PS 'dividido' sobre chumbos

Rui Caetano discorda da ideia da ministra e de escórcio de acabar com reprovações

05 Ago 2010 / 02:00 H.

André Escórcio e Rui Caetano são ambos professores e vice-presidentes do PS-Madeira, mas assumem publicamente posições díspares em relação à proposta da ministra da Educação de acabar com os chumbos no ensino básico. O primeiro aplaude a ideia de Isabel Alçada, o segundo opõe-se à mesma.

Ontem, em declarações ao DIÁRIO, Caetano desvalorizou as divergências com o líder parlamentar socialista: "O que a senhora ministra quis foi lançar um debate sobre o combate ao insucesso escolar e nisso, que é o essencial, estamos de acordo. Na questão particular dos chumbos, acho que acabar com as reprovações não é o caminho. Mas é uma questão pontual e não há drama nenhum em termos opiniões divergentes".

Direcção não discutiu assunto

O dirigente e vereador socialista sublinha que a sua posição é pessoal e não vincula o PS-Madeira. E o mesmo se aplica às ideias de André Escórcio, apesar deste ser o porta-voz dos socialistas madeirenses para os assuntos da Educação. Afinal de contas, a questão foi levantada há poucos dias, numa entrevista de Isabel Alçada ao 'Expresso', e ainda não houve tempo de discutir o assunto na direcção do PS-M. "Ainda não tivemos uma oportunidade para discutir esta questão e tomar uma posição do Partido. Até lá, tudo o que surgir são opiniões pessoais", acrescenta Rui Caetano.

De qualquer modo, o dirigente socialista vai já esclarecendo que o facto de haver opiniões distintas no seio do PS-Madeira "não significa que o Partido esteja dividido ao meio". "Não tem rigorosamente nada a ver com isso. Em todos os partidos - até no PCP - há posições pessoais sobre determinadas matérias. Não se pode dizer que o Partido tem visões diferentes porque este assunto não foi debatido internamente", adianta.

Segundo o mesmo responsável político, a ministra da Educação teve o mérito de colocar o problema em debate no país. Algumas organizações, como a Associação de Pais, estão de acordo e outras não. Contudo, a própria Isabel Alçada deixou a questão em aberto. "É um debate muito interessante, porque a política para esta área não está fechada, está, sim, em debate. Posso também chegar ao fim deste debate, ao ouvir as diversas reflexões, e mudar a minha opinião", assume Rui Caetano.

As razões de Caetano

Rui Caetano é professor há 22 anos. Deu aulas no 3.º ciclo/secundário e no ensino recorrente, leccionou Latim, Grego e Português e também já deu formação profissional durante largos anos. Recentemente foi eleito presidente do conselho executivo da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco. É com base nessa "experiência prática de anos e anos de leccionação e de conhecer a realidade concreta e objectiva do que é uma escola, do que são os alunos e as turmas" que chega à conclusão que "não tem grande sentido acabar com os chumbos". Na óptica do vice-presidente do PS-M, os alunos com insucesso escolar, na sua esmagadora maioria, têm graves problemas sociais e muitas vezes o problema não é tanto o da capacidade de aprendizagem mas as condições sociais dos alunos. "Costumo dizer que um aluno com fome não quer aprender", refere. Por isso, acha que para estes problemas há que encontrar outras soluções, como a redução do número de alunos por turma, a alteração dos conteúdos de programas das disciplinas e outro tipo de apoio, mais técnico, para as escolas lidarem com problemas sociais (assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras, etc.).

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