Com o corpo cá e a alma em Pedrógão Grande

Carla Oliveira tem primos e tios na zona e conta como a manhã de ontem foi de aflição

19 Jun 2017 / 02:00 H.

Com grande aflição e muitas interrogações, Carla Oliveira seguiu no sábado à noite e durante o dia de ontem o desenrolar do combate ao incêndio que atingiu de forma trágica Pedrógão Grande, provocando dezenas de mortos e outras tantas dezenas de feridos. Esta assistente social, a viver na Madeira há vários anos, tem primos e tios em Pedrógão Pequeno e em Pedrógão Grande e foi com grande apreensão que viu o número de vítimas aumentar, impotente.

Ontem pela manhã conseguiu contactar com a família. Na noite de sábado foi impossível e mesmo já no domingo voltou a sentir dificuldades. Os telefones fixos não estavam a funcionar, os móveis também estavam condicionados e algumas populações estavam sem luz e consequentemente sem televisão. “Eles não têm electricidade, não têm Internet, não têm televisão. Eles próprios nem sabiam muito bem o que é que se estava a passar, nem o número de mortos”, contou a mulher do conhecido fotógrafo Miguel Moniz.

Um dos primos esteve durante toda a madrugada de domingo a ajudar e conseguiu salvar a casa do pai e ainda retirou os animais da quinta. Ontem não tinha conhecimento de que os meus familiares tivessem sofrido perdas. “De manhã, quando consegui ligar, ele tinha ido a casa, tinha ido buscar umas coisas e ia regressar para continuar a ajudar”, contou.

No meio do combate, há alguma incerteza que reina e falta informação sobre as pessoas. A assistente social tomou conhecimento do incêndio no sábado à noite, quando já estavam contabilizados 19 mortos, 16 carbonizados dentro dos carros. “Ontem à noite [sábado] não consegui contactar com eles. Hoje de manhã [ontem] é que consegui. Quando liguei a televisão vi que já eram 40 e tal mortos, comecei a tentar telefonar para todos os números de telefone e para a minha família”. “É horrível. E depois também temos bem presente o incêndio do ano passado aqui no Funchal”, confessou esta funcionária da Sociohabitafunchal.

Ainda no ano passado o casal este esteve na zona, de férias. Vai lá regularmente visitar a família. “Não tenho palavras. Aquilo é uma zona lindíssima, lindíssima mesmo. Todos os anos há fogos, há incêndios, mas este ano... (...) Foi de mais”, desabafou.

Este ano a preocupação foi em sentido contrário. Em 2016 os telefonemas vieram do continente para saberem se Carla Oliveira e Miguel Moniz estavam bem. Não esperava estar este ano a trocar de lugar.

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