Madeirense toca ao lado de Teresa Salgueiro

06 Nov 2015 / 03:00 H.

Graciano Caldeira iniciou-se no mundo da música aos 11 anos, mas sem objectivos de ser profissional na área. Foi puxado pelo gosto e curiosidade que a música  trazia. Hoje é guitarrista  profissional e está envolvido num projecto com a cantora Teresa Salgueiro (ex-vocalista da banda Madredeus), através do qual gravaram um disco com músicas latino-americanas em que algumas delas foram gravadas com o instrumento musical madeirense, o braguinha.


Estudou guitarra clássica no Conservatório Escola Profissional das Artes Madeira e, em paralelo, quando entrou para o secundário na Escola Secundária Francisco Franco, tornou-se membro do núcleo de música da mesma escola. “Esta participação no núcleo de música da escola foi parte decisiva para que eu me tornasse profissional”, revela.


Já esteve envolvido em vários projectos de várias linguagens e estilos, como dois projectos de originais na área do rock e do metal. Fez parte do grupo de música tradicional ‘Banda d’Além’ e na faculdade, como ‘bandleader’, criou dois projectos de jazz com os quais, sempre que tem oportunidade, toca.


O contacto da cantora Teresa Salgueiro surgiu através de um amigo guitarrista que fez parte do disco ‘O Mistério’ lançado em 2012, mas que depois saiu do projecto e contactou Graciano Caldeira para fazer uma audição para o lugar que iria ficar vago. O resultado foi positivo e o madeirense juntou-se ao grupo em Abril de 2013.


O disco do projecto em questão chama-se ‘La Golondrina y el Horizonte’ e só saiu no México. “No México teve uma boa aceitação! Fomos brindados com salas cheias nos concertos que demos e no pós concerto havia sempre gente que ficava para os autógrafos da Teresa bem como para comprar o disco”, conta.


Mas porque incluir o braguinha? Graciano explica que a ideia era de usar no projecto um instrumento tradicional mexicano, mas não faziam ideia de incluiriam.

Aí surgiu: “Os arranjos são portugueses, interpretados por portugueses, porque não ter um instrumento tradicional português? Entretanto lembrei-me que o braguinha podia ser interessante pela sua sonoridade, por já conhecer e também por ser da minha terra. Experimentamos num ensaio e ficou. Encomendei um, ao único construtor madeirense em funções, o senhor Carlos Jorge, que me fez um braguinha mesmo a tempo de gravar o disco”, continua o artista.


O madeirense revela que o desafio foi encarado com toda a naturalidade, mas sempre com uma ponta de curiosidade por descobrir novas músicas e repertório. “As expectativas é que seja um trabalho reconhecido no México onde a Teresa tem muitos fãs desde a época dos Madredeus e em todos os países que se identifiquem com a sonoridade”, afirma o músico.


A banda esteve pelo México a fazer digressão, onde foram bem recebidos, mas pela Europa continuam a tocar com outros projectos. “Continuam a haver concertos com o disco ‘O Mistério’ e um outro projecto com a mesma formação que se chama ‘A Fortaleza’. Logo depois do México estivemos a tocar com o projecto ‘A Fortaleza’ na Noruega, no Oslo World Music Festival”, termina Graciano Caldeira.

Patrícia Gouveia