Empresa hortícola ganhou 3 milhões com a catástrofe

Expresso revela caso estranho com empresa da RAM e ligações de Jaime Ramos

06 Mai 2012 / 02:00 H.

A investigação às contas públicas da Madeira tem novos desenvolvimentos. A edição de ontem do semanário Expresso avança mais achas para a fogueira que estava em lume brando até à semana passada, quando o Departamento de Acção de Investigação Penal (DCIAP) fez buscas e ouviu várias pessoas nas instalações da GNR na Madeira.

De acordo com aquele jornal, um dos casos mais complexos que  chegaram ao Ministério Público será o da empresa "Celeiro Agrícola Trevo Amarelo", entidade a quem foram "adjudicados três milhões e 100 mil euros em operações de limpeza das zonas sinistradas" pela catástrofe do 20 de Fevereiro de 2010.

A investigação do Expresso nota que a empresa em causa é uma pequena unidade "de São Vicente que se dedicava à venda de plantas, flores e sementes hortícolas" e que "foi contratada pelo Governo Regional da Madeira para trabalhar como empreiteiro nas obras de limpeza" na maioria dos concelhos, nomeadamente Funchal, Porto Moniz, São Vicente, Santana, Machico, Santa Cruz, Câmara de Lobos e Ribeira Brava. Adianta o jornal que a 'Trevo Amarelo' tem dois sócios e um capital social de 5 mil euros e terá multiplicado por 530 vezes os lucros obtidos nesse ano: "De 2,7 mil euros em 2009 para um milhão e 589 mil euros em 2010". A empresa terá feito três contratos com a Secretaria do Equipamento Social, na altura tutelada por Santos Costa. Os contratos, acrescenta o semanário, fora adjudicados um mês depois da catástrofe, a 23 de Março. Só quatro meses mais tarde é que a empresa terá pedido a mudança do seu objecto social passando, além da venda de plantas, a incluir também obras públicas. O alvará ainda não terá sido atribuído.

A notícia desvenda ainda alguns dados de uma auditoria do Tribunal de Contas às despesas com as operações de limpeza após a intempérie. Foram assumidos ajustes directos, justificados pelo Governo com a necessidade de intervir com urgência nas zonas afectadas, no valor de 88 milhões de euros.

Dívida da Madeira "Jaime Ramos sócio de dois credores ocultos"
A reportagem sobre a Região ontem publicada no Expresso, fala de "ligações perigosas nas Obras Públicas: o líder parlamentar do PSD-Madeira é dono, a meios com o filho (número dois da bancada), da AECO, empresa que fornece betume para estradas. E é também presidente da Cimentos Europa".

O título da peça secundária é taxativo: "Jaime Ramos é sócio de dois credores ocultos". O texto explica que Jaime Ramos "é sócio de dois empreiteiros de obras públicas que estão envolvidos na dívida oculta de 1113 milhões de euros do executivo de Alberto João Jardim, tendo ligações a uma terceira empresa também implicada naqueles encargos".

O semanário do fundador do PSD Pinto Balsemão, revela que Ramos é accionista e presidente da Cimentos Europa, empresa a que está ligado também o empresário Avelino Farinha, o patrão da AFA, José Afonseca, administrador da Construtora do Tâmega, e Leandro de Aguiar, presidente da Zagope. "Jaime Ramos é ainda sócio de Avelino Farinha e da Construtora do Tâmega, em partes iguais, noutra empresa, a Ecoram, que se dedica ao tratamento de resíduos".

Além de outras ligações empresariais, o Expresso escreve que a "AFA, a Tâmega e a Zagope fazem parte da lista de credores da dívida oculta que está na origem de um inquérito-crime   do DCIAP".