Cafôfo desafiado a dizer se fica na CMF até ao fim

Rubina Leal acusa Paulo Cafôfo de sacrificar compromissos à “ambição pessoal”

30 Dez 2017 / 02:00 H.

Paulo Cafôfo garantiu, em entrevista ao DIÁRIO, antes das eleições autárquicas, que iria cumprir o mandato para que fosse eleito e que ainda tinha muito a fazer na Câmara Municipal do Funchal. Logo após o acto eleitoral em que renovou a maioria no município, foi apresentado como o candidato de Emanuel Câmara a presidente do Governo Regional, em 2019, se o autarca do Porto Moniz conseguir ser eleito líder do PS-Madeira, a 19 de Janeiro.

Cafôfo tem acompanhado Emanuel Câmara nos contactos com os militantes socialistas, num sinal claro de que apoia a estratégia do candidato a líder. É esta situação que Rubina Leal quer ver esclarecida “de uma vez por todas”.

A vereadora social-democrata, que perdeu as eleições para Cafôfo em Outubro, lembra que o autarquia se prepara para aprovar projectos e documentos com implicações pluri-anuais, alguns que só serão concretizados nos últimos anos de um mandato que se prolonga até 2021.

“Foram aprovados, na reunião de vereação, documentos fundamentais para a cidade do Funchal. Foi discutida a questão das bolsas aos estudantes, da polícia municipal, da ETAR. Projectos fundamentais para a cidade e que nem sequer serão executados no próximo ano. Tivemos outro documento que foi levado à reunião de câmara, o Plano Director Municipal. Um instrumento fundamental para a cidade do Funchal”, explica.

Um pacote de medidas e documentos que justifica a pergunta sobre qual a intenção de Paulo Cafôfo.

“Chegados a 29 de Dezembro, com declarações feitas ao Diário de Notícias, a 16 de Setembro, em que o senhor presidente da câmara diz que se está a candidatar para cumprir o mandato até ao fim e que está focado na sua missão na autarquia ainda tem muito para fazer, ainda não ouvi o seu compromisso com a população do Funchal”, afirma.

Rubina Leal considera grave que Cafôfo continue a evitar dar explicações sobre esta matéria.

“Este presidente da câmara continua numa maré de aparências, não responde à população sempre que é questionado sobre se irá manter-se, ou não, durante os quatro anos nesta cidade. Até se recusa a ir à Assembleia Legislativa explicar o que aconteceu no Monte”, acusa.

A vereadora social-democrata acusa o presidente da CMF de continuar a promover uma estratégia pessoal que poderá colidir com os interesses da autarquia.

“Continuamos a ter um presidente de câmara para quem a ambição pessoal é superior aos interesses e aos compromissos com a cidade do Funchal. Isto é importante que seja assumido, de uma vez por todas e que a população perceba se este presidente de câmara está comprometido com os projectos que aí vêm”, desafia.

Rubina Leal não compreende como é possível que Paulo Cafôfo tenha prometido, antes das eleições, que ficava até ao final do mandato e, pouco tempo depois do acto eleitoral, integrar uma candidatura á liderança do PS que o aponta como candidato a presidente do governo em 2019, dois anos antes de terminar o mandato na Câmara do Funchal.

“Ainda não tinha passado um mês das eleições e já estava o senhor presidente de câmara a acompanhar um candidato às eleições do Partido Socialista, quando nem sequer é militante do partido”.

Para a vereadora do PSD, é importante que Paulo Cafôfo assuma se cumpre, ou não, este mandato.