7 anestesiologistas deixaram o SESARAM nos últimos anos

Serviço está resumido a 21 profissionais que fazem 4 tipos de trabalhos

03 Jan 2018 / 02:00 H.

Nos últimos cinco anos, foram 7 os médicos anestesiologistas que saíram do Serviço de Saúde da Região (SESARAM). Todos eles fizeram a especialidade na Região (durante 4 anos), mas terminando o período de formação, não quiseram ou não lhes foi dada oportunidade de continuar no Serviço, com a oferta de um contrato individual de trabalho. Os jovens médicos encontraram assim trabalho em outros hospitais do continente ou Açores.

Isto faz com que, actualmente, o Serviço de Anestesiologia seja composto por 21 profissionais: 20 especialistas e um interno da especialidade já na última fase da formação. Um número manifestamente baixo para dar resposta às reais necessidades do SESARAM. A título de curiosidade, refira-se que o Centro Hospitalar do Porto, que tem uma população de referência de 250 mil habitantes, tem no quadro, 83 anestesiologistas, quase o quádruplo do que acontece actualmente na Região.

Refira-se ainda que os anestesiologistas desenvolvem quatro áreas de trabalho no SESARAM: o Serviço de urgência, as salas operatórias de rotina (ou cirurgias programadas), a Terapia da Dor e ainda a anestesiologia em exames complementares de diagnóstico ou procedimentos vários.

Segundo o que o DIÁRIO conseguiu apurar, destes 21 médicos, 4 não fazem trabalho no Serviço de Urgência, sendo que um deles está reformado e apenas realiza o trabalho inerente às salas operatórias de rotina. Dos outros 17, 2 estão afectos à Terapia da Dor.

Aliás, há muito tempo que a falta de anestesiologistas no SESARAM é reconhecida não só pela administração daquela entidade, como também pela tutela da Saúde da Região. Aliás, essas faltas estão, desde há muito, ligadas às listas de espera cirúrgicas. Segundo alguns profissionais de saúde contactados pelo DIÁRIO, a falta de anestesistas é o problema mais urgente a resolver. Sem estes especialistas, a lista de espera para cirurgia nunca se irá resolver, alertam.

Produtividade poderia aumentar em um terço

A verdade é que tendo em conta que se estes 7 especialistas tivessem ficado a trabalhar no SESARAM, a produtividade do Serviço de Anestesiologia, sobretudo ao nível do número de cirurgias realizadas, poderia ter aumentado em um terço. Ou seja, se no primeiro semestre se realizaram 6.674 cirurgias, este número poderia ser de cerca de 9 mil caso houvesse mais 7 especialistas a trabalhar.

O número de anestesiologistas condiciona assim o funcionamento das salas do bloco operatório. Aliás, comparando o número médio de cirurgias por médico na Região com outras regiões do país, vemos que no SESARAM é metade do registado no Alentejo e um terço do valor médio na área da Grande Lisboa. Na Madeira, em média, os médicos cirurgiões das várias especialidades têm três períodos operatórios (meios-dias).

Direçcão Regional de Estatística fala em 29 especialistas

A publicação ‘Estatísticas da Saúde da RAM 2016’ , recentemente disponibilizada pela Direcção Regional de Estatística refere que existem na Madeira 29 anestesiologistas, 14 do sexo masculino e 15 do sexo feminino. Estes são dados baseados nas inscrições na Ordem dos Médicos por residência declarada.

A mesma publicação revela que em 2016, na Região, estavam inscritos na Ordem dos Médicos 968 médicos, mais 54 (mais 5,9 %) que no ano anterior (941 médicos). Em média, existiam na Madeira e Porto Santo 3,8 médicos por mil habitantes.

18 mil cirurgias em lista de espera

A 30 de Junho de 2017, a lista de espera para cirurgia no Serviço de Saúde da Região continha um total de 17.923 cirurgias para 15.164 utentes. Destas quase 18 mil, a maioria refere-se a intervenções no bloco operatório (10.663). Segue-se a cirurgia de ambulatório (6.436) e a pequena cirurgia (824).

A informação disponilizada no portal do SESARAM sublinha que “os profissionais continuam empenhados em reduzir a lista de espera” e acrescenta que “em 2017 o Programa de Recuperação de Cirurgias teve um forte impacto na recuperação da lista de espera e a tendência para o próximo ano é intensificar esse valor”.

Nesta mesma informação é referido que, no 1º semestre de 2017, foram realizadas mais 7% das cirurgias no Bloco Operatório, comparativamente ao mesmo período do ano passado (respectivamente 3.405 e 3.180) . Estas cirurgias são por norma mais urgentes e mais complexas, esclarecem.

“Ao nível da cirurgia de ambulatório e da pequena cirurgia há que sublinhar a reorganização interna feita no ano passado, o que permitiu agrupar as cirurgias em três grandes áreas, (identificadas na tabela) pelo que muitas das cirurgias classificadas como ‘ambulatório’ no novo modelo integraram a ‘pequena cirurgia’. Regra geral estas são cirurgias não urgentes, que acrescentam maior conforto e qualidade de vida aos utentes”. No 1º Semestre do corrente ano fizeram-se 742 cirurgias de ambulatório (2.330 no 1º semestre de 2016) e 2.527 pequenas cirurgias (1.183 no período homólogo de 2016).