Escórcio apoia ministra no fim das retenções

Proposta do PS-M chumbada na ALM já limitava os chumbos no ensino básico

04 Ago 2010 / 02:00 H.

Uma lógica "egoísta e ignorante" é como André Escórcio classifica as críticas, na Madeira e no Continente, à intenção do Ministério da Educação de limitar, ou mesmo acabar com os chumbos no ensino básico. O líder parlamentar do PS na Assembleia Legislativa acusa os críticos de comentarem uma medida sem ter dados científicos, nem uma avaliação dos efeitos práticos.

Afirmações como as de dirigentes do PSD que acusam a ministra Isabel Alçada de promover o facilitismo, são vistas numa perspectiva egoísta do tipo "Se eu chumbei, por que razão os de agora não chumbam?".

Escórcio teme que, a continuar na mesma lógica, só falte "aceitarem a reguada como medida incentivadora do estudo".
O deputado lamenta que, "a cultura do insucesso esteja interiorizada" e promova rotinas que "bloqueiam a mudança" e criem uma "aversão a ouvir os investigadores".

A questão da retenção escolar, refere, tem outras soluções "que nada têm a ver com facilitismos, menos rigor" e, pelo contrário, "têm a ver com mais participação, maior exigência ao professores".

Escórcio, que também é professor, lembra que países com elevadas taxas de sucesso escolar adoptaram modelos que não passam pela retenção dos alunos, mas pelo acompanhamento permanente, desde o primeiro ano.

"Ao invés de andarem pelos Jogos das Ilhas, gastando, visitem e estudem os países de sucesso e caminhem nesse sentido", recomenda.
Os modelos de escola que o deputado defende apontam para uma mudança do conceito organizacional e passam pela avaliação.
"O problema é que o próprio secretário regional alinha no coro dos disparates, quando afirma que o fim das retenções significa mascarar a realidade", acusa.

PS-M já defendia medida

O modelo do Ministério da Educação é idêntico ao que o próprio PS-M já defendeu, no parlamento madeirense, quando apresentou um novo regime jurídico para o Sistema Educativo Regional.

Para o ensino básico, era defendida uma avaliação contínua da aprendizagem, baseada nas competências adquiridas pelo aluno. Neste nível de ensino, como constava da proposta que foi rejeitada pelo PSD, não haveria retenções, salvo casos devidamente estudados e fundamentados pelo Conselho de Turma.
Todos os casos de dificuldades de aprendizagem devem ser acompanhadas desde cedo.
"Facilitismo é chumbar, rigor e exigência é trabalhar", conclui Escórcio.

Cada 'chumbo' custa 4.000 euros por ano

  • Ao nível nacional, anualmente, as retenções de alunos no ensino básico custam 743 milhões de euros. Cada 'chumbo' custa ao erário entre 3.000 e 4.000 euros, por ano e por aluno. Um valor idêntico deverá registar-se na Madeira, elevando os custos da Educação em mais alguns milhões de euros.
  • "Chumbar não é a solução, repetir um ano escolar significa uma condenação e não devemos ir por aí. O sistema deve intervir na solução e não no problema criado", refere André Escórcio que, além dos objectivos pedagógicos da medida de limitar as retenções dos alunos, refere a vertente económica.
  • O deputado também recorda que, na Região, com 30% da população dentro dos limites da pobreza e um número de desempregados que ultrapassa os 15.000, há muitas crianças que "partem em desvantagem" no ensino e devem ser compensadas por isso. "O chumbo não é a solução", repete.
  • Os currículos alternativos também não são apoiados pelo deputado socialista. A Educação "não pode assemelhar-se a um produto que, em fim de prazo, fica numa banca de produtos mais baratos".