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A canga da troika!

A Troika não veio para combater a corrupção nem para combater os interesses instalados

 
Paulo Martins
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Estão em Portugal os verdadeiros governantes do País - os funcionários da Troika!
São eles que vão decidir sobre o Orçamento de Estado para 2013 e sobre as novas medidas de austeridade que lá serão incluídas.
São eles que vão decidir sobre a alternativa à declaração de inconstitucionalidade feita pelo Tribunal Constitucional dos cortes dos subsídios de férias e de Natal para os funcionários públicos e para todos os reformados, sejam eles do sector público ou do privado, gradualmente acima dos 600 euros ou na totalidade acima dos 1100 euros.

São eles que também vão decidir sobre o caminho a seguir diante da calamidade económica, social e financeira, em que se transformou a aplicação do memorando por eles imposto e assinado pelo PS/PSD/CDS para emprestarem 78 mil milhões de euros.
Se Portugal tivesse Governo eles não deviam ter direito a pronunciarem-se sobre nenhuma destas duas questões!
Sobre o corte dos subsídios deviam ficar calados por duas razões.
A primeira, porque essa medida não consta do memorando assinado e foi única e exclusivamente da responsabilidade do Governo PSD/CDS, com a abstenção do PS.

A segunda, é porque o FMI não tem àgua onde se lave - é que os Planos de Reforma dos funcionários do FMI pagos com as contribuições dos Estados-membros prevêem o pagamento de pensões vitalícias a partir de 50 anos de idade com um mínimo de 3 anos de serviço. Como refere Dean Baker, Director do Centro de Pesquisa Económica e Política em Washington, técnicos do FMI podem reformar-se aos 51 anos com uma reforma da ordem de 74 mil euros anuais.
Para assegurar estas mordomias, para além da contribuição que Portugal paga para o FMI, pela "ajuda" de 78 mil milhões de euros somos obrigados a pagar 34.400 milhões de euros de juros, a somar aos 655 milhões de euros de comissões, sem juros.
Que moral têm estes funcionários para decidirem sobre mais cortes para os trabalhadores e reformados que trabalham a produzir e não a parasitar e descontaram para as suas reformas?

Sobre o caminho a seguir para sair do buraco em que a austeridade mergulhou o Povo e o País, esses senhores também deviam ficar calados porque tudo isto é consequência da política por eles imposta e aceite pelo PSD/CDS e pelo PS apesar das suas abstenções mais ou menos "violentas" mas que tudo deixam passar.
A receita fiscal entre Janeiro e Julho deste ano caíu 3,5%. As receitas de todos os impostos directos e indirectos, à excepção do IRS, desceram. Trata-se duma enorme derrapagem orçamental.
O Governo fez aprovar com os votos do PSD e CDS e a abstenção "violenta" do PS o maior aumento da carga fiscal de que há memória em Portugal. Em lugar de recolher mais receita, recolheu menos, porque as Empresas não aguentaram e faliram, o desemprego aumentou e as receitas para a Segurança Social diminuíram a par dum aumento de despesas, o consumo diminuíu e o IVA baixou, etc., etc..

Em consequência temos um País onde o único indicador positivo é o aumento das exportações e onde se tenta apresentar também como positivo a diminuição das importações como se tal facto não se devesse à enorme descida do poder de compra dos portugueses.
Ficamos com a aplicação deste plano de austeridade mais pobres e mais fracos económicamente.
Os responsáveis têm nome e não têm autoridade para nos imporem mais da mesma receita que penaliza sempre os que trabalham por conta de outrem e os pequenos e médios empresários.
Ao contrário do que muitos pensavam quando a Troika cá chegou ela não veio para combater a corrupção nem para combater os interesses instalados.
De combate à corrupção nem cheiro. De combate aos interesses intalados estamos no reino do faz de conta. Veja-se as Parcerias Público-Privadas - há dois meses Passos Coelho prometia reduzir em 4,5 mil milhões de euros só nas PPPs rodoviárias; agora a muito custo fala-se em apenas mil milhões mas sem saber-se como e para quando.

Mas para negócios de amigos à custa do interesse público há sempre disponibilidade - vendeu-se o BPN por 40 milhões de euros a capital angolano depois de gastarem milhares de milhões de euros dos nossos impostos em limpar os seus prejuízos. Agora querem encerrar a RTP2 e entregar em concessão a RTP1 a privados mantendo compulsivamente os cidadãos a pagarem uma taxa na factura da luz procurando fazer-nos crer que um privado, talvez estrangeiro, assegure serviço público.
Já é tempo de vermos que com a cantiga da crise e da dívida só querem colocar os trabalhadores e reformados a receberem vencimentos de miséria e sem direitos sociais para que os donos de Portugal responsáveis pela crise continuem na sua vida de luxo e riqueza.

