Abril na primeira pessoa

Militares da coluna de Salgueiro Maia reúnem-se na Madeira

22 Abr 2017 / 02:00 H.

Eles estavam lá, dentro de blindados, em camiões, com espingardas G-3, a enfrentar uma força superior. E num momento, como recorda António Gonçalves, tudo poderia ter acabado. Se o cabo Costa tivesse disparado a peço do seu carro de combate M47 sobre a pequena Panhard do furriel madeirense, talvez a Revolução dos Cravos nem tivesse esse nome.

São estas memórias que a exposição ‘Os Rapazes dos Tanques’, que mostra fotos do livro com o mesmo nome, que foi inaugurada, ontem, no átrio da Câmara Municipal do Funchal e faz parte das comemorações do 43º aniversário da Revolução de 25 de Abril de 1974.

O presidente da Câmara Municipal do Funchal e alguns dos antigos militares que integraram a coluna de Salgueiro Maia, a 25 de Abril de 1974, inauguraram a exposição, o primeiro momento de um programa que inclui a apresentação do livro, do fotógrafo Alfredo Cunha e do jornalista Adelino Gomes e conferências em diversas escolas.

‘Os Rapazes dos Tanques’ mostra os jovens militares que saíram da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém e foram os principais protagonistas da revolução que acabou com uma ditadura de 48 anos.

No livro, além de muitas fotos, são apresentados relatos dos homens da coluna do capitão Salgueiro Maia - há uma entrevista com a viúva do militar -, mas também dos que estiveram do outro lado, nas forças que defendiam o regime. Entre eles o alferes Sottomayor, que se recusou a obedecer a uma ordem do brigadeiro Junqueira dos Reis para disparar sobre os revoltosos e o cabo Costa, que se fechou dentro de um blindado e recusou fazer tiro sobre as viaturas de Salgueiro Maia.

António Gonçalves é responsável por trazer para a Madeira este encontro que, anualmente, reúne os homens que há 43 anos tiveram um papel decisivo na Revolução.

“É uma emoção muito grande e que já não esperava. Já se passaram 43 anos e nunca a Madeira tinha feito nada disto. Felizmente, amanhã (hoje) é com uma alegria imensa que vou receber os camaradas que vêm do continente”, diz o antigo furriel.

António Gonçalves esteve na linha da frente quando a coluna foi cercada por forças do Regimento de Cavalaria 7 e recorda que foi um acto de coragem de um militar que estava do outro lado - estará hoje na Madeira - que permitiu que a Revolução não tivesse mortes a registar.

“Recordo toda a operação, mas o que foi mais alegre foi a nossa saída do Terreiro do Paço para o Quartel do Carmo. Foi em apoteose, os carros apinhados de pessoas. O Povo foi muito importante na nossa vitória”, afirma.

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