A luta continua

Cerca de 500 enfermeiros madeirenses associam-se hoje ao protesto

18 Mai 2018 / 02:00 H.

Dos cerca de 1.800 enfermeiros existentes na Madeira, aproximadamente 500 deles vão participar na manifestação agendada para hoje, a ter início às 11 horas, junto ao Hospital Dr. Nélio Mendonça. A concentração terá, ao que tudo indica, uma adesão idêntica àquela que aconteceu a 15 de Setembro de 2017, quando a classe se juntou para reivindicar os seus direitos.

“Contamos com uma grande adesão, semelhante àquela que houve no ano passado. A nível nacional estará às portas do Palácio de Belém e aqui na Madeira tem o seu ponto alto às 11 horas. Em princípio haverá uma descida até ao Palácio de São Lourenço, a ser organizada no local. Será uma grande mobilização”, avançou Óscar Ramos, delegado do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR), órgão que se associa ao Movimento Nacional de Enfermeiros.

Esclarecendo que “ninguém vai faltar ao trabalho”, o sindicalista diz que este é no fundo um passo “para que as entidades percebam que os enfermeiros são das classes mais prejudicadas ao longo dos anos”, nomeadamente no que concerne à congelação das carreiras, que perdura “há mais de 10 anos”, bem como nos ajustes aos salários, “que ainda não foram feitos”.

Segundo Óscar Ramos, o SINDEPOR estabeleceu uma reunião, no passado dia 3 de Maio, junto do no Ministério da Saúde, “de forma pacífica”, no sentido de “elucidar o ministro para os problemas da enfermagem”, algo que até agora não teve efeitos práticos. “Não bastará criarem-nos uma carreira e chamar-lhe de ‘especial’, só pela sua especificidade, conteúdo funcional e independência técnica”.

“Para nós o grande problema da enfermagem é não haver uma carreira legislada, em que haja as várias categorias dos enfermeiros, com a possibilidade de subirem vários patamares ao longo do tempo”, adiantou, frisando que neste momento “a grande luta” é existir “uma carreira que diferencie as várias especialidades”, exemplificando: “Neste momento ter 20 ou dois anos de carreira é a mesma coisa”.

Remuneração é problema

O problema reside essencialmente no vencimento da classe, que “até com vários anos de experiência, emigraram por causa disso mesmo, porque continuam a não ter uma remuneração exequível com o tempo”.

“As pessoas procuram lá fora melhores remunerações atendendo ao seu grau de experiência. As condições de trabalho são boas, mas o problema é que faltam enfermeiros”, avançou.

No fundo, os pontos essenciais a reter quanto à manifestação prendem-se com a clarificação dos procedimentos para descongelamento das progressões, os procedimentos sobre atribuição do subsídio de função aos enfermeiros especialistas, a atribuição de remunerações compatíveis com o grau de complexidade do trabalho de enfermagem, a compensação do especial desgaste e penosidade da profissão, com um regime especial de aposentação e eventual redução de carga horária progressiva, a contratação de enfermeiros por forma a colmatar as carências existentes e que tendem a agravar-se e o reforço do investimento em recursos físicos e humanos no sector da Saúde.

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