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Comentários

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Portugal (Madeira inclusa) sobre de um GRANDE MAL: a impunidade dos corruptos poderosos! A (IN) justica so funciona contra os menos favorecidos e os criminosos sem bons advogados.
Claro que a famigerada troika nao esta para aborrecer-se com os corruptos e os pobres dos paises endividados, tipo Portugal, Grecia, etc. A turma da troika estao para defender os interesses dos credores.
Um pais eh mais ou menos como uma familia: se gastam mais do que ganham correm sempre o risco de ficar empobrecidos e nas maos dos credores, muitas vezes os piores agiotas!
Se Portugal tivesse um judiciario eficiente, independente, moderno e bem equipado com pesoal de alto nivel tecnico, os corruptos do pais estariam atras das grades ha muito tempo. Inves disso, estao gozando uma vida que pouquissimos portugueses podem sonhar...

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O Paulo Martins abordou um tema que é por demais abordado e todos partilhamos da sua opinião, pelo menos aqueles que estão a sentir o peso desta crise. Por outro lado li que o AAA vem com uma abordagem de treta relativamente ao que está escrito, e que é verdade, questionando o comportamento do colunista aquando da sua passagem pela Assembleia da Região. O que me parece é que, ou este senhor(a) ea demasiado criança para conhecer o Paulo martins , a Guida Vieira eoutros da UDP, que defendiam com acérrimo comportamento e inteligência, o que era na altura feito na Região eplo mais tarde conhecido como João o Gastador". Assim sendo, não entendo estas crítcias deste AAA ao "ex-deputado" como se por acaso a responsabilidade da oposição não começasse e acabasse na denúncia, na apresentação de propostas alternativas e como num estado de direito democrático, tivesse de acatar a decisão da maioria, e esta sim a decisora daquilo que foi feito na Região. Assim sendo, não consigo entender onde poderá haver qualquer ponta que se pegue contra o colunista já que mais uma vez o que ele escreveu vai de encontro à sua postura , que sempre foi constante de oposição ao "stablishment". Diria mais, vejo nestas pequenas colunas que escreve uma melhor oposição do que a verdadeira oposição que actualmente se encontra na Assembleia. e para teminar lembro que um adetermonada vez o Alberto João afirmou publicamente que era este "ex-deputado" oquem realmente lhe faziaoposição pelas propostas inteligentes que apresentava eque era pena estar no lado contrário... mas também vindo de quem vinha as palavras significavam o que só podem significar. O que está em causa afinal é se o que foi escrito é verdade. E, é verdade, só não será para quem usufrui de prerrogativas e beneces deste regime instalado em Portugal, e nas Ilhas.

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Não me parece que o AAA tenha escrito isso!
Quanto à oposição, mesmo a amiga dos pobrezinhos, também tem responsabilidades na situação a que se chegou. Muito provavelmente poucos concordarão que se subiu demasiado alto. A maioria simplesmente quer continuar a "subir" sem ter unhas para o fazer.
Todos concordarão que muitos engordaram à sombra do sistema e consideram que estes são os empresários do regime. Se a Justiça funcionasse tratar-se-ia simplesmente de casos de polícia. O que poucos concordarão, e que eu afirmo, é que o regime empregou demasiados funcionários públicos, levou estrada e infraestruturas a demasiados locais onde tal não se justificava, fez demasiada festa, demasiada política social, demasiado apoio ao desporto, etc. Foram também estas pequenas parcelas pelas quais muita oposição lutou que também ajudou a cavar o "buraco". Toda a gente comeu, directa e indirectamente, e 99% achavam que tinham direito a mais. O facto de haver grandes ladrões não justifica os pequenos ladrões que são pequenos mas numerosos. Suspeito que os pequenos "ladrões" não pensam de forma diferente dos grandes ladrões, simplesmente não tiveram oportunidade de se tornarem grandes...
É necessário rever o papel do Estado pois não há melhor gestor do que o proprietário. Os governos não são proprietários, pela natureza humana estamos condenados a sermos roubados por indivíduos que se apossam, pela via democrática, do Estado. Esvazie-se o Estado da sua componente económica, privatize-se a educação, saúde, etc, e rápidamente o Estado deixará de ser um meio de apropriação dos rendimentos privados. É necessário que se tenha consciência que os dinheiros públicos eram dinheiros privados.

