Comissário trouxe presente: um novo cabo submarino

22 Abr 2016 / 02:00 H.

Um novo cabo submarino que vai ligar o Brasil ao continente europeu deverá fazer um ‘desvio’ para servir a Madeira. Este projecto, que é candidato ao financiamento do Plano Juncker, foi uma das principais questões abordadas na reunião de trabalho que o comissário europeu Carlos Moedas e o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, realizaram ontem na Quinta Vigia.

O percurso inicialmente previsto para o cabo submarino de telecomunicações EulaLink ligava Fortaleza a Lisboa, passando a cerca de 100 quilómetros da ilha principal do arquipélago. No entanto, as autoridades europeias e regionais entendem que será útil alterar o trajecto de modo a que o mesmo passe pela Região. “O nosso grande objectivo é desviar este cabo para Madeira no sentido de podermos ter uma alternativa e uma redundância também para a nossa economia digital, não ficarmos dependentes do único cabo que existe, que é detido por uma empresa privada [grupo PT] e que faz a ligação da Madeira ao continente português”, explicou Albuquerque após a reunião, adiantando que o projecto vai custar “alguns milhões de euros”. O cabo de fibra óptica terá 5.875 quilómetros e será instalado pela joint-venture formada pela brasileira Telebras e pela espanhola IslaLink.

O comissário Carlos Moedas veio expor o seu Roteiro da Ciência e saiu do encontro da Quinta Vigia que “a Madeira terá grandes oportunidades” para aproveitar uma fatia dos 80 mil milhões de euros do programa Horizonte 2020 de apoio a projectos de investigação e inovação, bem como do Plano Juncker, que conta com 315 mil milhões de euros para financiar projectos ligados ao conhecimento e ciência. Curiosamente, ontem mesmo o seu gabinete revelou as sociedades madeirenses ‘UBQ – Unidade Bioquímica’ e ‘Bright Curiosity’ estão entre as 189 pequenas e médias empresas, de 26 países, seleccionadas pela UE para a fase final dos apoios do programa-quadro Horizonte 2020.

Albuquerque assumiu que o seu executivo está apostado em “explorar todas as possibilidades do programa Horizonte 2020”, com o objectivo de reforçar “parcerias no âmbito da investigação, biotecnologia, ambientes de profundidade, energia, monitorização oceânica e serviços de ecossistemas marítimos”. A aquacultura é um dos sectores da economia do mar em que o chefe do executivo mais aposta.

 

Elogios a albuquerque e silêncio sobre Jardim

O comissário europeu e o presidente do Governo Regional foram desafiados pelos jornalistas a comentar a ida de Alberto João Jardim a tribunal para responder sobre a falsificação das contas públicas da Região. Mas só indirectamente abordaram o tema, para dizer que hoje os tempos e as práticas são outros. “Conseguimos um objectivo que é a credibilização das nossas contas públicas. Nós continuamos a fazer uma gestão cuidadosa, sem qualquer disfuncionalidade financeira e com grande rigor nos gastos públicos”, assegurou Miguel Albuquerque, que recordou que as contas são publicadas trimestralmente “com toda a transparência”.

Por seu turno, Carlos Moedas reconheceu que “a Madeira fez um caminho de credibilidade ao finalizar um programa de ajustamento muito difícil e isso leva a que, hoje, nas instâncias europeias se olhe para a Região com credibilidade”. As palavras de elogio foram direccionadas especificamente para Albuquerque: “Hoje, na Europa, o senhor presidente do Governo Regional é visto como um homem que realmente conseguiu finalizar este programa de ajustamento, que tem esta transparência e isso nos faz olhar para o futuro com grande esperança em relação à região da Madeira”.

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