Carlos Pereira defende

Benfica, FC Porto, Sporting e direcção da Liga ficam de fora desta discussão

10 Nov 2017 / 02:00 H.

Carlos Pereira sugere que os clubes médio/pequenos da Liga se reunam em grupo para reflectir sobre o estado actual do futebol português. “Mas sugiro uma reunião sem os clubes que estão na direcção da Liga, sem o presidente da Liga e sem a estrutura deste órgão”, refere desde logo.

O presidente do Marítimo considera que, deste modo, “será possível discutir a actual situação do futebol português e a forma de fazer crescer os mais pequenos para um nível médio, de molde a não continuarem a ser os parentes pobres do futebol português” sustenta.

O dirigente maritimista, o segundo presidente há mais tempo a dirigir uma colectividade, admite que “a Liga atravessa um momento difícil e as pessoas têm tido pouca paciência para estudar as razões deste momento de instabilidade que se vive no futebol português”.

“Acho que a culpa é também de muitos clubes que têm assento na direcção, nas assembleias da Liga. Há muito que o Marítimo não participa nessas assembleias da Liga por discordância em relação ao modo como tem sido feita a defesa do futebol português”, prossegue.

Carlos Pereira assegura que o Marítimo tem dado muitas sugestões no âmbito das assembleias gerais. “Em tudo o que se trata de regulamentação, orçamentos e custos da própria Liga que, até em comparação com o que acontece na Federação Portuguesa de Futebol, é um autêntico descalabro, pese embora reconheça que, fruto do que têm sido as nossas reivindicações, tenha havido alguma melhoria”.

Daí que o dirigente maritimista considere que a Liga e o futebol português só ficariam a ganhar “se os clubes que estão fora da direcção da Liga tivessem a coragem de reunir-se”.

“E fora da Liga para pensar seriamente o futebol português e não o interesse individual de cada clube. O negócio do futebol é o negócio de todos”, avança.

Carlos Pereira discorda claramente que se tenha solicitado a intervenção governamental para a resolver os problemas do futebol português. “Nós somos pessoas idóneas, experientes, muitas delas com muitos anos de causa pública ao futebol. Acho que poderíamos dar um contributo muito grande desde que as pessoas estejam com o espírito de defender o futebol português”, explica com convicção.

O presidente do Marítimo acha perfeitamente possível acontecer essa discussão, tal como a delineia. “É claramente prejudicial para o futebol português estarem os três clubes grandes na direcção da Liga pois cada um defende o seu interesse e não o interesse de todos. Penso que deveria ser tudo reformulado. Os interesses dos três grandes não são os interesses dos clubes médios e médios baixos”, justifica o dirigente.

Carlos Pereira revela ter já apresentado todas estas ideias ao presidente da Liga. “Pedro Proença não tido força para alterar este estado de coisas. Há um choque permanente entre os presidentes da Liga, da FPF, da Comissão de Arbitragem e da APAF”, acentua.

Carlos Pereira mostra-se ainda preocupado com a fraca sustentabilidade da Liga e na forma como “vai empurrando com a barriga os problemas que deveriam ser resolvidos já”.

“A Liga tem cada vez menos poder, mesmo que este órgão apresente alguma prepotência e insatisfação na sua organização interna. E isso é que me preocupa em nome do futebol português e não em nome do Marítimo”, conclui.

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