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Uma boa parte dos portugueses também já fizeram estas contas.
Outra boa parte sabem de onde vem a culpa.
Outra boa parte convem-lhes não se "mexer" seja para o que for.

E a grande maioria consente nisto tudo. E nada se faz, ou quase nada, para impedir a "roubalhei-
ra", o abuso e a incompetência de governar um País.

Está tudo nas calmas, numa bonomia à espera de "milagres". Enquanto houver diversão fácil (bola, programas televisivos de "chacha", multidões em concertos rock e outros estilos pró e p'ra juventude (?) papás e mamãs a deixar os "meninos" fazer tudo), estamos FRITOS, não sairemos da cepa torta.

É isto que aquela gente com deficiente formação política, que não são sérios, nem honestos,
nem "humanos", nem têm objetivos de bem estar futuro das populações, que nos governa,
PRETENDE.

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Também concordo com o texto, só peca por não apresentar uma medida, uma solução... Mas arrisco a minha: REVOLUÇÃO NA JUSTIÇA! Os Tribunais têm de condenar estes políticos que nos trouxeram até aqui! O Ministério Público tem de investigar os relatórios do Tribunal de Contas! Sem uma Justiça eficaz, com outros magistrados, jamais resolveremos o problema deste país, desta nossa querida Madeira!

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Mas se a própria Justiça precisa de ser investigada como é que poderemos pensar que ela vai mudar de rumo!? Os agentes da Justiça são feitos da mesma fibra que os restantes portugueses pelo que não há que esperar nada dai...O melhor a fazer é acelerar a queda pois só quando estiverem no fundo do poço é que vão reagir...até lá é deixar cair e quem tentar evitar o deprimir da situação só estará a ser um idiota útil e a adiar a "regeneração"...

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Ao senhor Paulo Martins, com todo o respeito que merece, devemos lembrar, porque parece que ignora, quais são as funções da Troika e as razões da sua intromissão nas contas do nosso país. Sem ela o nosso ex-deputado há muito que não recebia a sua pensão de reformado. Ou receberia algumas senhas, como os empregados de certa casa comercial do Funchal. Lembre-se que o nosso Estado estava falido e que o dinheiro não cai do céu. Cabe ao Parlamento português e à Assembleia Regional o combate contra a corrupção e controlo do nosso orçamento e da dívida regional e nacional. Não vale a pena deitar as culpas para cima da Troika quando o senhor, como deputado, sabe perfeitamente o pouco que fizemos par evita-los. Senhor ex-deputado, diga-nos onde ia buscar o dinheiro para reembolsar a nossa dívida ? Fazer como faz o nosso Governo Regional - não pagar ? Onde está a responsabilidade da nossa oposição ? Poderemos confiar nela ?

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O que foi dizer! A maioria não sabe mas o "comunismo/socialismo/jardinismo acaba quando acaba o dinheiro dos outros; é que neste país, nas classes altas e nas classes baixas, há muito boa gente que usufrui muito mais do Estado do que contribui para o Estado e esses não querem mudar o sistema, querem apenas usufruir ainda mais do "sistema".
Estado mínimo e Justiça a funcionar e rapidamente veriamos muitos intocáveis atrás das grades e grandes empresários na falência enquanto que as pessoas emprendedoras e capazes veriam o seu trabalho ser recompensado.
Esvazie-se o Estado das suas funções económicas e rápidamente verão a pouco atractividade que certos parasitas, da alta e baixa classe, sentirão por fazer a corte aos partidos e políticos. Se o Estado tem sido sequestrado pelos partidos para favorecer clientelas privatize-se muitas da suas actuais funções e ver-se-á que deixarão de haver boys e girls e negociatas que lezam os cofres públicos.

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Sim senhor,mas quem parece que beneficiou do dinheiro do estado ás "paletes",foram os seus amigos duarte lima,oliveira e costa,dias loureiro,fátima felgueiras,isaltinos,e outros amigos da sua igualha,enquanto para o POVO só sobravam as migalhas varridas de cima da mesa do orçamento.

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O problema meu caro Paulo Martins eh que quando voce denunciava na Assembleia Legislativa todas as patifarias que estavam a ser cometidas alertando os eleitores madeirenses para as consequencias nefastas que nos levaram ah bancarrota eles, os eleitores , assobiavam para o lado ao mesmo tempo que o idiota que nos governa ha mais de trinta anos o insultava e ameacava. Portanto o eleitorado madeirense tambem eh responsavel por tudo o que nos esta acontecendo e por conseguinte nao teem que se lamentar.

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