1,5 milhões para restaurar abóbadas da cabeceira no aeroporto

Projecto para restaurar a infra-estrutura só será elaborado em 2018

13 Nov 2017 / 02:00 H.

Cerca de milhão e meio de euros é quanto deve custar a recuperação das cada vez mais degradadas abóbadas que suportam o troço da via rápida junto à cabeceira da pista do Aeroporto da Madeira - Cristiano Ronaldo, em Santa Cruz. Obra ainda assim sem data definida, mas com a garantia que “o projecto de recuperação será elaborado durante o próximo ano e logo que estiver concluído avançar-se-á para a obra”, assegura a Secretaria Regional dos Equipamentos e Infra-estruturas (SREI).

Recorde-se que, em Abril de 2016, o então secretário com a tutela das Obras Públicas, Sérgio Marques, foi ao local não só se inteirar do estado de degradação mas também assumir a necessidade de intervenção na infra-estrutura, um dos vários equipamentos construídos nas últimas décadas com evidentes carências ao nível da manutenção e conservação. Na altura foi anunciado que esta obra faria parte de uma lista de dez empreitadas de recuperação de infra-estruturas públicas.

Passado mais de ano e meio, agora com a responsabilidade entregue a Amílcar Gonçalves, o novo secretário da tutela confirma que a Região vai restaurar o conjunto de abóbadas que suportam a via rápida sob a cabeceira 05 do Aeroporto Internacional da Madeira Cristiano Ronaldo, adiantando que o custo previsto é de cerca de 1,5 milhões de euros.

“A recuperação de infra-estruturas é uma das prioridades deste Governo e esta obra faz parte de um programa de reabilitação que congrega outras estradas e obras de arte em vários pontos da ilha”, assegura a ‘nova’ Secretaria. No caso das abóbadas cada vez mais ‘descascadas’ pela acção imposta pela erosão marítima junto do destruído Porto de Recreio, apesar dos sinais de degradação a SREI assegura que não oferece qualquer risco para a via rápida ou para o aeroporto.

Através do director regional de Estradas, António Ferreira, que há ano e meio acompanhou Sérgio Marques na visita ao local, enaltece desta feita que a última intervenção no local aconteceu há cerca de 20 anos, pelo que é agora altura de voltar a fazer a recuperação de toda aquela infra-estrutura, que é bastante afectada pelos agentes atmosféricos e neste caso particular pela proximidade do mar.

Dúvidas atrasaram

Outra questão que, simultaneamente, fez com que a obra avance só agora foi a necessidade de esclarecer se a intervenção naquela infra-estrutura estava dentro do âmbito da concessão ANA/Vinci, por entender que não fazia sentido que a Região se chegasse à frente sem esclarecer de quem era a responsabilidade é de outrem. Isto porque o GR pretendia que aquela intervenção de conservação fizesse parte do projecto de renegociação da Concessão dos Aeroportos de Portugal à Vinci. Hipótese frustrada desde que o actual Governo da República deixou cair a intenção de renegociação da concessão, pelo que terá de ser a Região a proceder à empreitada.

“Não há risco de colapso”, garante GR

Ao DIÁRIO, o governante explica que houve dois motivos que levaram a que só agora se avance para a recuperação: a necessidade de promover aturados e demorados ensaios laboratoriais aos diferentes elementos estruturais e a possibilidade da empreitada vir a contar com a participação da ANA/Vinci. António Ferreira explica que o Laboratório Regional de Engenharia Civil teve que efectuar vários testes, para aquilatar do efectivo estado de deterioração da estrutura e para saber que obras de reabilitação seriam necessárias. Houve que, por exemplo, efectuar o levantamento das patologias, proceder a análise das resistências mecânicas e grau de carbonatação do betão bem como às armaduras que integram os contrafortes e as abóbadas. “Foram muitos ensaios e exaustivos”, realça, de forma a disponibilizar à empresa projectista da recuperação, a elaborar durante 2018, os dados correctos de toda a situação. “Não há risco de colapso da infra-estrutura”, garante. “Não está minimamente em causa a obra, mas é uma situação que, até pelo efeito visual, merece a nossa atenção. E que acaba por ser natural numa infraestrutura cuja última intervenção aconteceu há cerca de vinte anos e que está tão perto do mar”, releva.