“A Madeira tem um lugar especial no meu coração”

21 Abr 2017 / 02:00 H.

Começou a carreira aos 12 anos e já participou em mais de 60 filmes até à data. Natassja Kinski está na Madeira a acompanhar o Madeira Film Festival, actriz que é um rosto bem conhecido da Sétima Arte, fruto do seu historial cinematográfico que a levou a desempenhar vários papéis, entre eles na película ‘Tess’ (1979), produção em que a artista interpreta o papel de actriz principal. Recorde-se que este filme franco-britânico, realizado por Roman Polanski, conferiu à alemã o prémio de ‘Nova estrela do ano em cinema’ nos Globos de Ouro em 1980.

De visita à Madeira e pela primeira vez em Portugal, Natassja esteve à conversa em exclusivo com o DIÁRIO, no Teatro Municipal Baltazar Dias, e falou um pouco sobre a experiência que está a viver na Região, bem como o novo projecto cinematográfico em que está envolvida, onde se debruça sobre a vida de Cristiano Ronaldo.

Como está a ser a experiência na ilha da Madeira? Nunca estive aqui na minha vida, nem em Portugal. Sabia que a ilha existia mas nunca tive a oportunidade de estar aqui. Sempre quis visitar este país, pois já estive em muitos sítios por todo o mundo, mas nunca em Portugal. A Madeira tem um lugar especial no meu coração, porque estou a fazer um documentário sobre atletas e o Cristiano Ronaldo é um deles, estudei várias coisas acerca da vida dele, por exemplo, quando e onde ele cresceu, e agora estou aqui, é especial. Trata-se de um sítio que nunca pensei visitar e é uma oportunidade única. Esta ilha é linda, com muitas flores e de origem vulcânica. É um local mágico e isso nota-se, por exemplo, quando fomos no dia da abertura do festival ver as árvores no Fanal e tive a oportunidade de tocar nelas, era algo que queria mesmo fazer. A natureza aqui é poderosa.

O que está a achar do Madeira Film Festival? É um festival espectacular. Vi dois filmes, o de abertura, ‘Eagle Huntress’, da rapariga com a água dourada, que é extremamente fantástico, e o ‘The verse of us’, que venceu o Shanghai International Film Festival, igualmente soberbo. A organização é muito boa e acho que gostam todos de trabalhar juntos, com filmes bonitos, e nós, o público, sentimos isso quando estamos a observá-los. Mal soube deste festival quis fazer parte dele, também porque era uma oportunidade única para falar e divulgar o meu novo projecto.

E o documentário fala sobre o quê precisamente? O meu documentário tem muitas histórias inspiradoras, chama-se ‘Impossible is nothing’, é uma série e a foto principal é do Muhammad Ali, onde também tenho muitas fotos, registos de voz e muitas histórias que todos nós quereremos ver. Não sei quando nem onde irá estrear. Este é um projecto internacional pela paz, com atletas de todo o mundo, que relata a história de como eles começaram a sua carreira e como foi difícil começarem a singrar, fazendo recordar os muitos altos e baixos e mostrando como esta é uma estrada longa até estes atletas chegarem ao ponto que querem alcançar. O objectivo do documentário passa por inspirar e encantar os espectadores, porque todos amamos estes atletas. Eles trabalham tanto e não conseguem parar e vemos essas pessoas constantemente a brilhar. Por exemplo, estive em Nápoles a fazer alguma pesquisa acerca do Maradona e falei com algumas crianças que o idolatram. Estes atletas são heróis para os mais novos, porque ajudam comunidades e a realizar os sonhos. O Ronaldo é o tesouro do vosso povo. O quão foi incrível de vencer o Campeonato Europeu quase no fim? Meu deus. São inspiradoras estas histórias.

Como foi trabalhar com Roman Polanski? Participei no meu primeiro filme com 12 anos e desempenhei o papel de actriz principal no Tess quando tinha 17 anos. Levei muito a sério essa representação e analisei o livro. Aprendi muita coisa com o Polanski, mas também com o Gérard Brach ou também com o Wolfgang Peterson. Como o filme era franco-britânico tive de melhorar a minha pronúncia e encarnar a personagem do livro, esse foi um dos aspectos que tive de treinar. Estive vários anos em Inglaterra, Londres, a representar no Grupo Nacional de Teatro, até que fui desenvolvendo as minhas capacidades após imenso trabalho.

Qual foi o momento alto da sua longa carreira? Foram tantos, não consigo escolher um. Quase todos os filmes que fiz foram especiais, tanto o ‘Tess’ como o ‘Paris, Texas’, todos são memoráveis porque trabalhei com muita gente talentosa. Na minha opinião tudo leva-te a algum sito e ensina-te alguma coisa, é no fundo uma experiência.

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