2.700 votam na Madeira contra Maduro

17 Jul 2017 / 02:00 H.

A participação dos venezuelanos no plebiscito simbólico contra o projecto de Assembleia Constituinte, do Presidente Nicolás Maduro, superou, na ilha da Madeira, as expectativas dos responsáveis, que no Funchal abriram mais uma mesa de voto. Calcula-se que mais de 5 mil pessoas tenham participado no referendo deste dia 16 de Julho.

No Jardim Municipal do Funchal (um dos três pontos da voto abertos na Região, a par do restaurante ‘El Desafío’ na Ribeira Brava e o ‘Santa Cruz Village Hotel’, em Santa Cruz), dezenas de pessoas aguardavam em fila, ao princípio da tarde, a vez de votar no referendo que a oposição designa como o maior ato de “desobediência civil” e que tem lugar após três meses de contínuos protestos violentos contra o Governo de Nicolás Maduro, durante os quais pelo menos 93 pessoas morreram.

“Eu vim votar, apesar de estar já há 24 anos cá na Madeira, porque penso que seja um contribuo e um grãozinho de areia para uma mudança [do contexto político na Venezuela] ”, disse esperançosa Ana Gonçalvez.

Por sua vez, José Maria Aguiar Rodríguez, há sete meses na Região a tentar legalizar a situação da sua família, diz ter tomado conhecimento do protesto “apenas na véspera” mas nem por isso quis deixar de “marcar presença contra [a Assembleia Constituinte] ”.

“Nós queremos a abertura de um canal humanitário e queremos eleições livres para a Venezuela”, afirma determinada Aura Rodríguez. A voluntária da Venexos sublinha que “o que a Constituinte, que o Governo quer implantar no dia 30 de Julho, quer que não sejas dono nem de ti mesmo (...) porque eles é que vão decidir tudo”.

A jovem Verónica Teixeira, “espera que sim”, mas confessa que “não sabe se [a sua participação] vai fazer ou não diferença” para mudar o rumo da situação que se vive na Venezuela, mas de uma coisa tem também a certeza: “estamos todos aqui porque queremos a liberdade para o nosso país”.

A consulta popular, que por decisão da Comissão Nacional de Telecomunicações, não será transmitida pelas rádios e televisões locais, decorre em 1.600 assembleias de voto do país, algumas delas em bairros tradicionalmente afectos ao regime, e também em outros países, nomeadamente em Portugal, onde se estima que vivam actualmente cerca de 20 mil cidadãos venezuelanos com direito de voto.

‘Calma tensa’ nas 1.600 assembleias de voto

Na Venezuela o clima é de ‘calma tensa’, devido à expectativa suscitada pelo plebiscito que os militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela, no poder, dizem ser ilegal, mas que a oposição pretende usar para marcar a “hora zero”, que poderá levar à paralisação do país, antes das eleições para a Assembleia Constituinte, que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) marcou para 30 de julho.

A consulta popular, que por decisão da Comissão Nacional de Telecomunicações, não será transmitida pelas rádios e televisões locais, decorre em 1.600 assembleias de voto do país, algumas delas em bairros tradicionalmente afectos ao regime, e também em outros países, nomeadamente em Portugal, onde se estima que vivam actualmente cerca de 20 mil cidadãos venezuelanos com direito de voto.

Sondagens: 70% contra a AC na Venezuela

Os resultados finais do plebiscito são ainda desconhecidos à hora de fecho desta edição, mas empresas de sondagem como a Datanalisis dão conta de que 70% dos venezuelanos se opõe à Assembleia Constituinte (AC), a quem acusam de pretender acabar com a democracia e submeter o país a um regime comunista ao estilo cubano.

Para o Presidente Nicolás Maduro a AC estará orientada a redigir uma nova Carta Magna, que plasmará um grande diálogo nacional e social, acabará com a corrupção e a burocracia, estando centrada em “ganhar a paz e isolar os violentos”. A AC visa ainda “ampliar e aperfeiçoar o sistema económico venezuelano” para dar lugar a uma economia pós-petrolífera, produtiva, diversificada, mista e integradora.

Paralelamente, ao referendo o Governo convocou os venezuelanos a participarem num “simulacro” eleitoral, em que o CNE prevê verificar o funcionamento das máquinas de votação que vão ser usadas para a AC, num acto que a oposição considera de provocação.

Outras Notícias