Carros de bois poderão reaparecer em Santana

Como circuito turístico na zona do Pico das Pedras. A inspiração é do presidente da AICA

02 Dez 2016 / 02:00 H.

Se for um(a) ‘cota’ provavelmente ainda se lembrará dos típicos carros de bois que até o final dos anos 70 do século passado circulavam na Avenida do Mar. Agora que já se passaram mais de três décadas e meia que os emblemáticos ‘carros sem rodas’, construídos em vime e madeira e puxados por dois bois guiados pelo boieiro (homem vestido de branco, com botas chãs e chapéu de palha), caíram em desuso e desapareceram, poderão estar de volta. A acontecer não já não será na frente-mar do Funchal, para não empatar o trânsito nem ‘perfumar’ a cidade, mas poderá vir a acontecer em Santana. Esta é pelo menos a ideia defendida pelo responsável pela Associação de Investigação Científica do Atlântico (AICA), que sugere o regresso dos carros de bois para fins turísticos. João Lemos fez a proposta em jeito de reflexão durante a palestra sobre Ecoturismo, realizada na Escola Básica e Secundária Bispo D. Manuel Ferreira Cabral.

Um circuito de carros de bois e um centro hípico, ambos no Pico das Pedras, e uma pista de ciclismo até as Queimadas, foram algumas das muitas sugestões deixadas pelo presidente da AICA, durante a palestra onde abordou conceitos, dimensões, objectivos e princípios do ecoturismo, perfil do ecoturista, actividades aliadas ao ecoturismo e ecoturismo em Santana. Os carros de bois que internacionalmente popularizaram o Funchal a partir de meados do século XIX até a sua extinção, no início da década de 80 do século passado, é apontada como uma actividade que poderia contribuir para diversificar a oferta turística.

João Lemos aponta o Pico das Pedras, em Santana, como o local ideal para o reaparecimento das ‘corsas’ adaptadas para o transporte de passageiros. Além de um circuito para os carros de bois, defendeu para a mesma zona a construção de um centro de hipismo e circuitos turísticos relacionados com o mesmo. “Criar uma pista de ciclismo integrada nos circuitos de natureza entre o Pico das Pedras e as Queimadas”, foi outra das propostas. Assim como a criação de três parques ecológicos”, distribuídos pela Fajã da Nogueira, Pico das Pedras e freguesia da Ilha.

Doutorado em Turismo, com Mestrado em Inovação e Políticas de Desenvolvimento e licenciado em Geografia, João Lemos sugeriu ainda e entre outras, que se estude “os locais mais adequados para construir plataformas para asa delta e parapente”, que se faça a “promoção específica dos percursos pedestres”, e que se crie “uma marca sobre os trails da Madeira”.

Deixou também um recado ao Governo Regional: “Deveria dispor de uma estratégia específica para o Ecoturismo em toda a Região e uma política de consciencialização ambiental para todos os visitantes dos lugares onde ocorrem as actividades ligadas à Natureza”.

Além das propostas concretas, o orador abordou os conceitos, as dimensões e os princípios do ecoturismo. Elucidou ainda o perfil do ecoturista, como tendo “um elevado nível educacional, cultural e financeiro”, e que no contacto com a Natureza “prefere um serviço personalizado e com selo de qualidade”, sendo que geralmente “tem algum conhecimento prévio sobre o destino, os recursos a visitar e as possíveis actividades a realizar” e regra geral “encontra-se nos grupos etários dos 25 a 40 anos”, concluiu.