‘Blade Runner 2049’ quer replicar o mito

Estreia amanhã nos cinemas da Madeira a sequela do filme de culto que ambiciona estar à altura da fita de 1982

04 Out 2017 / 02:00 H.

Do genial ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’ de Stanley Kubrick, inspirado no conto do influente autor Arthur C. Clarke, passando pelo algo incompreendido ‘Contacto’, baseado na obra de Carl Sagan, até ao mirabolante ‘Origem’ de Christopher Nolan, os filmes de ficção científica são um nicho muito especial dentro da Sétima Arte. A paixão que despertam e os ódios que causam, sobretudo por causa de filmes sofríveis como ‘O 6.º Dia’ com Arnold Schwarzenegger, sem esquecer o bizarro ‘Pai Natal Conquista os Marcianos’, de 1964, não deixam ninguém indiferente.

Ora, esta quinta-feira estreia nos cinemas do Funchal a sequela de uma das melhores e mais marcantes películas de ficção científica de sempre: ‘Blade Runner: Perigo Iminente’, a clássica obra de arte de 1982 de Ridley Scott, o mesmo que realizara o então arrojado e claustrofóbico ‘Alien: O 8.º Passageiro’, em 1979.

Embora haja alguns que achem, legitimamente, que ‘Blade Runner’ é uma obra-prima-acontecimento-único-na-vida, logo, não deveria ter continuidade, há outros que assim não acham, aguardando em pulgas pela estreia de ‘Blade Runner 2049’, agora com Ridley Scott na qualidade de produtor, cabendo a Denis Villeneuve o papel de realizador.

Importa lembrar que, quando o ‘Blade Runner’ chegou aos cinemas em 1982 a reacção da crítica foi morna e a bilheteira foi madrasta. Era o ano do lançamento de uma fita algo popularucha, mas que também se tornou icónica: ‘E.T. - O Extra-Terrestre’. Mas o tempo costuma ser ‘professor’: enquanto a fita de Spielberg ‘envelheceu’ com anos, ou seja, os efeitos especiais e o boneco são hoje risíveis à luz das novas tecnologias, a verdade é que ‘Blade Runner’, inspirado pela obra do brilhante autor Philip K. Dick, é um filme que não envelheceu nem um dia.

É uma visão futurística ‘sui generis’, contada através da história de um ex-polícia, um ‘blade runner’, Rick Deckard (interpretado por Harrison Ford, o ‘eterno’ Indiana Jones e icónico Han Solo de ‘Star Wars’), que é forçado a voltar ao combate no terreno para matar andróides, ou melhor, replicantes, cuja inteligência artificial evoluiu e tornou-se demasiado próxima da essência humana, logo, também homicida. A inconfundível interpretação de Rutger Hauer, no papel do mau da fita, também ajudou a que ‘Blade Runner’ se tornasse num filme de culto. Uma dica: antes de ver ‘Blade Runner 2049’ veja ‘The Final Cut’, uma derradeira versão do filme que mostra como Ridley Scott queria que a fita fosse exibida.

De resto, ‘Blade Runner 2049’ transporta o espectador 30 anos após os acontecimentos do primeiro filme, em que K, um novo ‘blade runner’, desvenda um segredo há muito enterrado que pode potencialmente mergulhar a sociedade num caos. A descoberta de K leva-o numa missão para localizar Rick Deckard, um antigo ‘blade runner’ desaparecido há 30 anos. O elenco do novo ‘Blade Runner’ conta com Ryan Gosling, Jared Leto, Harrison Ford, Robin Wright, Dave Bautista, Ana de Armas, Sylvia Hoeks, Carla Juri, Mackenzie Davis, Barkhad Abdi, David Dastmalchian, etc.