que ainda não chegou à Madeira.

Mas é notório que será necessária mais uma ou outra solução, para que seja possível sonhar com mais 27 pontos na segunda volta, que estão bem acima da realidade.

Melhor em Campo

Fabrício
5

Estreia positiva a titular, o que já era aguardado há muito tempo mas, insistentemente, travado por Daniel Ramos. O que fez justifica mais oportunidades. É no mínimo obrigatório.