Albuquerque vai descansar e deixa secretários na expectativa

Remodelação do governo Regional só avança na próxima semana

05 Out 2017 / 02:00 H.

“Serei sempre eu (o secretário) enquanto o presidente do Governo Regional entender”. Esta foi a resposta de Pedro Ramos à pergunta sobre se iria ser ele a implementar as medidas para melhorar a aquisição de medicamentos, ou outro titular da pasta da Saúde. A frase do governante, no final da reunião do executivo de ontem, espelha bem a situação em que se encontram os membros do governo regional, perante a certeza de que vai haver uma remodelação.

Alterações na composição do governo e na orgânica – deverá haver mudanças pelouros entre algumas secretarias – que só serão conhecidas na próxima semana, desde logo porque Miguel Albuquerque vai gozar três dias de descanso.

O presidente do governo regional vai sair para pensar no que pretende fazer, depois de ter reunido com alguns membros do executivo e com os seus colaboradores mais próximos, como é caso do chefe de gabinete, Rui Abreu, mas ainda não tomou decisões finais.

Na prática, os membros do governo regional vão ficar na expectativa até segunda-feira. Nem todos, porque a saída de Rui Gonçalves parece um dado adquirido.

O secretário regional das Finanças e da Administração Pública colocou o lugar à disposição, na segunda-feira, logo após as eleições autárquicas e Albuquerque terá isso em consideração. Rui Gonçalves terá reconhecido que os entraves que tem colocado a investimentos e outras despesas, podem ser incompatíveis com uma segunda metade de mandato em que o governo regional terá de mostrar serviço e cumprir promessas eleitorais.

Se a saída do titular das Finanças é praticamente certa, ainda mais porque o próprio já o assumiu, a entrada de Pedro Calado, até há dois anos um dos colaboradores mais próximos de Albuquerque, também está a ser estudada e tudo parece caminhar para que se concretize. O mais provável é a troca directa, com entrada para as Finanças.

No resto, há poucas certezas, apenas a confirmação de que terá sido referido o pouco apoio de alguns governantes na campanha eleitoral e as dificuldades, evidentes, de comunicação.

Modelo era diferente

Albuquerque, que ontem só esteve na primeira meia hora da reunião do governo, tirou três dias para pensar, mas não é certo que desta vez apresente um governo como inicialmente pretendia. Em 2015, logo após as eleições legislativas regionais, o modelo de executivo traçado era diferente do que veio a ser implementado.

Além de nunca ter sido explicada a ausência de Pedro Calado, durante vários anos o ‘número dois’ de Albuquerque, a escolha de Rui Gonçalves, até então director regional do Tesouro, também motivou muita especulação. Desde logo as referências a uma imposição do governo da República, de Pedro Passos Coelho mas, sobretudo, da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque que pretendia manter o interlocutor da negociação e execução do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro para a Madeira.

Calado era apontado para vice-presidente do governo, mas a entrada de Sérgio Marques baralhou as cartas, ao ponto de deixar de fora o homem de confiança de Albuquerque.

No desenho do governo também foi sempre difícil perceber a mistura, na mesma secretaria, das obras públicas, assuntos parlamentares e assuntos europeus. Uma miscelânea que deve ser única em governos.

Miguel Albuquerque também tinha estudado a hipótese de nomear subsecretários, eliminando direcções regionais, mas essa ideia caiu mesmo em cima da meta. Um dos subsecretários deveria ficar directamente ligado à presidência do governo, acumulando com os assuntos parlamentares. Um modelo seguido noutros governos e com bons resultados.

As alterações não deverão ser tão profundas, mas é certo que a segunda metade do mandato do governo regional será muito mais política e menos virada para a contabilidade.

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