Albuquerque cede a pressões e afasta Eduardo e Sérgio

Sérgio Marques diz que sai devido a “rearranjo orgânico” do presidente do GR

12 Out 2017 / 02:00 H.

Entram Pedro Calado, Amílcar Gonçalves e ainda Paula Cabaço. Saem Eduardo Jesus, Sérgio Marques e Rui Gonçalves. É este o novo figurino do Governo presidido por Miguel Albuquerque tendo sido necessários 10 dias para se conhecerem as três grandes mexidas na orgânica do Governo Regional, isto depois do desastroso resultado obtido pelo PSD-M nas eleições autárquicas. Mas aos olhos da oposição ficam já os reparos que esta remodelação é uma clara cedência do Governo às pressões, boa parte delas vinda da opinião pública e de grupos empresariais no domínio da construção civil e dos transportes.

‘Super-Secretário’

Mas vamos à remodelação que Miguel Albuquerque entendeu proceder. Pedro Calado será uma espécie de ‘super-secretário’ – ex-administrador da AFA e do JM passa a ter também a coordenação política do governo e a vice-presidência – com as pastas das Finanças, Economia e dos Transportes, curiosamente dossiers que pertenciam a Eduardo Jesus e a Rui Gonçalves fortemente criticados, um por enfrentar assuntos polémicos como casos dos transporte e igualmente na alteração do modelo das operações portuárias da Madeira, outro por asfixiar a dinâmica governamental, ao ponto de nem libertar verbas para o sector da saúde.

De director a Secretário

Segue-se Amílcar Gonçalves a quem serão atribuídas novas funções. Deixa de ser director regional dos Edifícios Públicos e sobe um degrau na hierarquia governamental. Será secretário regional dos Equipamentos e Infra-estruturas, uma ‘empreitada’ que estava até ontem na posse de Sérgio Marques que a poucas horas da nota enviada pela Quinta Vigia às redacções, representava o Executivo madeirense em Bruxelas na 125.ª Reunião Plenária do Comité das Regiões, propondo alterações em documentos sobre transportes e economia digital.

Eduardo Jesus: “não me demiti”

Eduardo Jesus não deixa o Governo por iniciativa própria. E para que não restem dúvidas esclareceu que ontem tarde foi à Quinta Vigia para conhecer o veredicto de Miguel Albuquerque, que em 2015 o convidou para ser secretário da Economia, Turismo e Cultura.

“Confirmo que saio, mas eu não me demiti. Fui dispensado pelo presidente do Governo” referiu ao DIÁRIO depois de conhecida a remodelação do XII Governo Regional. Eduardo Jesus deixa uma pasta que agora fica em parte nas mãos do todo-poderoso Pedro Calado (Economia e Transportes) ou sob tutela de Paula Cabaço (Turismo e Cultura), por sinal até agora sua colaboradora na agência de Investimento.

De “dormir na forma” a secretária

A grande surpresa da remodelação foi precisamente a entrada de Paula Cabaço, ex-presidente do Instituto do Bordado, do Vinho e do Artesanato, quando todos os holofotes estavam apontados também a João Machado, ex-director regional dos Assuntos Fiscais.

Surpresa também pelo facto de Miguel Albuquerque ter lançado duras críticas à nova tutelar do Turismo e da Cultura e Assuntos Europeus há pouco mais de um ano. Em Março de 2016, o chefe do governo insular usou palavras depreciativas ao trabalho que estava sendo colocado em prática pelo IVBAM ao ponto de afirmar que “existem pessoas que, neste momento, estão a dormir na forma”.

Declarações que, embora o presidente não personalizasse, na altura foram entendidas como sendo dirigidas a Paula Cabaço que não disfarçou o desconforto. Acabou por sair em Dezembro.

Sérgio pondera deputado

O DIÁRIO chegou à fala com Sérgio Marques que se escusou prestar declarações, no entanto após insistência do jornalista disse estar a ponderar se vai assumir o seu lugar na Assembleia Legislativa como deputado. “Estou a ponderar”, declarou durante o contacto, confirmando que chegou de Bruxelas durante a tarde, seguindo depois para a Quinta Vigia, altura que terá sido informado quais a decisões que estariam para acontecer.

Ontem à noite, emitiu ontem uma nota de imprensa onde abordou as razões da sua saída: “Em conversa com o Presidente do Governo Regional, após o meu regresso de Bruxelas, entendi que em função do rearranjo orgânico que me foi apresentado não fazia sentido continuar a fazer parte do Governo”, afirmou o Sérgio Marques que diz sair “com a convicção do dever cumprido”.

Cinco intocáveis

Humberto Vasconcelos, Susana Prada, Jorge Carvalho, Pedro Ramos e Rita Andrade ficam nos lugares que estavam. Curiosamente para muitos críticos, os três primeiros já estiveram no lote dos dispensáveis, contudo nos últimos dias terão merecido não só a confiança política de Albuquerque como até viram um reforço das competências. Foi o caso de Susana Prada e de Jorge Carvalho que estão desde a primeira hora. Pedro Ramos e Rita Andrade entraram já o ‘comboio’ estava em andamento.

Directores regionais

Uma das questões a tirar a limpo nas próximas horas será perceber se os actuais directores regionais irão manter-se inalteráveis e se merecerão a confiança política dos novos secretários regionais.

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