250 a postos para Requiem

“Depois do dia 16 vai ficar um vazio porque risquei toda a minha lista de sonhos por concretizar”, confessou Francisco Loreto

08 Jun 2017 / 02:00 H.

É com entusiasmo e expectativa que os cerca de 250 participantes no Requiem Inês de Castro aguardam pela estreia regional da obra de Pedro Macedo Camacho, amanhã na Igreja de São João Baptista (Igreja do Colégio), um momento singular em que o Coro do Conservatório vai juntar-se ao Coro de Câmara da Madeira e ao Coro Juvenil da Direcção de Serviços de Educação Artística e Multimédia. Estas duas centenas de vozes vão acompanhar ao vivo a Orquestra Académica do Conservatório, representada por 53 músicos. O concerto tem início pelas 21h30, as portas abrem às 21 horas.

De modo a acolher os mais de 250 artistas, cinco filas de bancos vão ser retiradas estas tarde, já depois da missa das 17 horas, mas estes vão ser colocados nas laterais, garantindo assim que continua a haver a mesma capacidade de lugares sentados.

“Tudo bem arrumadinho, tudo bem espremidinho, com criatividade vai-se conseguir colocar toda a gente”, disse o maestro. Além deste concerto, há concerto no domingo na Igreja do Caniçal às 16 horas e depois na sexta-feira seguinte (16 de Junho) na Igreja Matriz da Ribeira Brava ás 21h30, com o mesmo programa e com o mesmo número de executantes. A par dos grupos já referidos, são solistas nesta obra de música sacra os cantores Maria João Pereira, Carla Moniz e Stefan Hatházi.

Ontem estava previsto o último ensaio antes da actuação de amanhã. Hoje o dia é de descanso, explicou, Francisco Loreto, o sonhador desta obra, agora concretizada por ocasião da celebração dos 70 anos do Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira Eng. Luiz Peter Clode. Já lá vão dois anos. Foi quando assumiu a direcção da Orquestra Académica que traçou como objectivo um ciclo de concertos comentados, uma gala de ópera, um flashmob e este requiem, que o conquistou desde o primeiro momento que ouviu. “Depois do dia 16 vai ficar um vazio porque risquei toda a minha lista de sonhos por concretizar”, confessou o maestro, músico e compositor, com sentido de humor. No Verão, disse, terá de ser criativo para encontrar novos.

A logística foi um dos desafios de montar estes três eventos, gratuitos abertos ao público em geral. O Conservatório, explicou, não é uma entidade de produzir espectáculos, os objectivos são pedagógicos. Aqui a Diocese, os padres das respectivas igrejas, a Câmara Municipal da Ribeira Brava e a Associação Machico XXI foram fundamentais.

Os coros começaram a preparação em diferentes fases entre Dezembro e Março e a Orquestra no final de Abril. Este é o culminar do processo. O grupo está motivado, contou, sobretudo depois de começarem a ensaiar em conjunto e de sentirem um pouco da mística envolvente nesta obra composta por Pedro Macedo Camacho, estreada em 2012 na Sé Nova de Coimbra. “Estão todos motivados, entusiasmados e a aproveitar esta oportunidade. Não é todos os dias que conseguimos fazer algo de relevante. Vai ser muito bonito”.

Além de estar integrado na comemoração dos 70 anos do Conservatório e de ser um projecto extra-curricular, o Requiem Inês de Castro é também uma forma de a instituição de ensino artístico se abrir à comunidade.

À questão por que não na Sé do Funchal, Francisco Loreto explica que seria mais complicado lá colocar os 250 artistas, pois o altar não pode ser movido, teriam de ser retiradas muitas mais filas de bancos e os bancos estão fixados no chão na catedral. O concerto com a Orquestra Clássica no ano passado não envolveu tantas pessoas e mesmo assim, contou, já foi complicado. Por outro lado, confessa estar mais à-vontade na Igreja do Colégio. “Ninguém vai ficar na rua, no que depender da nossa parte”, garantiu o também director artístico.

O grupo está empenhado em dar o seu melhor, assegurou. “Para nós é uma experiência nova. Para os alunos, é uma experiência de vida”. O objectivo é honrar a obra do compositor e desfrutar deste projecto arrojado. “Tem o seu risco”, confessou. “Até ao primeiro ensaio todos juntos, não me estava a sentir muito bem”. Depois, respirou. Para o maestro também está a ser uma aprendizagem.

A par do Requiem, vão interpretar no final ‘Hallelujah’ de Handel e a ‘Marcha Triunfal’ de Verdi.