Aproximar os psicólogos à Ordem

Queremos afastar a ideia de que ir ao psicólogo é para quem tem doença mental

02 Dez 2016 / 02:00 H.

    Aos 41 anos, Sérgio Cunha, psicólogo formado no ISCTE, em Lisboa, apresenta-se a eleições para a delegação da Madeira da Ordem dos Psicólogos Portugueses - OPP. A exercer no Serviço de Prevenção da Toxicodependência, diz pretender aproximar os profissionais à OPP e abrir a instituição à sociedade.

    Como nasceu esta candidatura? Esta candidatura nasceu de um convite do Vítor Coelho, que é candidato a bastonário da OPP, e nasce no sentido de dinamizar e aproximar a delegação regional aos psicólogos. Eu preparei a minha candidatura para apoiar desde a Universidade - os estudantes: ajudar a criar os mestrados mais adequados; estágios e primeiro emprego, passando pelo desenvolvimento de carreiras, aos que já estão na profissão há mais tempo e, por fim, abrir a OPP à sociedade, que é o que tem vindo a faltar nos últimos seis anos.

    A candidatura vem no sentido de dinamizar a delegação, porque quem lá esteve nestes últimos seis anos, da lista ‘C’, esteve muito parado. Basicamente, recebem 40 mil euros por ano e fizeram apenas um ciclo de conferências em período de eleições. Além disso, foi uma iniciativa ferida de ilegalidade, porque duas das sessões foram já em campanha eleitoral.

    Nos últimos seis anos perdemos 1.400 psicólogos em todo o País. Foram pessoas que suspenderam ou saíram da OPP. O meu objectivo aqui, na Madeira, é, acima de tudo, aproximar os psicólogos da delegação, que tem de ser a casa de todos os psicólogos.

    Não tem sido? Não. Tem sido só de alguns.

    Como lê isso, é por opção ou por inércia? É por inércia.

    A delegação deveria ter feiro mais? Basicamente o que fez foi o ciclo de conferências, que de facto, trouxe muitas pessoas, mas foi neste ano e em cima das eleições. Segundo o regulamento eleitoral isso não pode acontecer.

    Além disso, os psicólogos, que pagam quotas de 144 euros anuais, que pretendemos baixar para 108, que quiseram participar, tiveram de pagar mais 20 euros por essa participação, o que eu acho inconcebível. Queremos realizar, já no próximo ano, um Congresso dos Psicólogos da Madeira, mas os psicólogos inscritos na OPP terão inscrição gratuita.

    Quantos são? São cerca de 300, mas existe o dobro na Região, que não estão inscritos na Ordem.

    A não exercer, por que para isso têm de estar inscritos. Certo? A nossa Ordem tem oito anos, é relativamente recente. Alguns processos ainda não estão aclarados, também devido aos mau trabalho. Acho que deveriam fiscalizar melhor isso.

    O que é que fazem os psicólogos na Madeira? Existe muitos psicólogos a trabalhar noutras áreas e esse é um campo de actuação em que a delegação tem estado mal. Tem de sensibilizar, de reunir com os secretários, e não vi nenhuma reunião nos últimos seis anos, para sensibilizá-los para a necessidade de aumentar o número de psicólogos a trabalhar na função pública.

    Em que áreas? Em todas. Nas públicas, mas essencialmente nas tuteladas pelos secretários da Saúde, Educação e Assuntos Sociais.

    Que outras prioridades? Há que sensibilizar a sociedade, para reduzir o estigma social, que ainda existe na Madeira. Também vamos procurar acordos com a RTP-M e outros órgãos de comunicação social, para haver um espaço, em que os psicólogos possam falar dos seus projectos, dos seus trabalhos. Queremos afastar a ideia de que ir ao psicólogo é para quem tem doença mental e não tem de ser. O psicólogo deve ser conotado com o bem-estar pessoal e social.

    A Madeira é muito diferente do resto do País nos aspectos que já referiu? Não. Este é um trabalho que tem de ser feito a nível nacional, mas aqui temos uma vantagem é que a comunicação social estar mais perto da população.

    Tudo tem a ver com a forma como o psicólogo é encardo. Os psicólogos trabalham em todo o lado, nas escolas, saúde, nos lares, nas SAD, onde já trabalham alguns, nas empresas, apesar de normalmente serem postos nos Recursos Humanos a processar salários, quando deveriam estar a trabalhar no clima organizacional. Em síntese, os psicólogos trabalham com as pessoas e elas estão em todo o lado.

    Há pouco referiu a universidade. Que avaliação faz do curso de Psicologia ministrado na UMa? A UMa tem excelentes profissionais a leccionar. Tem um bom curso, mas poderia ir um pouco mais além e rever um pouco as suas cadeiras.

    Já fez referência à lista ‘C’. Que leitura genérica faz aos seus adversários? As outras listas estão muito preocupadas com as questões nacionais e faltam ideias e propostas concretas sobre a Madeira. É preciso evoluir e abrir as portas da delegação da OPP, que fisicamente devem estar abertas todos nos dias a tempo inteiro e não só três dias a tempo parcial, como tem acontecido.

    Acredita que os psicólogos da Madeira vão votar na sua lista, a ‘B’? Os associados muitas vezes votam em quem conhecem. Mas é chegada a altura de ter em coragem de apostar numa equipa dinâmica, com ideias, capaz de proporcionar evolução a todos os psicólogos.

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