último comentário

Andam à pesca do esturjão

O vulcão anestesiado pode acordar. Não seria a primeira vez na História da Madeira

 
Lília Bernardes*
3 comentários
Ferramentas
Interessante
Achou este artigo interessante?
 

"Vamos à pesca", disse o pai para os três filhos. "Vamos à pesca do esturjão nada melhor do que pescar para conservar a união familiar". A mãe deu-lhe razão e preparou sem mais detença um bom farnel, sopa de couves com feijão para ir também à pescaria do esturjão. E a mãe e o pai e os três filhos foram à pesca do esturjão todos atentos, satisfeitíssimos. Que bom pescar o esturjão! Que bom comer o belo farnel, sopa de couves com feijão! E foi então que apanharam um magnífico esturjão que logo quiseram ali fritar mas enganaram-se na fritada e zás fritaram o velho pai, apetitoso, muito melhor, mais saboroso do que o esturjão. "Vamos para casa", disse o esturjão».

Nunca pensei que este poema de Mário-Henrique Leiria se ajustasse na íntegra aos 30 e tal anos de Autonomia, liderada por Alberto João Jardim que sobreviveu à mudança, reunindo a família à mesa, por conta da distribuição das ovas do orçamento. O termo "esturjão" inclui mais de 20 espécies que são comumente conhecidas como esturjões e várias espécies aparentadas que possuem nomes comuns distintos, sendo as mais notáveis sterlet, kaluga e beluga. Coletivamente, a família é também conhecida como Esturjões Verdadeiros. Pois é, estes esturjões (ou intrujões) verdadeiros estavam acostumados a distribuir - por muito poucos, diga-se - grandes doses de caviar. Mas o caviar esgotou porque a espécie entrou em vias de extinção. Ninguém cumpriu as quotas de pesca. Agora os madeirenses, a grande maioria, nem petinga vão pescar. O eldorado que nos venderam entrou em insolvência a caminho de um processo de falência e não da recuperação. Está mais do que visto. Basta ler com atenção o programa de  assistência (chamemos-lhe assim) assinado unilateralmente pelo presidente do governo da Madeira. Um pesadelo. Esse sim, deveria ser distribuído às portas das igrejas, nas escolas, nos consultórios, cabeleireiros, e supermercados para que todos o leiam. Deveria ser, ainda, adaptado para banda  desenhada, a exemplo do que a DRAC publicou há 20 anos para explicar às criancinhas o nascimento da autonomia, a partir das memórias do avozinho. Seria o segundo tomo da colecção. A morte.

Há um mês,  uma mulher à porta de uma farmácia, aflita e confusa teve de largar 50 e tal euros por um medicamento para o filho e esperar semanas a fio pelo reembolso. "Eu sempre votei no dr. Alberto João porque ele cuidava de nós e agora…". É esta nova realidade que ainda ninguém assumiu. E agora? O discurso, o conteúdo e o método,  paradoxalmente, não evoluíram. Congelaram no tempo. Como se nada tivesse acontecido. Não há responsáveis e olha-se para a intervenção da República como a coisa mais natural deste mundo. Não é. E não me venham com os túneis da Sra. Merkel, cujo convite publicitado só serve para consumo interno porque ainda se "bate" à máquina, usando modelos carcomidos e bolorentos. Não é por aí. Tratar as pessoas como um bando de idiotas adormecidos é enganar-se a si próprio porque recusa a possibilidade de, um dia, os filhos confundirem o pai com o esturjão. E fritam-no. Aliás, a fritada já começou. Quando se diz que alguns cospem no prato em que comeram, pergunta-se: quem o encheu, quem o serviu? O vulcão anestesiado pode acordar. Não seria a primeira vez na História da Madeira.

* Jornalista do DN nacional na Madeira

3

Comentários

Este espaço é destinado à construçăo de ideias e à expressăo de opiniăo.
Pretende-se um fórum constructivo e de reflexăo, năo um cenário de ataques aos pensamentos contrários.

-3
updown

A história da MADEIRA que " baralha " muita gente , não é diferente da HISTÓRIA dum país à deriva !!!
Temos UM TÚNEL PARADO, NO MARÃO ( provalvelmente muitos leitores do DN MADEIRA nunca lá passaram..... ) e as noticias são poucas !!?? Será que a Sra Merkel sabe !!??

Entendo ( na minha modesta opinião ) que neste momento QUEM TEM de " COMER OS OSSOS" é o Dr AJJ ...e o seu "loby " .....porque o dinheiro acabou , a oposição continua a não conseguir passar a mensagem , e até que haja eleições, quando tiver de haver, então , o povo decidirá , finalmente....ou não , pela tal mudança !!!!!??

Apesar do JORNALISMO corrosivo " e saboroso " ( para quem vive fora da MADEIRA !! ) do DN MADEIRA , era importante fazer um exercício de " futurismo " e perceber que quem vier depos de AJJ - PSD - não vai poder fazer nada !!! PORQUE O PAÍS ESTÁ FALIDO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

De V Real de S.António a Caminha .....

-2
updown

Conteúdo vazio, sem pertinência, sem inteligência no discurso, sem suscitar nada de novo, esta é a qualidade de oposição que temos. Para que servem artigos como este, quem os lê?? Fazemos oposição para os amigos de bancada, os camaradas do partido, para os lugares, para a classe "intelectual"?? Roça o ridículo... Esta gente continua a cantar a mesma ladaínha: Eu já saí da Madeira há 15 anos, fiz "oposição" na Madeira até perceber que não era oposição mas colaboracionismo, não se tratava de querer um sistema onde todos tivessem expressão democrática, mas de participar no genocídio da democracia, onde as elites pobres de espírito, sem discurso, sem ideias, sem guião, insistem em ditar ao povo a lenga-lenga que passaram de avós para netos. E o AJJ, astuto, sabe como falar ao povo, falar alto, azeiteiro, usando o populismo, ganha-os por milhas. Hoje assisto a uma nova classe, uma que se acha mais preparada, mais atenta, mais "iluminada", mais clarividente... No entanto a ladaínha é a mesma, a qualidade é a mesma, a falta de discurso é a mesma, a despreocupação e arrogância com que falam do "coitadinho" povo, na miséria, é a mesma, o elitismo é o mesmo... Discursam para meia dúzia, para aqueles que querem que os ouçam. Quanto ao resto, não conta, querem lá saber do pobre ou do velho, a não ser para embelezamento do discurso?! Enfim, a democracia continua a mesma, barroca, cheia de rocócó, pertença de uma elite social que não lhe entende o conceito, não lhe preocupa o conteúdo, não lhe aceita a essência.

1
updown

O Luís se não és burro imitas bem.........
Nota: estas perto de cuspir no prato que comeste (como aquele do Marítimo )

O nome que será apresentado como autor do comentário.
O conteúdo deste campo é privado e não será exibido publicamente.