Maior manifestação em anos

Cerca de 500 enfermeiros estiveram nas ruas do Funchal em luta pelos seus direitos

16 Set 2017 / 02:00 H.

A manifestação dos enfermeiros, realizada, ontem, nas ruas do Funchal, foi uma das maiores mobilizações de classe registada na Madeira, nos últimos anos. O objectivo manteve-se inalterado, relativamente ao anunciado nas iniciativas dos últimos tempos, naquele que foi o quinto e último dia de greve: rever a carreira de enfermeiro, retomando as progressões e reintroduzindo o estatuto de enfermeiro especialista.

Os objectivos foram relembrados por Márcia Ornelas, delegada na Região do Sindicato dos Enfermeiros, que encabeçava o cortejo, que além de enfermeiros, contou com familiares, amigos e apoiantes da causa. Nas contas do Sindicato, mais de 500 profissionais estiveram nas ruas do Funchal, tendo percorrido as artérias entre o Hospital Dr. Nélio Mendonça e a Assembleia Legislativa da Madeira, com uma paragem junto ao Palácio de São Lourenço. Nas duas instituições, foram entregues documentos com os argumentos que sustentam a luta dos enfermeiros.

Agora, aqueles profissionais querem que o Governo da República, através do Ministério da Saúde, retome as negociações, que pretendem “justas e claras”. Mas, como vinca Márcia Ornelas, neste momento, “não há nada”.

Se as negociações não forem retomadas, seguramente que novas formas de luta serão pensadas e empreendidas.

Quanto à legalidade da greve, Márcia Ornelas diz que o Sindicato tem conhecimento de situações, a nível nacional, em que estão a ser marcadas faltas às pessoas em greve. A dirigente sindical lembra que o trabalhador tem direito a cinco faltas injustificadas consecutivas por ano ou a dez interpoladas. Por isso, não será pelas faltas que a luta dos enfermeiros será derrotada. “Os enfermeiros estão no máximo da exaustão”, afirma a sindicalista.

Ministro da Saúde é o alvo: “Adalberto rua!”

Como sempre acontece nas manifestações bem sucedidas, a iniciativa de ontem foi recheada de palavras de ordem. Uma das que mais se fez notar determinava a saída do ministro da Saúde: ‘Adalberto rua!”. Mas muitas se fizeram ouvir: “Enfermeiros unidos jamais serão vencidos!”; “Não paramos, não paramos, não paramos!”; “Governo escuta, enfermeiros estão em luta”.

Além das palavras de ordem, havia os habituais cartazes com dizeres e reivindicações: “Basta!”; “Luta!”; “Com alto reconhecimento lá fora, desvalorizados no próprio País”...

Pelo caminho, foram sendo repetidas as palavras de ordem e feito muito barulho, para chamar a atenção de quem passava ou das pessoas assistiam ao desfile. As t-shirts pretas, com a palavra, ‘Basta’, eram um dos elementos identificadores dos manifestantes.

Junto ao Palácio de São Lourenço, foi cantado o hino nacional.

Adesão no SESARAM ao nível dos dias anteriores

No último dia de greve, a adesão dos enfermeiros, que trabalham no SESARAM, situou-se sensivelmente no mesmo nível da registada nos dias anteriores. Nos hospitais, o turno da noite teve uma adesão de 94,50%, o da manhã 74,01% e o da tarde 83,45%.

Nos centros de saúde, o turno da manhã teve uma adesão à greve de 45,26% e o da tarde 50,62%.

Na divulgação dos números, o SESARAM fez questão de “salientar que todas as situações urgentes estavam a ser atendidas e os serviços mínimos estavam a ser salvaguardados”.

Milhares na Assembleia da República

A nível nacional, o destaque foi para Lisboa, onde mais de três mil enfermeiros se concentraram junto à Assembleia da República, num protesto também ruidoso, que se seguiu a uma manifestação por várias ruas de Lisboa.

“Basta!”, “Sem medo!” e “Os enfermeiros estão em luta!” foram algumas das palavras de ordem mais gritadas pelos manifestantes que encheram o largo e as ruas envolventes ao edifício do parlamento.

Como no Funchal, estavam vestidos com t-shirts pretas, muitos dos enfermeiros exibiram flores brancas e balões negros e alguns cartazes com palavras de ordem onde se pode ler também “Respeito!” e “Não sejas Adalberto!”.

* Com Lusa