Cidadania viva para dar novo rumo a Câmara de Lobos

17 Jul 2017 / 02:00 H.

O que o levou a aceitar ser candidato pelo BE a Câmara de Lobos? Sou candidato independente apoiado pelo Bloco de Esquerda. Aceitei este desafio porque quero fazer mais e melhor por um povo que gosto tanto, que é o povo camara-lobense. Porque vejo que há muita coisa que está mal.

O que está mal e precisa ser mudado? Acho que todos os camara-lobenses esperam mais dos seus representantes e actores políticos. Precisam, de uma vez por todas, dar um grito conjunto contra a monotonia política de concelhia, assentem maiorias consecutivas, que nos vão tirando democracia e bases para o desenvolvimento que tarda. Além disso, as populações das zonas altas do concelho estão votadas ao esquecimento e exclusão. Esta candidatura tem como prioridades as áreas sociais, tendo sempre como alvo o desenvolvimento do território e o bem de todos os que cá residem.

O facto de existirem muitos bairros sociais em Câmara de Lobos deve merecer a atenção da autarquia? Sim, deve. A minha candidatura é estruturada em medidas sociais, ambientais e económicas. Em termos de medidas sociais o que nós pretendemos aquilo que nós chamamos de cidadania viva. É necessário uma maior participação da população na vida política do concelho. Temos que fazer mais e melhor. É necessário mudar, pois o poder político promove pouco a participação dos cidadãos e cidadãs na coisa pública, nos assuntos que são do interesse de todos. Quanto a nós é possível por em prática esta cidadania activa, quer através da participação em sondagens, onde a população é chamada a tomar uma posição em relação a determinado assunto, quer através do denominado Orçamento Participativo, onde um determinado montante é destinado a ser investido em iniciativas votadas pela população de todo o concelho.

Se tivesse havido o cuidado de ouvir a população, por parte do Governo Regional e do executivo camarário actual, o pagamento para se visitar um local que fica dentro da freguesia, que é património de todos, como é o caso do Cabo Girão, provavelmente ouviria um ‘não redondo’ de todos. (...) Cabe aos políticos a incentivar a participação da população na coisa pública.

É professor e por isso tem contacto com uma faixa etária muito jovem. Eles têm noção dessa necessidade? É necessário a todos os intervenientes na sociedade alertarem por uma vida política activa, dando a conhecer direitos e deveres dos cidadãos. Em democracia o povo é quem ordena. A abstenção eleitoral quer dizer alguma coisa e nós não podemos fechar os olhos a isso.

Além de trazer a pessoa para a vida activa em sociedade, que outros desafios se impõe a um autarca? Falta muita coisa. Câmara de Lobos é um concelho com uma população que podia ser mais feliz, que sofre com dificuldades económicas, que têm que ser apoiados. No entanto, para isso é preciso fornecer os meios para que tudo corra bem. ‘Não dês o peixe, mas ensina a pescar’, diria, através da educação e formação desses jovens. O combate à discriminação e exclusão social é uma das bandeiras da minha candidatura. Por outro lado, não podemos esquecer que a violência doméstica é uma realidade, é um flagelo deste concelho que urge combater.

Além disso, queremos a redução das desigualdades a nível de concelho e comparativamente a outros concelhos. Neste caso falamos do acesso a bens e serviços essenciais, onde se inclui, por exemplo, a melhoria do Centro de Saúde do Estreito, mais apoio domiciliário a idosos e mais médicos de família.

Quanto à educação é crucial combater o insucesso escolar, conceder bolsas de estudo também para alunos do secundário e ensino superior e dar formação a desempregados, principalmente jovens, para que possam encontrar um posto de trabalho.

O saneamento básico deve chegar de igual forma a todas as freguesias do concelho, bem como os transportes públicos.

Por fim, queremos um meio ambiente mais limpo e saudável para todos, sendo que para isso é necessário mais espaços verdes de lazer e uma aposta nas energias renováveis.

Como descreve a equipa que o vai acompanhar nesta candidatura? É uma equipa que se encontra empenhada. Este será um trabalho de equipa, apesar de cada um ter a sua voz, que é um contributo democrático, mas se não fosse assim também não estaria aqui. Estamos sempre a aprender e abertos a sugestões e reajustamentos. Para mim é um desafio novo, mas estou com energia e vontade. Sei que não vai ser fácil, mas tudo o que consegui fui eu que construí.

Tendo em conta os resultados que têm sido alcançados e, tal como referiu, a ‘supremacia’ de um partido, e o facto do BE ter ficado ‘de fora’ das últimas eleições no concelho, qual seria resultado ideal? O ideal é o povo que vai ditar. O povo é quem manda e quem vai escolher. Aquilo que posso dizer é o ideal para mim. Claro que temos ambição, o partido está a crescer. É um partido que, como disse, nas últimas legislativas não teve grandes resultados, mas está a crescer. Crescer de uma forma sólida, firme, bem sustentada e acredito que a curto/médio prazo vai fazer a mudança. É necessário a mudança.

Que outras temáticas estarão na ordem do dia para si? As carências nas acessibilidades têm que ser colmatadas para que a mobilidade concelhia seja uma realidade, contando também com o reajuste do preço cobrado nos transporte públicos. As zonas florestais também merecem ser limpas e ordenadas para que possam ser uma herança para as gerações futuras.

Num concelho com grande expressão do sector primário, que falta fazer? Nos casos da agricultura e pescas, que ainda servem de sustento a muitas famílias, resta mais apoio e redução de taxas. A inércia e ausência de apoios está a dificultar o trabalho daqueles que se dedicam a este sector. Ao longo dos últimos 40 anos nada foi feito e os caminhos agrícolas continuam a não ser uma realidade.

Não bastam festas para promover os produtos locais. É preciso fazer mais, sendo que se pode recorrer a ajudas de custos e mais benefícios para estes produtores. A existência de cursos profissionais ligados aos sectores da pesca e agricultura seriam uma mais-valia.