Acordo com Free State pode ser ponte para Índia e China

24 Nov 2017 / 02:00 H.

O ministro da economia da África do Sul apadrinhou a assinatura do protocolo de cooperação entre o Governo de Free State e o Governo Regional que Ace Magashule e Miguel Albuquerque assinaram ontem em solo sul-africano. Se já existiam entendimentos em diferentes sectores, os dois governantes colocaram literalmente ontem ‘preto no branco’ o acordo que poderá ter tanto de histórico como rentável, uma vez que o chefe do executivo insular revelou que há muito interesse das empresas madeirenses em aproveitar as parcerias com sociedades sul-africanas para expandirem os negócios para a Índia e para a China.

Albuquerque chegou mesmo a adiantar o forte interesse que a empresa ACIN e a Empresa de Cervejas da Madeira possuem em se lançar nos mercados asiáticos. Paralelamente, os sul-africanos estão interessados no desenvolvimento do sector turístico, sobretudo retirar ensinamentos da realização de cartazes que ajudem a promover a província. Um desses é a Festa da Flor que acontece nas principais ruas de Parys, e que terá a secretária do Turismo e Cultura a assistir. Mas o acordo vai mais além, vincou Miguel Albuquerque, que não escondia a sua satisfação por acreditar que este é uma auto-estrada para a “internacionalização” das empresas da Região e ajudar igualmente a captar interessados no Centro Internacional de Negócios da Madeira e divulgar se, possível, a Sociedade de Desenvolvimento, representada por João Machado.

Nas obras públicas, na área tecnológica e na educação, Reggie Mumtsi, Chairperson of the Free State Chamber of Business explicou ter ficado agradavelmente surpreendido pela forma como são efectuados a construção de túneis e que pode ser aproveitada para atrair empresas madeirenses que queiram entrar neste ramo.

De resto, em fase mais adiantada estão acordos bilaterais entre a ACIN, que procede à introdução de ferramentas tecnológicas nos hospitais públicos e na uniformização da prescrição médica.

Em matéria da educação, a vice-reitora Elsa Fernandes integra a comitiva para conseguir alargar a entrada de mais alunos sul-africanos nos cursos promovidos pela UMa. Para já leccionam 32 estudantes, mas podem vir a ser mais. É essa a expectativa da docente que recordou o aproveitamento que os discentes registam nos cursos de engenharia. Além disso, Albuquerque aproveita esta visita oficial para proporcionar “novos contactos e reforçar a proximidade com a comunidade emigrante”, disse à margem do acordo justamente 24 horas antes de participar numa convívio com investidores, proporcionado pela Sociedade Portuguesa de Beneficência e a Academia do Bacalhau, na qual vão assinalar a festa anual do Magusto no Lar Rainha Santa Isabel, um encontro muito para lá da fronteira da saudade e que se prevê estejam cerca de 250 empresários madeirenses.

Empresários satisfeitos
e Remax de olho em África

João Andrade é promotor da empresa do ramo imobiliário revelou que tem existido um crescimento pela compra de apartamentos e casas por parte de comunidade emigrante na África do Sul: “Vendemos, este ano, apartamentos a famílias inteiras, 4 e 5 apartamentos à mesma família, este é o resultado de um forte crescimento, e não podemos ficar à espera que os clientes venham até nós, mas irmos ao encontro deles”. Paralelamente existe interesse pelos Golden Visa, um mecanismo que permite a estrangeiros obterem residência, recordando que 7% dos visas concedidos a cidadãos de outros países são de origem da África do Sul.

ACIN com gestão de hospitais

O administrador da ACIN não escondeu a sua satisfação por verificar que os negócios da sua empresa, especializada na área da tecnológica, está de ‘vento em polpa’. Presente no encontro com empresários da Câmara de Comércio de Free State, Luís Sousa disse aos jornalistas que tem contratualizado acordos negociais com o governo do Free State para a proceder à “gestão da área da informatização de três grandes hospitais” e também da emissão de receitas médicas através do programa Imed, tal como já sucede em Portugal, onde um em cada três médicos portugueses é cliente desta plataforma digital. Embora não querendo revelar o volume de negócio expectável em terras sul-africanas sabe-se que poderá acrescentar uma larga fatia de receitas muito significativa capaz de colocar esta sociedade, sediada no Brava Valley, num patamar das empresas de referência europeia. “Estamos a falar da adaptação do ‘software’ para a fazer a gestão integral dos hospitais públicos do Free State”, um dos quais, sublinhou, com idêntica prestação de serviços igual ao hospital Santa Maria.

Socicorreia: 40% dos clientes são emigrantes

Outro empresário integrado na comitiva do presidente do Governo Regional é Custódio Correia que aplaudiu este tipo de iniciativa pelo poder de compra que os emigrantes radicados na África do Sul possuem. No caso da sua empresa nota que “80% são vendas para clientes estrangeiro e desses 40% são emigrantes”, revelou. É por isso que considera ser vantajoso, ou melhor, “vale sempre a pena vir cá mesmo que os negócios não se concretizem” nesta vista, porém refere que os contactos estabelecidos garantem posteriormente vendas.

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