Centenas de consultas canceladas no Porto Moniz

Serviço está suspenso há alguns meses gerando protestos

06 Dez 2017 / 02:00 H.

O serviço de medicina dentária no Centro de Saúde do Porto Moniz está a acumular desde Setembro cancelamentos diários por via da sua inoperacionalidade. Apesar da tutela não divulgar o número, fonte conhecedora deste constrangimento na unidade do Norte da Região, afiança que neste momento são mais de 400 consultas que estarão no ‘prego’ de utentes residentes no concelho do Porto Moniz e de São Vicente.

É fazendo uma média semanal desde que foi suspenso (Setembro) até à data que as contas facilmente derrapam para a casa das centenas de atendimentos que foram suprimidos.

O DIÁRIO questionou o SESARAM mas o serviço regional de saúde preferiu enaltecer a política e recordar o número de atendimentos (4.947) desencadeado nos vários concelhos na valência de higiene oral e 17.240 em medicina dentária, passando por cima da questão formalizada pelo nosso jornal.

Não sendo um serviço que coloque o utente entre a vida e a morte, reconhece quem denúncia o problema ao DIÁRIO, que a Câmara Municipal do Porto Moniz ofereceu uma cadeira para que este serviço ficasse disponível e garantisse celeridade e eficácia nos respectivos tratamentos, todavia até neste capítulo a secretaria regional da Saúde e o próprio SESARAM terão falhado ao não aproveitar o equipamento, observa.

Autarca ‘dispara’

Questionado, o presidente da Câmara do Porto Moniz sai em defesa da população, recordando a atribuição graciosa que o município fez em Setembro, disponibilizando uma cadeira moderna que, sublinha, “custou mais de 30 mil euros”, para que o serviço de medicina dentária ficasse operacional.

Surpresa das surpresas, frisa, “foi ter visto ser retirado uma peça do equipamento para fosse colocado noutro para funcionasse deixando inoperacional o serviço no seu concelho”.

Como forma de dar conta do seu desagrado, Emanuel Câmara refere ter solicitado “há mais de um mês” uma audiência ao secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, para que lhe pudesse transmitir todo o sentimento que lhe vai na alma e toda a apreensão desta inactividade: “Disseram-me que por dificuldades de agenda não é possível receber-me”, observa o autarca socialista que não poupa críticas ao governo social-democrata.

“Está na hora dos madeirenses perceberem que este governo está no fim da linha”, acentua com ainda mais desagrado, aproveitando, de seguida, para lamentar que o serviço de fisioterapia da freguesia do Seixal está parado. “A técnica que prestava este serviço meteu baixa e, em vez de a substituir, preferiram suspender os tratamentos”, manifesta.

Em resposta o SESARAM tenta minimizar a polémica, salientando que em virtude de ter sido doada o equipamento “está a ser ultimado o protocolo de cedência”, pelo que, “após formalização desta doação, o SESARAM terá legitimidade para proceder à ligação da cadeira aos restantes equipamentos necessários ao seu funcionamento”.

São Vicente inoperacional

Se existem queixas no Porto Moniz, em São Vicente o desagrado não é menor. Tudo porque já viram o secretário regional da Saúde no serviço de medicina dentária, mas a valência tarda em entrar em funcionamento. A explicação é que “a cadeira de medicina dentária, doada ao Centro de Saúde de São Vicente, está a ser alvo de avaliação e de adaptação ao novo espaço”.

De resto, desmente que tivessem sido canceladas consultas de Medicina Física e de Reabilitação no Centro de Saúde do Seixal. “Uma baixa na área da Medicina Física e de Reabilitação neste Centro de Saúde motivou alguns reajustamentos, nomeadamente a transferência das Consultas de Medicina Física e de Reabilitação para o Centro de Saúde de São Vicente” e “todos os utentes com agendamento de consultas foram informados e têm continuado as suas sessões em São Vicente”.

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