85% considera violência física no namoro “normal”

raparigas são mais vítimas mas também são elas que legitimam mais a violência

15 Fev 2018 / 02:00 H.

Os resultados do maior estudo sobre violência no namoro são inquietantes para a Região: 85% dos jovens madeirenses que respondeu, acredita que a agressão física é “normal” num relacionamento íntimo. Os dados são da UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta, que fez o estudo em todo o país, mas é a primeira vez que a amostra é tão significativa na Madeira.

São 216 estudantes de escolas de quatro concelhos - Funchal, Câmara de Lobos, Ribeira Brava e Machico - com uma média de 15 anos, contra apenas 65 alunos de Câmara de Lobos que aceitaram responder ao último estudo. Extrapolando para o cenário em todo o país, que totalizou 4652 participações, aqueles que aceitam a violência física normal, não ultrapassa os 6%.

Mas há mais números dedicados à Madeira. Dos 216 jovens que entraram no estudo, 125 já namorou, ou namora e, por isso, respondeu a outras questões. E as percentagens não deixam de preocupar: 21% já sofreu violência psicológica no namoro. As raparigas (30%) são mais vítimas que os rapazes (12%). Mas não só: 20% já foi alvo de perseguição numa relação, 16%, controlado pelo parceiro, e 12% vítima de violência através das redes sociais. Novamente, são as raparigas que sofrem mais este tipo de agressões. Por outro lado, os rapazes são mais vítimas de violência sexual: 7% contra 4% de raparigas. Aos alunos, foi explicado que “forçar a ter relações sexuais ou pressionar para beijar à frente de outros” são consideradas violência sexual.

Os 216 adolescentes foram ainda questionados sobre o que consideram violência e, consequentemente, se legitimam ou não determinados comportamentos. É neste quadro que 85% acredita que a agressão física é normal, mas há outros indicadores. A violência psicológica é um deles e os resultados são, mais uma vez, perturbadores: 79% responde que é normal e, por isso, legitimo. Mais: 69% acredita que a violência sexual é permitida, 68% defende que a violência nas redes sociais é normal, e os comportamentos de perseguição (62%) e de controlo (60%) também são aceites.

Carina Teixeira, Joana Martins, Cássia Gouveia e Valentina Ferreira, voluntárias na UMAR/Madeira alertam para a urgência de “mudar mentalidades no que diz respeito à violência de género”. E também se mostram preocupadas com uma outra perspectiva do estudo: é que apesar das mulheres serem mais vítimas de violência de género, são elas quem mais legitima todos os tipos de violência, ultrapassando, em percentagens, os homens em todas as categorias.

Nós, Cidadãos! quer lei para a Região

O partido Nós, Cidadãos! entregou ontem, na Assembleia Legislativa da Madeira, uma por proposta com 10 medidas para combater a violência de género e no namoro. Na porta da ALRAM, membros do partido também deixaram um grande coração, feito em cartolina, com a mensagem “Quem ama não agride”. A intenção é alertar os deputados, e a sociedade, para a urgência de lutar e de incentivar campanhas impactantes nas escolas, nos media, e noutras instituições. Miguel Costa, porta-voz do Nós, Cidadãos!, falou ainda sobre a importância de consciencializar a população sobre este tipo de violência nas redes sociais – dos meios mais atractivos para a comunicação entre os jovens.

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