“Chegámos tarde ao combate às demências”

Casa de Saúde S. João de Deus organizou as suas VIII Jornadas de Saúde Mental

08 Out 2017 / 02:00 H.

Portugal, a par de outros países europeus, não está preparado para a torrente de demências que estão a surgir em resultado do envelhecimento da população e nas próximas décadas terá de fazer uma corrida para conseguir um diagnóstico mais precoce de doenças como o Alzheimer e adaptar os seus serviços de saúde a esta realidade. Eis a ideia geral que o médico psiquiatra João Luís Freitas deixou ontem nas VIII Jornadas de Saúde Mental e Psiquiatria da Casa de Saúde S. João de Deus.

“Chegámos tarde ao combate [às demências]”, não só Portugal como a maioria dos países europeus, referiu o especialista, que explicou que a doença de Alzheimer, apesar de ser conhecida há mais de cem anos, era menosprezada até há poucas décadas. Agora, com o envelhecimento da população, as demências e perturbações neurocognitivas são cada vez mais frequentes (afectam 24% da população com mais de 85 anos e 50% com mais de 90 anos). João Luís Freitas considera que a “escalada de prevalência epidemiológica das demências ou perturbações neurocognitivas” traz consigo um grande desafio, que é saber “como é que as sociedades vão conseguir criar riqueza para fazer face a esta problemática, mantendo alguma qualidade nos cuidados”.

Algumas das soluções e caminhos que podem ser aproveitados foram traçados por outros participantes nestas Jornadas de Saúde Mental. Wilson Abreu, da Escola Superior de Enfermagem do Porto, apontou os bons exemplos da Escócia e Finlândia, onde a própria religiosidade dos doentes é tida em conta nas instituições. Já Sergi Bermúdez i Badia, da Universidade da Madeira, mostrou como as novas tecnologias podem ajudar a recuperar doentes de AVC e podem ser colocadas ao serviço de pessoas com demência.

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