Confusão nas visitas facilita entrada de droga na cadeia

Seis guardas prisionais controlam 4 salas onde chegam a estar 30 visitantes

19 Mai 2017 / 02:00 H.

    “É uma azáfama”, com seis guardas prisionais a estarem responsáveis por quatro salas (parlatórios) onde chegam a estar 30 visitantes ao mesmo tempo, incluindo crianças. Foi desta forma que uma guarda prisional sintetizou ontem, na Instância Central da Comarca da Madeira, o ambiente que se vive no momento das visitas de familiares de reclusos no Estabelecimento Prisional da Cancela, o qual é favorável a quem pretende introduzir droga ou outros artigos proibidos na cadeia.

    O desabafo foi feito no decorrer do julgamento de dez arguidos acusados de, entre Agosto de 2015 e Maio de 2016, introduzirem e traficarem droga na Cancela. Supostamente o produto estupefaciente era encomendado por telemóvel, que os reclusos tinham encondido nas celas, chegava à prisão escondido na vagina das companheiras e era entregue na hora das visitas.

    Notou-se alguma cautela nos relatos das várias guardas prisionais chamadas a testemunhar ontem perante o colectivo de juízes presidido por Carla Meneses. No entanto, estas profissionais admitiram que a forma como a lei condiciona os procedimentos de revista dos visitantes limita a eficácia do controlo de entrada de produtos ou objectos não permitidos. A possibilidade destas irem às casas de banho durante os períodos de visita e regressarem ao parlatório sem serem revistadas também não favorece tal controlo.