“A cirurgia estética é um acto médico que oferece saúde”

A estética não trata só de maminhas e ajuda a resolver problemas sérios

13 Nov 2017 / 02:00 H.

Está de volta à Madeira para as consultas de cirurgia estética que arrancaram em Setembro, na Clínica de Santa Luzia. Já dá para fazer um balanço?

Para já o balanço é positivo. As pessoas estão a aderir porque acham que têm na minha consulta algo de diferente e algo que as pode ajudar naquilo que as preocupa.

Como tem sido este regresso ao fim de vários anos?

Tem sido muito agradável porque tenho recebido um carinho particular por parte das pessoas. Vêm com entusiasmo por poderem estar comigo e partilhar um pouco da sua vida e dos seus problemas.

A ideia é dar maior apoio aos pacientes madeirenses. A sua presença cá já permitiu novos pacientes?

Sem dúvida, já estamos numa fase de tal forma organizada que desta vez vi pessoas que conheci em Setembro, já foram operadas e estão a fazer as consultas de seguimento pós-operatório. Demonstra que está a resultar.

Quem tem procurado as suas consultas de estética na Madeira?

A grande percentagem é sobretudo mulheres, mas não é só aqui, é em quase todos os locais. Na Madeira são mulheres de diferentes grupos etários e cada uma procura coisas completamente diferentes. A percentagem de homens rondará os 20%.

As jovens procuram os implantes mamários e as mulheres com mais idade preocupam-se com o rosto?

É isso mesmo. O rosto é o que está à vista e o que vai mostrar mais precocemente, ao longo dos anos, todos os processos de envelhecimento. Uma jovem não tem essa preocupação.

O que procuram os homens madeirenses?

O que os homens procuram depende também da idade, mas querem diminuir gorduras localizadas e, a partir de uma certa idade, tratam do rosto para tirar os papos dos olhos, o excesso de pele e a flacidez. Também procuram a cirurgia para diminuir a papada. Quando são mais jovens tratam de situações genéticas, como as orelhas de abano ou os narizes deformados.

Nesta fase vem ao Funchal apenas para consultas de cirurgia estética?

Sim, mas a cirurgia estética nunca é completamente desligada das partes reconstrutivas. Cerca de 20% das pacientes vêm com complicações de cirurgias realizadas noutros locais. Desta vez esse número aumentou na Madeira. Para ter um exemplo, atendi uma doente que vinha com quatro cirurgias feitas num país da América Latina. Estas consultas não servem só para tirar gorduras, rugas e colocar maminhas. A reconstrução é uma parte muito importante.

É mais difícil tratar uma situação que corre mal?

É mais complicado tratarmos as chamadas cirurgias secundárias. Neste caso será a quinta, depois de quatro intervenções mal sucedidas. São situação difíceis porque eu parto para um terreno desconhecido sem saber o que vou encontrar e muitas vezes as pessoas nem sabem bem o que foi feito.

É importante as pessoas questionarem e quererem saber?

As pessoas têm a obrigação de saber porque a cirurgia estética tem muita clandestinidade através de médicos que entram na Europa sem certificação para operar e trabalham em clínicas por uma questão de dinheiro. As pessoas têm de saber sempre quem as vai tratar porque cada médico especializa-se numa determinada área.

Qual é a área que mais gosta de trabalhar?

Gosto de trabalhar a mama, algumas particularidades do rosto e corrigir orelhas de abano que tanto mal fazem, do ponto de vista psicológico, a rapazes e raparigas. A cirurgia da mama envolve muita coisa, desde colocar implantes, levantar e arrumar a mama com ou sem próteses ou reduzir mamas grandes que atormentam mulheres de todas as idades. Depois há a cirurgia reconstrutiva da mama para mulheres mastectomizadas pelo cancro da mama, com variadas técnicas por mim utilizadas sem anestesias gerais nem internamentos.

Poderá no futuro fazer as cirurgias cá e trazer novas especialidades?

Para já a ideia é continuar como está porque funciona bem. Tudo é possível, não está fora dos horizontes operar cá e vai depender do desenvolvimento que houver. O mesmo acontece com outras especialidades da Clínica Milénio que posso trazer à Madeira, como é o caso da Ginecoestética e Cirurgia Íntima que é muito procurada.

As próximas consultas já estão marcadas?

Já fiz um calendário para o ano de 2018 e virei cá a cada mês e meio. Se houver necessidade venho mais vezes, para já a próxima acontece em Janeiro.

É possível traçar o perfil dos madeirenses na busca pela área da estética?

Eu conheço a Madeira há muitos anos, trabalho em vários sítios e cada região tem as suas características. Em Lisboa, a maioria das mulheres vem às consultas sozinha. Na Madeira vêm acompanhadas pelo marido, pelo namorado, pelo pai ou por uma amiga. Os madeirenses gostam e procuram a cirurgia estética, mas a Madeira é uma região pequena, as pessoas conhecem-se e apesar da evolução, acho que continuam a ter alguns preconceitos nesta área.

É difícil mudar mentalidades?

Eu não posso mudar mentalidades, mas gostava que as pessoas percebessem que a estética faz parte da saúde. Uma mulher que cresceu e não desenvolveu a mama tem um diagnóstico de hipotrofia mamária e isso trata-se com uma mamoplastia de aumento. É um acto cem por cento médico, que oferece saúde e qualidade de vida. Quando as pessoas perceberem isto, ir ao otorrino ou a uma consulta de cirurgia plástica será a mesma coisa. Até lá temos de aceitar e deixar as pessoas à vontade para procurar ajuda quando o entenderem.

Ninguém gosta de envelhecer, mas é um processo que faz parte da vida.

Gostemos ou não, todos nós envelhecemos e as minhas cirurgias têm resultados naturais porque considero que o envelhecimento faz parte da pessoa. É importante o equilíbrio entre o interior e o exterior de cada um e que o cirurgião consiga ajudar, devolvendo a auto-estima através de novas técnicas e resultados naturais.