Aerovip espera reintegração no concurso inter-ilhas

Companhia que faz a ligação Porto Santo - Madeira não deve aceitar continuar a prazo

18 Mai 2018 / 02:00 H.

Ainda sem uma decisão final conhecida do júri que está a analisar o concurso público de concessão da linha aérea Porto Santo - Madeira, a actual empresa de aviação, a Aerovip, continua a operar normalmente, embora faltem pouco mais de duas semanas para acabar o prazo. A partir de 5 de Junho, com a mesma companhia em regime de ‘contrato a prazo’, como já foi sugerido pelo Governo Regional, ou outra empresa, caso seja definitivamente dada a concessão à Binter Canárias, terá de haver continuidade neste serviço público.

O certo é que até ontem ao final da tarde, a 18 dias do final do prazo para entrar em vigor a nova concessão, que custará ao Estado português 5,6 milhões de euros durante três anos, nenhuma decisão oficial tinha sido tomada. Sabe-se apenas que das três concorrentes, duas foram excluídas, ficando apenas uma, precisamente a Binter.

Sobre esse facto, após ser conhecida esta exclusão dos concorrentes, a Aerovip, que opera na linha desde 2014 (concurso que ganhou à Sata), exerceu o directo de contestar a decisão do júri e até foi mais longe, explicando porque entendia que a proposta da companhia aérea de Canárias não cumpria o caderno de encargos e porque estes, uma companhia portuguesa que, inclusive criou base na ilha do Porto Santo, estava em melhores condições de ver renovada a concessão.

Ontem o DIÁRIO teve acesso ao mais recente relatório de actividade da Aerovip, empresa que aproveita para vincar que sempre cumpriu os requisitos observados para uma operação aérea entre as duas ilhas do arquipélago sempre a crescer na procura, acrescentando ainda que a sua proposta visava melhorar ainda mais o serviço público.

“De acordo com o caderno de encargos do concurso internacional em curso, a empresa teve 5 dias para contestar a decisão preliminar, mas o júri não tem prazo para responder”, lembra a comunicação da empresa, que desconhecia na tarde de ontem como estava decorrer o processo, nomeadamente se o júri já havia tomado a decisão final. “A Binter, empresa espanhola, apresenta várias falhas ao caderno de encargos. O júri terá que ter isso em conta na sua decisão. A readmissão da Aerovip ao concurso e a respectiva adjudicação foram os aspectos centrais da resposta enviada ao júri em sede de audiência prévia”, lembra ainda.

Sendo certo que no sistema de reserva da companhia Aerovip continua a estar o dia 4 de Junho, mais precisamente à noite dessa segunda-feira, pelas 22h00 como a última partida do Funchal para o Porto Santo, onde o voo RVP858 chegará pelas 22h25. A partir desse dia já não é possível fazer reservas.

“A Aerovip faz um balanço muito positivo da concessão de transporte aéreo na Região Autónoma da Madeira desde 2014”, garante. “Enquanto empresa 100% portuguesa, a Aerovip congratula-se com os excelentes índices de pontualidade e com os números respeitantes a cancelamentos, que são residuais e têm na sua origem sobretudo questões meteorológicas”, aponta ainda a companhia.

Ao longo dos quatro anos em que está na concessão (a empresa já deu um ano a mais à linha, a pedido do Governo da República por causa dos atrasos do concurso), a evolução no transporte de passageiros e taxas de ocupação ao longo deste período têm sido sempre crescentes (ver destaque). “Fica patente que esta companhia aérea, a logística da operação, o tipo de aeronaves, a qualidade da equipa de pilotos e técnica é totalmente adequada à concessão, cumprindo escrupulosamente o caderno de encargos”, garante, empresa que não confirma se aceitará prolongar a operação até que, eventualmente, o concurso esteja concluído.

A voar desde 2014...

9.759

Voos realizados entre o Porto Santo e a Madeira desde 2014 a 16 de Maio de 2018

144

Voos com atrasos superiores a 15 minutos (ronda os 2%)

77

voos cancelados, resultando em taxa de cancelamento dos voos previstos de 1%

112.931

Passageiros transportados, com taxa de ocupação média de 60% e aumento médio de 6%/ano

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