Nacional tomará partido nas eleições regionais

Rui Alves lembra o passado de André Escórcio na mocidade portuguesa

25 Nov 2010 / 03:00 H.

O presidente do Nacional declarou guerra aos partidos que defendem a extinção dos apoios ao futebol profissional e ontem prometeu tomar posição política nas eleições  regionais de 2011 e nas autárquicas de 2013.  Reagindo a declarações de André Escórcio, Rui Alves falou do passado "de comandante de castelo na Mocidade Portuguesa" do líder parlamentar do PS e lembrou o facto de ter sido treinador "de um atleta que acabou preso por tráfico e consumo de droga".

De facto, entre as explicações sobre as funções sociais dos clubes e dos compromissos a que obrigam os subsídios do Governo, o presidente do Nacional disse, na conferência de imprensa de ontem à tarde, que, daqui para frente, fará de Escórcio um alvo. "Será o meu animal de estimação, a quem vou largar porrada".  A guerra ao socialista está declarada, mas Alves não poupa o BE e deixa o aviso a todos os que se candidatarem à presidência da Câmara do Funchal.

A reacção surge como resposta à tomada de posição de Escórcio em relação aos subsídios aos clubes e às comparações que o presidente do Nacional fez entre o dinheiro para o desporto e as verbas para os partidos políticos. Alves não retirou uma linha ao que disse no jantar dos alvi-negros no último sábado e reforçou ainda mais a ideia de que o Nacional faz mais pela juventude do que os partidos políticos.

Razões suficientes para que o voto dos nacionalistas seja nos partidos que promovem políticas de desenvolvimento desportivo e contra os que querem acabar com os subsídios.  Rui Alves lembrou, no entanto, que "não está ao serviço de nenhum partido". A sua posição é "em defesa do interesse  do Clube Desportivo Nacional, dos seus associados, dos seus simpatizantes, dos seus trabalhadores e os seus atletas". E sempre que "um partido ousar colocar em causa estes interesses", Rui Alves tomará posição política e pública, apoiando os programas eleitorais que defendam a continuidade dos apoios.

E será assim enquanto for presidente do Nacional. Quem não concordar, que entender que política e futebol não se devem misturar, então "terá que escolher outro presidente". Com Rui Alves na direcção, o clube tomará posição e defenderá de modo intransigente todos os partidos que tenham o desenvolvimento desportivo nos respectivos programas eleitorais.

Jogos na televisão valem o subsídio do GR

Apesar da conferência de imprensa convocada de propósito, Rui Alves desvalorizou os apoios do Governo, pelo menos do modo como estão pensados e regulados. Segundo Rui Alves, a transmissão televisiva dos oito jogos da I Liga valem tanto com o subsídio do Governo. Aliás, na opinião do presidente do Nacional, se não existissem as obrigações sociais seria possível manter as duas equipas madeirenses na I Liga. "Não daria para disputar títulos ou ir à UEFA, mas aguentavam-se". O que não acontece agora. Os subsídios exigem escalões de formação e o Nacional tem, além dos 25 jogadores profissionais, 600 rapazes na formação.  E paga, por ano, 2,8 milhões de euros em IRS, IVA e Segurança Social.