Bonga está de regresso à Madeira

‘Embaixador’ da música angolana

20 Mar 2017 / 02:00 H.

Bonga, o histórico cantor angolano com mais de 40 anos de carreira, é a mais recente confirmação do Festival Aleste de Maio. O Complexo Balnear da Barreirinha será o local que irá servir de palco para o aguardado regresso do autor de ‘Mariquinha’, que se apresentará no Funchal com um disco novo na bagagem.

Lançado na recta final de 2016, ‘Recados de Fora’ celebra os 74 anos deste embaixador da música angolana no Mundo, através de uma viagem por entre histórias de diferentes tempos e continentes, com o Oceano Atlântico a servir de pano de fundo.

Marcado para decorrer a 27 de Maio, no Funchal, o Festival Aleste havia já confirmado a actuação de Capitão Fausto, Sensible Soccers e The Poppers. Até ao final do mês de Março, os bilhetes para o evento estão à venda ‘on-line’ e nos locais habituais por um preço especial de 15 euros.

A voz que ninguém consegue silenciar

“Não é exagero dizê-lo, o artista nascido José Adelino Barceló de Carvalho, conhecido internacionalmente como Bonga, é mais do que um nome. Marco indiscutível da geografia afectiva dos angolanos, a história do cantor confunde-se com a da própria identidade da cultura angolana”, começa por referir a organização do Aleste.

“As suas canções acompanharam a história de Angola ao longo das últimas cinco décadas, sendo um testemunho sobre o desespero da guerra, da luta pela independência e da frustração pelas conquistas que ficaram por fazer”, adianta.

“Se com ‘Angola 72’ (álbum banido) se assumiu, definitivamente, como rosto eterno da revolução, os ritmos quentes do semba e os inúmeros sucessos que dele nasceram fizeram dele um símbolo de energia positiva, festa e convergência. ‘Recados de Fora’ volta a trazer mais histórias e mais dessas raízes africanas que merecem ser ouvidas e dançadas pela noite fora”, acrescenta.

Último concerto cá foi em 2011

Bonga esteve na Madeira em 2011 como um dos artistas de destaque da Semana Gastronómica de Machico. Um pouco antes, a 2 de Agosto desse ano, o DIÁRIO falou com o artista que explicou a importante influência de uma vida passada em Angola: “Toda essa vivência, toda essa resistência fez de mim o artista que sou hoje”. Revelou que foi vítima de chantagem, de boicote, mas não o conseguiram calar. “Não têm conseguido calar, não senhora. Tem sido difícil calar. Quanto mais eu vou para os lugares, para os países, aumentam as músicas, aumentam os discos, aumentam os amigos, os conhecidos. E aí é muito complicado calar”, afirmou.

Por isso, a sua ‘arma’ são as palavras, a sua ‘defesa’ a música. “A luta é maior porque a tecnologia também dá possibilidade a tudo o que é gente, a tudo o que são tendências”, explicou. “Muito embora saibamos que hoje em dia temos os computadores, a internet que entra em tudo quanto é lugar, e as televisões também, mas o que é certo é que não é muito fácil porque em contrapartida temos um outro joguete internacional que nos entra pela casa adentro com as drogas, a prostituição, com outros jogos e as telenovelas e outras coisas que distraem muito mais”. Por isso fala sobretudo à juventude, que consome, regra geral, tudo o que é de bom e de mau.