À procura do Brava Valley

Passados dois anos do anúncio feito pelo presidente do Governo Regional, sobre a criação do ‘cluster’ tecnológico, em que pé está o Brava Valley?

27 Out 2017 / 02:00 H.

A ideia é que a Ribeira Brava se torne na Silicon Valley da Madeira (e do País). Miguel Albuquerque anunciou, por isso, em Outubro de 2015, um pacote fiscal atractivo para as empresas tecnológicas que se instalem na Brava Valley - nome dado à incubadora criada no concelho, um truque de marketing para atrair o tal investimento de empresas internacionais. Passados dois anos do anuncio do ‘cluster’ tecnológico, em que pé está o Brava Valley? A Vice-presidência, que agora tutela o projecto depois da última remodelação do Governo, explica ao DIÁRIO: “Numa primeira fase pretende-se criar condições propícias ao seu desenvolvimento, sendo que a prazo prevê-se a produção de efeitos directos no tecido económico e social da Ribeira Brava”.

Como o objectivo é colocar a Madeira na teia internacional da investigação, meses depois de divulgado o apoio fiscal, já em Fevereiro de 2016, o Governo Regional trouxe mais novidades. À data, a pasta do Brava Valley estava com a Direcção Regional de Inovação, Valorização e Empreendedorismo que pertencia à Secretaria Regional de Economia, Turismo e Cultura. Eduardo Jesus, então secretário regional, destacou que o Brava Valley também teria um pacote de incentivos previstos no Programa Operacional 14/20, e que o apoio comunitário seria divulgado junto dos empresários. Já em Novembro desse ano, a mesma secretaria divulgou que o Brava Valley ia ganhar uma sede temporária, uma urgência fruto do interesse crescente dos empresários. A casa-mãe do Brava Valley ficará nas antigas instalações da ACIN, na Ribeira Brava, em troca de uma renda mensal de 500 euros, até que sejam encontradas infraestruturas públicas sob alçada do Governo Regional, da autarquia.

Conversámos, por isso, com empreendedores e investidores da área das IT, em Lisboa, para perceber o pensam do Brava Valley, mas não encontrámos quem tivesse conhecimento do projecto. Como Eduardo Pinheiro, co-fundador da Muzzley e fundador da Biti e que actualmente vive na capital, mas que passou os últimos quatro anos entre Lisboa e Silicon Valley a desenvolver projectos tecnológicos: “Nunca associei a Madeira a tal coisa. Há a cidade de Braga, por exemplo, que está muito forte nesta área. Sobre a Madeira nunca ouvimos [colegas de Eduardo] nada. Se já foi anunciado há dois anos, era normal que tivesse conhecimento”, acredita o engenheiro informático.

Mas a Vice-presidência garante que há vários interessados e revela ao DIÁRIO os projectos que estão mais próximos de concretizar-se: “Empresa de IT baseada em Singapura, tem projecto de implementação transversal na sociedade de um smart card que possa substituir todos os restantes, garantindo a confidencialidade de informações pessoais e a identificação segura do respetivo proprietário; Empresa de prestação de serviços em IT, baseada na Madeira e cujas operações decorrem em Angola e Moçambique, pretende constituir, em parceria com um parceiro tecnológico internacional, uma academia permanente para formação de recursos”.

E a Startup Madeira, que acabou por inaugurar um espaço, em Abril, no Brava Valley, co oito salas de incubação e oito espaços para cowork. Mas, até à data, só a empresa Peripheral Front, que aposta no desenvolvimento de apps para turistas, se fixou lá. Pertence a uma chinesa e a um francês e emprega quatro pessoas.

A Vice-presidência destaca outros projectos: “O assegurar da capacidade de comunicações, nomeadamente de dados, a atracção de centros de investigação (tecnologia, telecomunicações e multimédia), a dinamização pela Universidade da Madeira de formação especifica na área tecnológica e o lançamento do ‘Robô Brava’, iniciativa lançada em Março do corrente ano, que permitiu que mais de 2 mil crianças de toda a Região tivessem um primeiro contato com o mundo da programação informática e raciocínio lógico, através da construção e consequente programação de robôs da marca LEGO”.

Contactámos Ricardo Nascimento para perceber que mudanças é que o Brava Valley já conseguiu levar para o concelho, sobretudo no crescimento da economia e do emprego, como foi anunciado que aconteceria, mas não conseguimos conversar com o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava até ao fecho desta edição.

Além das parcerias para cursos formativos na UMa, da ACIN, empresa-âncora do projecto, de um ou outro evento e da instalação da Peripheral Front ainda não há nada de concreto. Em Setembro, o Governo Regional voltou a fazer um novo anúncio, ao lado do CEO da Altice: a empresa terá um laboratório no Brava Valley. Mas para já, também não há mais informações. “Sendo este um projecto a médio e longo prazo e não estando assente numa componente de investimento corpóreo, foi importante delinear um plano de promoção que deve vir a ser implementado gradualmente e à medida que as condições e outros fatores de atractividade venham a ser concretizados”, destaca a Vice-presidência.

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